março 16, 2013

Relacionamentos fáceis, amor mentiroso



Mentira! Relacionamentos nunca foram fáceis. Desde que o mundo possui uma História a ser contada, está mais do que evidente que os relacionamentos sempre foram situações complicadas pelos motivos que já sabemos: interesses e cultura diferentes, psiquismo próprio e individualidade, personalidade diferente, hábitos diversos, etc.; todas estas coisas sempre contribuíram para que os relacionamentos passassem por dificuldades. Aliás, o exercício diário de todo e qualquer relacionamento é mais saber lidar com as diferenças e dificuldades do que com as facilidades. E normalmente elas são superadas ao longo do tempo, dos anos. E superadas não no sentido de resolvidas (sumiram), mas no sentido de aceitas (sabe lidar com elas), já que dificilmente as pessoas mudam o que (como dizem os especialistas em psicologia) já foi formado - a personalidade - desde a tenra idade (dizem que normalmente aos 7-10 anos de idade já temos personalidade formada). Muito o hábito e a cultura que são adquiridos ao longo da vida familiar de cada um antes do relacionamento conjugal ou do namoro.

Significa dizer que quando entramos em um relacionamento, estamos assumindo que enfrentaremos divergências diversas como as que citei acima. Mas atualmente, cada vez mais, o que temos é a falsa ideia de que novas terapias, psicologismos, palestra de auto-ajuda, espiritualidade modernizada, rezas e orações, e coisas do tipo; irão alterar aquilo que é fato desde que mundo é mundo. Ledo engano!
Este ledo engano tem acometido muitas pessoas tornando-as cada vez mais superficiais nos relacionamentos. E não sou em quem diz isto, são as estatísticas: as pessoas se separam cada vez mais cedo (média de 2-3 anos no máximo), seja namorados ou casais. Isto porque, como eu disse acima, as dificuldades nos relacionamentos exigem tempo e esforço para que se estabilizem, ou seja, aquilo que eu disse acima como "resolver". Aqueles anos de formação da personalidade, dos hábitos e da cultura de cada um, não desaparecem só porque pedimos a mão (antiquado, não...rs?!) de uma pessoa em namoro ou casamento. Ao contrário, elas são evidenciadas exatamente nestes momentos.

É no relacionamento em que passamos a perceber que aquela pessoa que juramos tanto amar, é cheia de limitações, falhas, erros, mesmo que também tenha suas qualidades.
Mas nos atuais dias, ensinam as pessoas a serem cada vez mais interesseiras, ou seja, querem viver relacionamentos que atendam seus próprios interesses, e normalmente esses interesses não serão satisfeitos, pelo menos não completamente, pelo parceiro(a). Aí reside o conflito pós-moderno, quando se ensina que os relacionamentos "devem" (?) ser fáceis, retributivos, compensadores, tranquilos, e que tanto homem como mulher deverão ser igualmente (?) contemplados neles.

Tudo mentira! Por mais que num relacionamento o dois se esforcem para que haja reciprocidade (e deve ser assim), no relacionamento as ações, o retorno, as consequências, a visão, os interesses, o ritmo, nunca serão exatamente iguais; sempre alguém se sacrificará mais, abrirá mais mão de alguma coisa, consentirá mais, compreenderá ou fortalecerá mais ou menos do que a outra. E isto, também, por uma motivo muito óbvio (ainda que escondam estas obviedades): as pessoas são diferentes. Somos diferentes, por mais que nos esforcemos para tentar mantermos os "direitos iguais" (ôh palavrinha que me soa falsa...), nunca são iguais nossos direitos, muito menos os deveres.

Porém, como eu disse, atualmente inventam essas ideias, teorias, falsidades, alegando que o relacionamento será algo fácil, tranquilo, progressivo, basta as pessoas "quererem" (alguns falam até: bastam as pessoas mentalizarem. Santo Deus!). E o que vemos? Cada dia mais palestras, livros, pregações, ensinos sobre relacionamentos, e as pessoas se separando cada vez mais. Contraditório não?
Então quando as pessoas se dão o direito de terem relacionamentos, se frustram imediatamente, e acabam jogando a culpa um no outro, como se o outro tivesse que ser algum tipo de pessoa eficaz, perfeita, imaculada, quase que um personagem de filme romântico hollywoodiano. O que, obviamente, é uma mentira, é impossível. Então se separam, desistem, param no meio do caminho, e pior, aquilo que era "amor" transforma-se em vingança, ódio, raiva, pela ideia de que aquele outro é uma fraude ou o motivo do fracasso do relacionamento; quando na verdade tudo não passou apenas da "realidade" como ela é.

Então as estatísticas de separações continuam aumentando (aqui não estou considerando fatores sociais que também estão envolvidos nestas separações como ascensão feminina, mudança moral, jurídica, etc.).
Alguns então perguntam: o que aconteceu com o amor, ele acabou? Eu diria: - não, ele continua lá, onde sempre esteve, o problema é que não queremos mais dar tempo para ele, queremos os relacionamentos superficiais, falsos, novelísticos, e não nos damos conta que nestes não há espaço para o amor.

O amor nunca foi mentiroso conosco, ele nunca disse que amar é fácil, que amar é ter igualdade em tudo, que amar é isenção de dificuldades e problemas, que amar é estar tudo no seu devido lugar, tudo perfeito. Ao contrário, o amor existe exatamente porque nada é perfeito, logo é aí que entra o amor - para dar perfeição onde não há perfeição, pois, como já diria um sábio cristão: "o amor tudo suporta".

Att.

Fabiano Mina