abril 02, 2013

Os maus ainda têm esperança, os dissimulados, tenho dúvidas!



 














Faz parte da própria História falarmos dos maus, daqueles homens e mulheres que de alguma forma fazem com que o mundo seja um lugar pior para ser viver. De fato essas pessoas trazem problemas diversos, desde uma simples mentira, até atrocidades aterradoras.
Por outro lado os maus são pessoas que já estão na mira daqueles que se consideram os bons, pelo menos os bons que acreditam na mudança desses homens e mulheres más. Os bons investem tempo e esforços nessas pessoas, e isto porque de alguma forma entendem que os maus ou um dia foram bons ou poderão ainda ser. Por este motivo vemos tantas religiões investirem seu tempo, discursos, ações, etc., para a reabilitação dessas pessoas más, e não poderia ser diferente com o cristianismo.

Porém, mesmo no cristianismo temos um caso de uma pessoa má sim, mas mais do que má também dissimulada, e este foi Judas. Enquanto Jesus e os discípulos se esforçavam por ajudar pessoas necessitadas, Judas fazia parte daquele grupo dos discípulos apenas para manter seus próprios interesses pessoais, é claro! Óbvio que Jesus – sendo onisciente – sabia dos intentos de Judas, mas com exceção dele os discípulos não encaravam Judas como um cara mau, até podiam encará-lo como um cara do contra, egoísta, negativo, mas não a ponto de ser visto com o mau da turma, aquele que viria ser conhecido como o traidor de Cristo (quer maldade pior do que trair a confiança, a esperança, a vida de alguém? Assim é o dissimulado).

Desta forma, entendo que pessoas que se mostram más logo de cara não são o maior dos problemas, mas aquelas que fingem interesses legítimo por coisas boas, por ações benéficas, mas que no fundo o interesse destas é egoísta, são pessoas que querem apenas ser vistas, querem glamour, querem aplausos, querem fama, querem dinheiro, querem poder. Pessoas que se aproveitam das boas intenções e esforço de outros, para se perfazerem. E isto é recorrente mesmo nas religiões, mesmo no cristianismo. A Bíblia fala muito dos dissimulados, pessoas que "fazem" muito, mas pensando mais nelas do que no todo, no conjunto, no grupo, no outro. O que mais se vê em nossos dias são pessoas "usando" o cristianismo para se auto promoverem em todos os sentidos. As igrejas cada vez mais têm virado palco para demonstrações dos egos. Pessoas que sonhavam ter isto ou aquilo, ter sido isto ou aquilo, usam a igreja para ter reconhecimento.
Houve época em que a igreja era lugar para a simplicidade, para a sinceridade, para a recepção mesmo das pessoas más, porém que lutava contra os dissimulados?! 

Pessoas más tem esperança, para mim, porque elas não fazem questão de esconder quem elas de fato são (más). Ainda que sejam pessoas com péssimos defeitos; ainda assim elas se mostram logo de cara para que vieram,  não titubeiam, com todos os seus defeitos ou maldades elas se mostram integralmente quem são para os outros, gostem delas ou não. Mas os dissimulados não. Como diz o velho adágio: usam sapatinhos de algodão, mas são lobos em pelo de cordeiro. São os dissimulados que são os mais difíceis de mudança, pois os dissimulados estão sempre sorrindo, estão sempre querendo agradar, estão sempre participando das “boas ações”, mas no fundo são pessoas más em dobro, pois além de terem más intenções, escondem quem na verdade são, traindo inclusive a confiança dos demais que convivem com elas.

São os dissimulados que têm mais dificuldades de mudança para melhor, pois enquanto os maus estão sempre sendo confrontados pelos bons, redarguidos pelos bons, inclusive até mesmo admitindo que são maus; por outro lado os dissimulados não só fingem o que são na verdade, mas acreditam piamente que a melhor forma de agir com os outros é dissimuladamente. O que esses não percebem é que a dissimulação é o que mais estraga o mundo e eles próprios, pois a dissimulação não permite que a verdade apareça, seja ela boa ou má. Não permite que o confronto sincero ocorra, que as pessoas sejam aceitas ou não pelo que elas são de fato e não pelo que desejam que elas fossem.

Os maus ainda podem mudar, já os dissimulados? Tenho lá minhas dúvidas!

Att.

Fabiano Mina