julho 02, 2013

Cansado de palestras, cursos de capacitação, pregações, empreendedorismo, gestão, etc.




Li uma frase um dia desses numa rede social – não vou lembrar agora de qual pensador – em que dizia que a maioria dos livros que lemos é ruim, mas não admitimos porque nosso ego não permite admitir que gastamos nosso tempo lendo uma coisa ruim, então elogiamos assim mesmo quando nos perguntam. Inclusive a leitura de pensadores clássicos e consagrados. E isto me fez lembrar de algumas situações que já vivi (e vivo), e por isso quero fazer uma reflexão acerca disto.

Primeiro devemos ter em mente que os grandes pensadores, os gênios, os diferenciados, não acertam a todo instante e não criam ou falam coisas boas a todo momento. Eles são gênios exatamente porque fazem coisas singulares, porém dificilmente repetidas, inclusive por eles mesmos. Mas temos a mania de caracterizar uma coisa boa não pelo que é seu conteúdo em si, mas pela personalidade que a cria. E assim achamos – nos enganamos – que tudo o que uma grande personalidade, seja da área que for, cria, fala, pensa ou ensina, é sempre boa. O que não é verdade!

Com base nisto, tenho visto cada vez mais chamadas de todos os tipos para vermos palestrantes, religiosos, educadores, coaching’s, etc., querendo ensinar supostamente suas habilidades, ideias, criações, para outros reles mortais (nós), e muitas vezes “compramos” estes cursos, palestras, eventos, muito mais pelas personalidades do que propriamente pelo conteúdo que elas nos oferecem. Sim! Muitos que estão ali, estão por mérito, porque em determinado momento de suas vidas fizeram por merecer. Mas há uma enorme diferença entre fazer algumas coisas boas, e fazê-las sempre. Muitas destas personalidades não fazem mais coisas boas, não escrevem mais coisas boas, não ensinam nada de novo; apenas usam seus nomes para continuarem perpetuando um suposto bom conteúdo, que de bom não tem nada (mesmo que elas mesmas acreditem nisto). É a história do livro ruim que compramos e não admitimos que é ruim só para não “passarmos carão”, e assim continuamos fazendo propaganda de "best seller's" que de best não tem nada. A prova disto? Vá nas livrarias e veja quais são os best seller's que temos hoje em dia em todos os seguimentos.

O fato é que não são apenas as personalidades desconhecidas que falam, escrevem, fazem coisas ruins (ao contrário, muitos desconhecidos fazem coisas bem melhores), mas os conhecidos também, e isto porque se acomodaram nos seus nomes, na fama, na posição que atingiram.

Isto serve para, se não todas, a maioria das profissões ou seguimentos. Ainda continuamos a eleger pessoas como boas não pelo conteúdo que elas continuam produzindo de bom (ou de ruim), mas pelo nome que fizeram, pela personalidade midiática que atingiram.
Estou cansado de ouvir o mesmo dos mesmos. Estou cansado de ver gente elogiando coisas ruim só pelo nome que fulano ou sicrano tem. Estou cansado de ouvir a mesma baléla, os mesmos discursos fajutos, as mesmas mensagens, os mesmos argumentos, as mesmas criações já antes criadas, as mesmas ideias já batidas. Raul Seixas não era um grande pensador no sentido lato do termo, mas com certeza proferiu um grande pensamento (já dito pelos gregos, pré-socráticos, há milhares de anos atrás) ao dizer que: “prefiro ser essa metamorfose ambulante; do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo.” 

Não estou falando de um relativismo aqui; estou falando de criatividade, de inovação, de conteúdo, de profundidade, de qualidade. E a única forma de permitir que estas coisas continuem existindo, se proliferando, é também admitir que mesmo os melhores falam bobagens, erram, empacam, são superficiais, falam sempre mais do mesmo. Só com algum senso crítico qualificado permitirá que coisa novas e os novos surjam. Pense nisto!

Att.
Fabiano Mina