julho 16, 2013

Somos uma sociedade PLACEBO! Talvez os que proclamam a cura sejam os doentes!


Nos enganamos em muitos sentidos, mas entre estes enganos um dos principais é achar que as pessoas "doentes" sãos as que mais, ou as únicas, que têm problemas. Que são aquelas que moram nas ruas, que são os viciados, os detentos, as prostitutas, os homossexuais, ou algum seguimento social neste sentido. Com isto não estou dizendo que estas pessoas não precisam dos nossos cuidados e olhar - e talvez elas sejam apenas consequência da maioria problemática da qual eu falarei logo abaixo. O que estou dizendo é que há enormes problemas em nosso meio - os que se acham sãos - tão graves quanto, mas passam despercebidos aos nossos olhos, de forma velada como se fossem problemas “normais”.

Dentre tantos problemas que poderia relatar aqui citarei alguns para nossa reflexão.

O que ocorre com aquele casal que possui filhos lindos, uma vida financeira bem sucedida, mas que não conseguem ser felizes? Por que mulheres lindas e/ou bem sucedidas na vida são tão solitárias e não conseguem pessoas para compartilhar uma vida a dois? O que acontece com jovens vistosos, bonitos, inteligentes, que a todo instante estão em depressão e muitas vezes pensam em tirar a própria vida? Por que pessoas que almejaram a vida inteira viver uma vida religiosa, casta, santa, hoje imploram para largar o sacerdócio como o diabo que foge da cruz? O que acontece com pessoas que dizem tanto servir a Deus (Cristo) e são tão odiosas? De onde vem tantas meninas mergulhadas em doenças físico-psicológicas, como a anorexia e a bulimia; e meninos mergulhados nos mesmos problemas, só que ao reverso, atrás da hipertrofia muscular, tendendo cada vez mais para a baixa estima? Como é que crianças mesmo com seus desejos cada vez mais atendidos por seus pais, parecem se tornar crianças piores e/ou menos obedientes do que aquelas que há tempos atrás tinham muito menos? De que maneira podemos entender o maior número de usuários de drogas e o aumento de doenças sexuais em pessoas de classe média, apesar destes grupos terem maior acesso à informação? Como a informática e a tecnologia em geral parece mais distanciar as pessoas de relacionamentos pessoais do que aproximá-las, uma vez que a intenção de criar a tecnologia seria de “facilitar” nossas vidas, logo os relacionamentos? Por que o consumismo é tão ovacionado mesmo em lugares onde a simplicidade e a frugalidade, como nas igrejas, deveriam ser a regra, causando tanta embriaguez financeira e psicológica em seus seguidores? De que forma nós, ainda que vivendo num mundo supostamente mais esclarecido, informado e conectado, não conseguimos trocar ideias, debatê-las, discuti-las e mesmo discordar com mais excelência e profundidade, em vez da atual superficialidade cada vez mais declarada na qual discutimos assuntos e questões, inclusive em lugares acadêmicos?

O fato é que dentro das casas de gente "sã", pessoas estão desfalecendo, estão depressivas e morrendo.  Nos círculos religiosos, membros e seguidores perdem cada vez mais a fé e a esperança em Deus (ou santos), quanto mais no amor. Nas empresas pessoas estão cada vez mais infelizes, ainda que ganhando mais. Nossos jovens se perdem cada vez mais, não apenas para drogas lícitas ou ilícitas, mas para a idolatria artística, para o falso glamour da moda, para a efemeridade do corpo bonito, para o imediatismo do consumo. Adultos perdem cada vez mais a autonomia, a autoridade, até mesmo a capacidade de amadurecimento que eles tanto advogam contra os mais jovens. Famílias não conseguem mais se definir como antes, parecem mais um amontoado de gente dentro de uma mesma casa. Casais cada vez menos sabem porque se tornaram um casal, ou porque continuar casados. Idosos não conseguem mais dar bons conselhos como antes. A mídia – a superficial, pois existe uma pequena parcela ainda boa – é quem parece nortear nossos interesses, nossos gostos, nossos objetivos de vida, como se fosse a verdade. Festas, baladas, shows, parecem cada vez mais agrupamentos de entorpecimento cerebral (inclusive de alguns religiosos), numa sociedade onde ninguém aguenta ficar a sós consigo mesmo, pois não sabem usufruir do ócio, e por isso muitos se escondem no meio dos grupos, das aglomerações, de gritos e uivos, da histeria coletiva.

Estamos nos enganando há tempos. O problema do viciado, da prostituta, do homossexual na verdade são clichês da sociedade moderna, usado para encobrir outros problemas ainda mais profundos. Pois o problema está exatamente em pessoas que se acham "sãs" só porque não são os tais viciados, porque não se prostituem, porque não possuem desejos homossexuais ou, para melhorar um pouco mais, o famigerado clichê: porque não matam nem roubam e são limpinhos. 
Vivemos numa sociedade cada vez mais doente, e a doença invadiu os lares ditos sãos, às igrejas sãs, as crianças e jovens sãos, aos adultos e idosos sãos. Para eu não ser tão pessimista, poucos talvez restam nesta sociedade, se não totalmente sãos, mas ainda sóbrios dentro de uma sociedade placebo. 

Talvez você esteja perguntando porque este seria o maior problema. Eu diria a você que em forma de uma analogia: se um sujeito qualquer com uma determinada doença procura por um médico, que também está com a mesma doença, porém este médico não sabe que está doente e não sabe o diagnóstico ou a cura desta doença comum aos dois. A diferença é que o sujeito doente pelo menos sabe que está doente, já o médico, que julga estar numa posição melhor do que a do doente que está consciente da sua doença; não procurará ajuda porque acha estar melhor do que o doente por ser médico.
Portanto, o médico está em uma situação pior do que a do doente que ele julga cuidar. É o "são" pior do que o próprio doente, só que ele ainda não sabe.

Ou seja, estamos numa sociedade cada vez mais doente, achando que doentes são apenas os outros, os dos referidos clichês sócio-econômico-espirituais. Quando na verdade esta sociedade é quem precisa mais de ajuda, e por isso não tem sido capaz de dar real auxílio a estes grupos que esta mesma sociedade estigmatiza.

Estamos nos enganando! Estamos doentes e não admitimos ou não sabemos, e talvez este seja o pior dos nossos problemas. Pense nisto!

Att.

Fabiano Mina