junho 15, 2013

Quebrar tudo por 0,20 centavos? Será?



Infelizmente não é de práxis pensarmos a respeito dos acontecimentos, principalmente quando estes são colocados para nós na mídia de forma tão superficial. Ainda somos acostumados a "comprar o peixe que nos vendem" sem questionamento ou reflexão.                             

Nos últimos dias temos visto uma série de distúrbios ocorrendo no Centro da cidade de São Paulo, supostamente devido ao aumento da tarifa de ônibus que passou de R$ 3,00rs para R$ 3,20. Isto teria gerado insatisfação à população, principalmente àqueles que dependem do transporte público paulistano.
Claro que o aumento da tarifa de ônibus não tem justificativa tendo em vista a falta de respeito que é este transporte público. Aqueles que dependem do ônibus, metrô, trem, até mesmo de táxi aqui em São Paulo, sabem muito bem que é ridícula as condições do nosso transporte público.
Por outro lado, não devemos nos enganar e achar que pessoas estão reivindicando apenas a redução da tarifa de ônibus. O que é possível perceber nestas manifestações é uma insatisfação com tudo o que tem ocorrido nos últimos anos em São Paulo devido às más gestões públicas recorrentes. O que temos visto são governadores e prefeitos que entram e saem do poder, desfavorecendo a vida na cidade de São Paulo, que por si só já é bastante difícil, como em toda cidade grande.

São Paulo tem se tornando nos últimos anos palco para as mais esdrúxulas e absurdas situações. Temos visto ataques recorrentes de bandidos e assassinos roubando e matando trabalhadores por mesquinharias. O congestionamento infernal dentro e fora dos tais horários de pico. Enchentes, lixos e más sinalizações nas ruas, além dos buracos e excesso de radares. Policiais mal pagos e mal preparados. Escolas públicas que se tornaram depósitos de crianças, além de lugar para vandalismo e para tráfico de drogas. Obras públicas superfaturadas, atrasadas e inacabadas. Aumento da criminalidade e exploração infantil. Saúde e segurança precária.  O retorno da inflação junto com o aumento dos juros abusivos. Enriquecimento ilícito de magistrados bem como de servidores públicos em geral. Descaso com a população de baixa renda. Junto a tudo isto ainda temos uma democracia rasa com péssimos representantes.
E como não bastasse todas estas coisas, ainda temos uma diluição dos valores morais e éticos, ataque contra o modelo de família tradicional, da figura dos pais, das autoridades constituídas, bem como um enfraquecimento constante de seguimentos religiosos, como o cristianismo, que deveria fundamentalmente ser baluarte dos bons costumes, mas que tem se tornado motivo e lugar para maus exemplos a partir de seus líderes como de seus seguidores.

Não devemos ser coniventes com algumas forma de manifestações que usam da agressão, do vandalismo, do apedrejamento, da arruaça. Claro que não! Mas não sejamos inocentes achando que estas reivindicações estão atreladas apenas ao aumento de 0,20 centavos da passagem de ônibus. O que tem ocorrido é uma insatisfação geral entalada na garganta dos paulistanos que não aguentam mais esta situação que temos vivido nos últimos anos aqui em São Paulo, indo de mal a pior. Não aguentamos mais estes sucessivos governadores e prefeitos que têm acabado com nossa cidade.
Claro que a iniciativa de tais protestos vieram por parte de jovens estudantes por meio da internet. Porém, mesmo com as críticas que estes movimentos receberam por vandalismos, por impedimento das ruas e avenidas, o que tenho visto por grande parte da população através de comentários, pesquisas de opinião, etc., é que a população apóia as reivindicações e manifestações. É a população – que é bem verdade, não sabe como se manifestar e reivindicar, por não estar acostumada com isto, e por isso fica um pouco perdida já que não é costume dos brasileiros das últimas décadas ir às ruas – que não aguenta mais viver esta situação que temos vivido. Somos a cidade que mais produz e trabalha no Brasil, somos as mais rica, somos o pólo cultural, industrial, econômico brasileiro, temos todos os requisitos para ser a maior e melhor cidade do mundo; e mesmo assim temos vivido as piores situações que uma cidade vive em países com desenvolvimento muito inferior ao nosso.

Devemos sair quebrando tudo por aí, para só então o Governo dar a devida atenção para nosso povo, para nós paulistanos? Para nós que tanto lutamos por um vida um pouco mais digna? Não! Não deveria ser assim! Mas sinto ter que concordar, que parece que só assim é que este malogrado governo nos dá a devida atenção. Gostaria muito que fôssemos ouvidos pela via democrático da boa política e do bom diálogo. Mas não vivemos no Brasil, nem em São Paulo, esta democracia tão sonhada. Ela é mais formça do que de fato.

Que venha novos tempos, novos ares. Que consigamos reivindicar e nos manifestar cada vez mais, ainda que sem vandalismo, mas cada vez com mais força, objetividade e coragem nas ruas sim! Precisamos aprende a lutar, reclamar, fazer sermos ouvidos. Chega desta síndrome de “cachorro vira-lata” que tanto assombra nós brasileiros, e nós paulistanos. Precisamos ir à luta sim. Não à luta do tipo esquerdista ou revolucionário, isto não funciona e é ideologia barata. Devemos, sim, lutar pelos nossos direitos constituídos, exigir uma real liberdade que nos permita ganhar do suor do nosso trabalho nosso sustento com decência, sem sermos assaltados não só pelos bandidos usuais, mas principalmente pelos de "colarinho branco". Par Para que possamos ir e vir das nossas casas de forma decente com o sentimento de dever cumprido depois de um longo dia de trabalho, e não como muitos têm vindo, como "gados" amontoados no transporte público. Queremos comer, estudar, nos vestir, ter lazer, tudo dentro de padrões mínimo e dignos de pessoas honestas que trabalham para isto. Sofrer cada vez menos a interferência em nossas vidas, não só dos marginais (estes sim devem ser duramente punidos), mas também do próprio Estado que tanto atrapalha nossas vidas com tanta burocracia usando do argumento que faz tudo isto para nos ajudar. Que mentira!

Basta! É a população que não aguenta mais, e não apenas um bando de jovens arruaceiros (como alguns da mídia, vendida, tentam nos fazer crer). É a população que não quer mais viver assim nesta cidade que eu tanto amo; lugar este em que nasci, cresci, vivo e provavelmente morrerei. 
Nós, que aqui nascemos e lutamos para viver, é que não queremos mais estes abusos. Concordo que talvez ainda não estejamos fazendo da melhor forma, que estas reivindicações ainda são amadoras, desconexas, muitas vezes sem direção ou objetivos claros. Concordo! Mas discordo muito mais daqueles que acham que a população deve se calar, que ir às ruas é perda de tempo, e que o pior dos mundos é quando se fecham ruas e avenidas. Quando na verdade fechamos ruas e avenidas por coisas muito piores, pífias, ridículas que aqui nem cabe descrever. Fechamos ruas e avenidas por tanta banalidade que prefiro muito mais as ruas e avenidas fechadas por motivos de insatisfação que a população paulistana vivido. É muito mais legítimo e profícuo. E se engana aqueles que acham que isto atrapalha a cidade, pois nossa cidade já está atrapalhada há tempos. Sofremos há anos coisas muito piores do que por estes motivos agora. O problema é que estamos tão acostumados em viver mal, vivendo tanto em função dos desmandas destes políticos, dos bandidos, dos mal feitores, que a única coisa que fazemos é viver como robôs, acordando cedo para trabalhar, chegando tarde para tomar banho, comer e dormir. (Sobre)Vivendo só para pagar as contas; vivendo uma vida de “cão” todos os dias. Estamos tão adestrados vivendo uma vida medíocre, superficial, sem conteúdo ou significado profundo, que não conseguimos perceber o valor e a força que pode e deve existir por trás destas reivindicações, que é deste mesmo povo sofrido e insatisfeito.
Só para aqueles que não leem a História, não reconhecem a força que existe em tais movimentos. Como eu disse anteriormente, não falo a favor destes atos isolados violentos dentro destes movimentos, mas a favor da reivindicação forte e com objetivos claros de mudanças por uma cidade melhor.

Basta! Precisamos lutar sim. Prefiro ruas e avenidas paradas hoje, mas que me façam amanhã caminhar mais livre, com mais segurança, com mais saúde, com mais educação, etc.; do que continuar vendo pessoas indo para casa todos os dias, andando em “latas de sardinha” (ônibus, trem e metrô), pagando impostos abusivos, vivendo com medo em suas casas e nas ruas. Prefiro, sim, semanas, meses se for o caso, de manifestações, do que anos de vida doida, sofrida por nada.

Aos que democraticamente discordam de mim, o meu respeito. Aos que concordam comigo, meu desejo que nos tornemos um estado (e país) que aprenda de uma vez por todos lutar por aquilo que realmente valha à pena. Ainda que seja por 0,20 centavos.

Att.

Fabiano Mina