março 24, 2013

O “fio” mais espesso, o mais doido, o mais frágil.





Meu Deus! A vida se foi, o "fio" se quebrou! 


Santo Deus, homem algum deveria passar pela experiência de sentir o último “fio” de vida de um ser vivo passar por suas mãos, ou deveria?!
Este “fio” de carga emocional tão espessa, quando se quebra diante de nós parece querer nos arrastar com ele, pois o "fio" da vida de um ser vivo que passa pela última vez em nossas mãos é um "fio" difícil de se ver, é doido. 
Sim! Já tive, (in)felizmente a oportunidade de ajudar outros "fios" de vida, alguns foram bem sucedidos e se mantiveram, outros se romperam, mas não pela última vez em minhas mãos, não o último suspiro em minhas mãos. Ainda mais de um ser que de tão frágil e simples, era tão lindo! Uma cadelinha sem glamour, sem pompa, sem pedigree, e por isso a nossa "princesa", a minha princesa. 

A experiência de ter visto pela última vez este “fio” em minhas mãos me traz angústia e impotência, pois o que poderia eu fazer para manter este “fio” intacto estando ele em minhas mãos, mesmo sendo eu o dono dela, mais forte que ela, mais inteligente que ela, mais alguma coisa... porém este “fio”, não estando sob meu controle, sob meu poder, sob minhas forças, o que poderia eu fazer!? "Miserável homem que sou"!

É um “fio” que mostra minhas fraquezas mais profundas, que expõe o que tenho de mais frágil; o meu próprio “fio” e os de todos em minha volta: o “fio da vida”.

Ele não deveria ser tão frágil se quando passa pela última vez em nossas mãos. Desejaria que ele fosse forte neste momento, resistente, que se mantivesse, que ainda houvesse sobrevida, mas ele ainda que seja espesso na emoção, ele continua sendo frágil na hora de romper-se, pois em nossas mãos ele é apenas isto, frágil: a vida. 
Por outro lado, uma vez que este “fio” se quebra, e a vida deste ser lindo se vai, continua espesso dentro de nós, pois ele parece querer nos puxar junto com ele, para nos mostrar o quão insignificantes somos diante das vicissitudes da vida – ainda que não sejamos insignificantes para Deus (Graças te dou Deus!).

Que peso, que dor, que abismo se abre quando se experimenta em outro ser o último suspiro de vida, o sopro de vida que Deus dá a cada ser vivo. Meu Deus! Não deveria homem algum passar por esta experiência, mas passei!
E quantos outros não passam por estas experiências, com seus amigos, familiares, animais de estimação, estranhos, etc.! A experiência da morte que revela um pouco mais para nós o que é nossa vida frágil.

Minha “menininha”, minha cachorrinha (Jolie) se foi, para um lugar onde este “fio” não mais precisará ser quebrado. Mas ficarei ainda com seu último suspiro na minha mente, no meu coração, aquele último momento quando o “fio” se quebrou e ela pediu minha ajuda ainda em meus braços. 
Não tenho dúvidas, a dor passará, a experiência, ainda viva em mim, tão viva, perderá sua intensidade, mas a experiência fará parte agora um pouco mais de quem sou. Afinal de contas, o “fio” passou pelas minhas mãos, ainda que por alguns segundos, mas esteve lá, em minhas mãos!

Meu Deus! Este “fio” tão precioso e tão frágil. Cuide deste “fio” em nós e por nós.

Adeus Jolie!

Fabiano Mina 

março 16, 2013

Relacionamentos fáceis, amor mentiroso



Mentira! Relacionamentos nunca foram fáceis. Desde que o mundo possui uma História a ser contada, está mais do que evidente que os relacionamentos sempre foram situações complicadas pelos motivos que já sabemos: interesses e cultura diferentes, psiquismo próprio e individualidade, personalidade diferente, hábitos diversos, etc.; todas estas coisas sempre contribuíram para que os relacionamentos passassem por dificuldades. Aliás, o exercício diário de todo e qualquer relacionamento é mais saber lidar com as diferenças e dificuldades do que com as facilidades. E normalmente elas são superadas ao longo do tempo, dos anos. E superadas não no sentido de resolvidas (sumiram), mas no sentido de aceitas (sabe lidar com elas), já que dificilmente as pessoas mudam o que (como dizem os especialistas em psicologia) já foi formado - a personalidade - desde a tenra idade (dizem que normalmente aos 7-10 anos de idade já temos personalidade formada). Muito o hábito e a cultura que são adquiridos ao longo da vida familiar de cada um antes do relacionamento conjugal ou do namoro.

Significa dizer que quando entramos em um relacionamento, estamos assumindo que enfrentaremos divergências diversas como as que citei acima. Mas atualmente, cada vez mais, o que temos é a falsa ideia de que novas terapias, psicologismos, palestra de auto-ajuda, espiritualidade modernizada, rezas e orações, e coisas do tipo; irão alterar aquilo que é fato desde que mundo é mundo. Ledo engano!
Este ledo engano tem acometido muitas pessoas tornando-as cada vez mais superficiais nos relacionamentos. E não sou em quem diz isto, são as estatísticas: as pessoas se separam cada vez mais cedo (média de 2-3 anos no máximo), seja namorados ou casais. Isto porque, como eu disse acima, as dificuldades nos relacionamentos exigem tempo e esforço para que se estabilizem, ou seja, aquilo que eu disse acima como "resolver". Aqueles anos de formação da personalidade, dos hábitos e da cultura de cada um, não desaparecem só porque pedimos a mão (antiquado, não...rs?!) de uma pessoa em namoro ou casamento. Ao contrário, elas são evidenciadas exatamente nestes momentos.

É no relacionamento em que passamos a perceber que aquela pessoa que juramos tanto amar, é cheia de limitações, falhas, erros, mesmo que também tenha suas qualidades.
Mas nos atuais dias, ensinam as pessoas a serem cada vez mais interesseiras, ou seja, querem viver relacionamentos que atendam seus próprios interesses, e normalmente esses interesses não serão satisfeitos, pelo menos não completamente, pelo parceiro(a). Aí reside o conflito pós-moderno, quando se ensina que os relacionamentos "devem" (?) ser fáceis, retributivos, compensadores, tranquilos, e que tanto homem como mulher deverão ser igualmente (?) contemplados neles.

Tudo mentira! Por mais que num relacionamento o dois se esforcem para que haja reciprocidade (e deve ser assim), no relacionamento as ações, o retorno, as consequências, a visão, os interesses, o ritmo, nunca serão exatamente iguais; sempre alguém se sacrificará mais, abrirá mais mão de alguma coisa, consentirá mais, compreenderá ou fortalecerá mais ou menos do que a outra. E isto, também, por uma motivo muito óbvio (ainda que escondam estas obviedades): as pessoas são diferentes. Somos diferentes, por mais que nos esforcemos para tentar mantermos os "direitos iguais" (ôh palavrinha que me soa falsa...), nunca são iguais nossos direitos, muito menos os deveres.

Porém, como eu disse, atualmente inventam essas ideias, teorias, falsidades, alegando que o relacionamento será algo fácil, tranquilo, progressivo, basta as pessoas "quererem" (alguns falam até: bastam as pessoas mentalizarem. Santo Deus!). E o que vemos? Cada dia mais palestras, livros, pregações, ensinos sobre relacionamentos, e as pessoas se separando cada vez mais. Contraditório não?
Então quando as pessoas se dão o direito de terem relacionamentos, se frustram imediatamente, e acabam jogando a culpa um no outro, como se o outro tivesse que ser algum tipo de pessoa eficaz, perfeita, imaculada, quase que um personagem de filme romântico hollywoodiano. O que, obviamente, é uma mentira, é impossível. Então se separam, desistem, param no meio do caminho, e pior, aquilo que era "amor" transforma-se em vingança, ódio, raiva, pela ideia de que aquele outro é uma fraude ou o motivo do fracasso do relacionamento; quando na verdade tudo não passou apenas da "realidade" como ela é.

Então as estatísticas de separações continuam aumentando (aqui não estou considerando fatores sociais que também estão envolvidos nestas separações como ascensão feminina, mudança moral, jurídica, etc.).
Alguns então perguntam: o que aconteceu com o amor, ele acabou? Eu diria: - não, ele continua lá, onde sempre esteve, o problema é que não queremos mais dar tempo para ele, queremos os relacionamentos superficiais, falsos, novelísticos, e não nos damos conta que nestes não há espaço para o amor.

O amor nunca foi mentiroso conosco, ele nunca disse que amar é fácil, que amar é ter igualdade em tudo, que amar é isenção de dificuldades e problemas, que amar é estar tudo no seu devido lugar, tudo perfeito. Ao contrário, o amor existe exatamente porque nada é perfeito, logo é aí que entra o amor - para dar perfeição onde não há perfeição, pois, como já diria um sábio cristão: "o amor tudo suporta".

Att.

Fabiano Mina

março 15, 2013

O lado é para poucos


                               

Deveríamos sempre deixar nosso lado vago para os poucos
Na frente sempre há quem nos indique o caminho
Atrás, quem nos empurre
Mas ao lado, há aqueles com quem queremos caminhar até o final

O lado é lugar para poucos, pois poucos querem andar mesmas distâncias juntos
Pois a distância às vezes pode ser longa e árdua
E só caminha ao lado por longas distâncias os poucos
Afinal de contas, para andar do lado é preciso sincronizar o passo, a mente, o coração

Por outro lado, andar do lado requer desafios
Isto porque inevitavelmente os que andam do lado se esbarram um no outro
O caminho nem sempre é uniforme, o que provoca desequilíbrio
E é por isso que quem anda do lado deve ser também suporte

O lado é lugar para poucos
Poucos olham para o lado, já que na vida se olha mais para frente e atrás
Sim! Devemos olhar para frente e atrás, mas sem alguém do lado do que serve? Pouco!
Ainda acredito nos que andam do meu lado, ainda que estes estejam olhando para outra direção.

Fabiano Mina

março 12, 2013

Querem o mundo pós-moderno, mas não crescem e só fazem o que convém.




Algumas características da pós-modernidade pode ser a de um mundo onde não há tempo para o ócio criativo, já que pessoas que param e pensam são consideraos à toa; não há mais tempo para a reflexões profundas; não há mais fundamentos sólidos ou uma moral estabelecida; há a escassez de compromissos duradouros e da observação da boa tradição; a normativa atual é ditada pela indústria, pela moda e pela publicidade, e os que estão fora dessas normativas são marginalizados.

Hoje o que temos são pessoas que estão buscando novos modelos familiares, onde não há mais hierarquia ou respeito à tradição paterna e materna, antes o que há são movimentos que prezam pelos “direitos” iguais onde não só a mulher conquistou seu espaço para auxiliar, mas também para exigir, cobrar e conduzir a família no mesmo pé de igualdade da do homem, e por isso teve que sair de casa e ascender ao mercado de trabalho, pois uma vez exigindo mesmos direitos, teve que arcar com mesmos deveres. Entre eles, pagar as contas, ficar horas fora de casa distante dos filhos, esforço físico dobrado, etc.Como se não bastasse os filhos também passaram a ter cada vez mais a mesma exigência por direitos iguais. 

E o que decorre disto? Que a família passou a ficar descaracterizada, pois não há mais um centro aglutinador na família, não há mais uma referência, não há mais um que assuma as rédeas e conduza a família, uma vez que todos possuem “mesma autoridade”, e onde há mesma autoridade (há?) significa que não há nenhuma, pois por uma questão lógica elas auto se anulam.
Agora nas famílias todos podem fazer, decidir, exigir, escolher conforme lhes apraz, logo a família passou apenas ser um local onde pessoas do mesmo parentesco vivem pelos seus interesses individuais se proclamando família, mas sem os fundamentos familiares antigos. E esta mesma família paradoxalmente se contradiz quando a mulher exige do homem autoridade de pai ou esposo, o homem exige da mulher postura de mãe e dona do lar, o filho exige a figura paterna e materna cuidadora, e os pais exige submissão e dependência do filho; quando na verdade foram eles mesmos quem minaram essas relações com o discurso e comportamento pós-moderno.  

O pós-moderno não sabe o que quer. Ele que ter autonomia, mas ao mesmo tempo é viúvo da vida tradicional. Quando lhe interessa, advoga os direitos iguais, a liberdade de expressão, quer ter poder de compra e espaço, ao mesmo tempo não quer sacrificar seu tempo com os outros, não abre mão de sua autonomia, não quer assumir as responsabilidades que demandam de alguém que quer ser pós-moderno, portanto dono do seu nariz.

O pós-moderno que ter autoridade, quer mandar, quer ter voz; mas no primeiro problema que surge quer que outros resolvam seus problemas. Adora criar teorias lindas e maravilhosas sobre o amor, a felicidade, a paz, a espiritualidade. Ao mesmo tempo não se aprofunda em nenhuma dessas coisas, e isto porque o pós-moderno é um egoísta de carteirinha fingindo “amar a natureza e os animais” só porque está na moda. Ele é capaz de chorar pela morte do ídolo na TV, gastar horas no shopping, mas reclama quando um mendigo encosta no seu carro ou quando um criança doente chora na fila do hospital. Odeia fila, mas enfrenta uma para shows pop ou no lançamento do novo Iphone.
  
Na verdade é uma bagunça! E quando aqueles que são mais conservadores, ou seja, aqueles que não acreditam nas balelas inventadas pelos pós-modernos, aí são chamados de truculentos por não concordarem com os modismos inventados como: os dez passos para a felicidade no casamento; mil maneiras de educar seu filho; ganhe dinheiro lendo o guru empresarial; cresça espiritualmente recitando frases bíblicas; as 3 maneiras de mudar seus esposo(a); e todas essas conversas fiadas que no final das contas só servem como paliativo na vida das pessoas, que servem só para dar dinheiro para uma meia-dúzia de teóricos pós-modernos (ainda quem bem intencionados), mas que no final das contas duradoramente não resolve a vida de ninguém . E aquele que discordar de mim, saia um pouquinho da frente da TV e veja como tem andado as pessoas no mundo aí fora, e veja se a teorias pós-modernas têm adiantado alguma coisa.

O pós-moderno adora mandar, adora cobrar, adora reclamar, mas não tem “peito” para assumir sua própria vida. É um frustrado que vive culpando os outros por sua infelicidade, é um infantilizado que cansa só de ouvir seu choro. É uma criança que quando você fala “não” começa a espernear.
Não tenho mais paciência para pós-moderno que lê a Bíblia só nos trecho que lhe interessa para dar lição de moral nos outros, quando não consegue nem entender coisas básicas do ensinamento bíblico, então fica repetindo frase de pregador famoso de rádio e televisão. Então vai para culto dominical para aliviar sua consciência pós-moderna cheia dos pecados da semana, como se a igreja fosse algum tipo de lugar de “descarrego” psicológico ou uma espécie de confessionário de final de semana.

São pessoas que não se importam nem um pouco com o outro, não se relacionam de verdade com ninguém, não criam vínculos duradouros, e isto porque não têm a coragem de mostrar quem elas são de fato. Afinal de contas, o pós-moderno é aquele tipo de pessoa que tem que estar sorrindo sempre, e só pode falar de coisas legais e da moda para agradar a todos, já que o pós-moderno prega a felicidade a todos instante, portanto tem que provar sua tese sorrindo, ainda que falsamente; pois contrariar, discordar ou encarar a dureza da vida não é coisa de pós-moderno, é coisa de gente ignorante e conservador, segundo eles. O pós-moderno usa tantas máscaras que chega um momento que nem ele mesmo sabe mais quem é.

Não, ainda não me convenceram de que os modelos apresentados atualmente são os melhores a serem seguidos. Sou adepto do diálogo, do contraditório, da quebra de dogmas e paradigmas, desde que estes sejam melhores ou menos desastrosos do que os fundamentos anteriores. Não, não tenho mais paciência para gente infantil que vive reclamando de “porca miséria” quando a vida tem tanta coisa importante para se preocupar.  Sou, ainda, totalmente avesso a este tipo de pós-modernismo instalado nas famílias, nas ruas, nas igrejas, na sociedade, que tem dado tanto espaço para gente infantil e ignorante se achando mais sabedores do que os antigos fundamentos. Aff!

Att.

Fabiano Mina




março 09, 2013

Adoro o pecado, por isso luto contra a Graça.









Parafraseando a fala de um pensador que eu ouvi alguns dias atrás: se nós levássemos a sério realmente quem somos, em nosso mais íntimo, perceberíamos que o pecado é um fato e a Graça uma necessidade.

Que a nossa a vida é uma vida mais cheia de falhas, erros, limitações, isto é um fato incontestável, apesar de ter sempre alguém por aí achando que mais acerta do que erra na vida ou que é menos pecador. Isto ocorre porque somos seres imperfeitos vivendo em um mundo cheio de contingências, e o encontro dessas duas coisas não poderia ser outro do que uma vida cheia de falhas, erros, imperfeições. Logo, o que mais comemoramos em nossas vidas, principalmente ao chegar no final dela, é quando estes acertos de alguma forma nos eleva, quando eles nos permitem dizer que enfrentamos a vida com todas nossas armas e a “vencemos” no sentido de não ter desistido, e não no sentido de ter mais acertado do que errado. E um acerto específico, em relação à escolha que queremos enquanto significado de vida,  podemos atribuir à Graça.
Esta Graça é a necessidade que temos para conseguir enfrentar esta vida cheia dessas contingências, além das escolhas erradas que continuamente fazemos. 

Por outro lado há ainda aqueles que adoram mais o pecado. E pecado aqui não estou colocando apenas como aquelas falhas morais e éticas que normalmente os religiosos gostam de listar como se o cumprimento desta lista o fizessem “menos” pecadores. Estou dizendo o pecado no sentido mais ontológico que ele pode ter. Significa que nós somos "o" pecado (fabricamos erros), ou seja, nós constantemente falhamos (erramos = pecamos) mesmo quando não queremos ou por ignorância (cometemos erros por ignorância em algum sentido). Temos limitações, somos um poço de erros. Claro que isto faz parte do fato de sermos este ser incerto, imperfeito, limitado, e é exatamente por isso que necessitamos da Graça, pois é ela que nos “absolve” de quem nós mesmo somos; para só então nos tornarmos ou dar-nos a oportunidade de ascender a Deus. Porém, esta Graça constantemente é combatida pelos céticos-religiosos e/ou legalistas. Isto porque eles sempre olham mais para o pecado do que para a própria Graça. Eles adoram o pecado.

Quando digo isto, estou dizendo que os religiosos sempre falam e apontam para o óbvio: todos pecam, todos nós somos pecadores mesmo sendo crentes em Deus (Cristo). O problema é que isto está mais no  nosso discurso religioso do que propriamente na prática. Vivemos alegando que somos pecadores, mas na prática sempre fazemos questão de nos diferenciar um dos outros, mesmo dentro da própria religião, baseado em comportamentos legalistas. E é por isso que adoramos o pecado.

Estes tipos de religiosos adoram falar de pecado, apontar pecado, criticar o pecado, listar pecados, atribuir pecados, até mesmo fabricar novos pecados. Eles adoram o pecado, se regozijam pelo pecado, pois uma vez que houvesse a possibilidade de não mais existir o pecado (sua força que arrasta para a morte eterna), o "motivo desses religiosos para existirem" acabaria. Este tipo de religioso vai a um encontro religioso para ouvir o que o orador tem a dizer sobre o pecado e vibra quando a lista de pecados é dita, ou quando o "profeta"  acusa alguém de pecado, ou quando uma pessoa é desmascarada pelo seu pecado. Ele estuda sempre com foco no pecado, ele quer saber especificamente como aquele pecado existe ou se manifesta para então identificá-lo nos outros. Ele adora ver um acusação enfática e uma ação imediata contra o pecado alheio, uma vez que ele se sente o "paladino" da boa conduta religiosa.

Caso não tenham percebido, foi exatamente contra este tipo de religioso, “adorador” do pecado, que Jesus se levantou. Foram aqueles que quiseram atirar a pedra na prostituta, foram estes mesmos adoradores do pecado, pois apenas o pecado poderia proporcionar para eles aquela cena de linchamento público (nada mais regozijante do que existir o pecado para poder punir alguém, não?). O mesmo ocorreu como os críticos que reclamaram quando Cristo tive bate papo com a mulher samaritana, com os beberrões, glutões, com os cobradores de impostos, com os necessitados. Os adoradores do pecado foram quem reclamaram do trabalho aos sábados feito por Jesus e seus discípulos, e os mesmos que não aceitavam o perdão sem os sacrifícios mosaico (Lei de Moisés), uma vez que se o perdão proposto por Jesus fosse um fato, o pecado, que era a grande arma de acusação dos religiosos legalistas, perderia sua força. Até mesmo o irmão mais velho do Filho Pródigo não soube viver sua própria vida sem se valer do pecado do irmão, ele se alimentava do pecado alheio. 

Este era e continua sendo o grande problema da religião, mesmo a cristã. A grande maioria é adorador do pecado. Repito, não falo aqui do pecado moral e ético, pois estes adoradores do pecado até se esforçam para passar uma “boa imagem” no círculo religioso que frequentam, e até conseguem de certa forma. Por isso evitam ao máximo a pratica de pecados morais para os olhos da sociedade – eram assim que os fariseus se comportavam. Logo não é da proba conduta moral deles que falo, mas do fato da grande maioria deles sobreviver baseado no pecado dos outros. 
Os religiosos vivem apontando pecados, e em cima destes pecados fazem suas “carreiras” religiosas. Até mesmo seus seguidores se agarram mais aos pecados alheios, para se auto valorizarem em cima dos chamados “pecadores mundanos”, do que na Graça que os alcançou, ou seja, é como se criassem uma classe diferente de pecadores, já que os pecadores religiosos, por serem religiosos, seriam "menos" pecadores, seriam pecadores classe A, enquanto o resto do mundo seria "mais" pecadores, os de classe B.

Este tipo de visão contraria o fato de que não é o tipo de pecado (com exceção do pecado que “não tem perdão”, mas isto é para outro dia) que nos diferencia um dos outros, mas a Graça. A Graça não esconde pecado, não camufla pecado, não diferencia pecado; ao contrário, a Graça nos coloca em pé de igualdade diante um dos outros, e mostra que todos nós necessitamos dela, independente de quem somos ou o que fazemos.

Não é um santo, um líder religioso, um mestre, um ancião, um profeta, ninguém se salva do pecado, ninguém é “menos” pecador, ninguém é isento de condenação, e é isto o que incomoda os religiosos, pois os religiosos adoradores do pecado se agarram em performances moralmente aceitas pela sociedade. E porque vivem sob certas regras moralmente aceitas, se julga os pecadores da classe A, mesmo dentro da própria comunidade religiosa da qual pertencem. E decorrente disto, passam a escolher aqueles que estão próximo deles, os que assumirão os cargos religiosos, os que poderão falar em ou ao público, aqueles que terão o direito de condenar o pecado alheio, ensinar, administrar, até mesmo ganhar dinheiro para isto.
Passamos a ter então não um caminho da Graça ("...eu sou o caminho..." disse Jesus), mas uma máquina, uma indústria que se movimenta a partir do pecado alheio. E baseado nisto é que as pregações são feitas, os eventos, as músicas, as estratégias evangelísticas, as missões; inclusive é esta a leitura de santidade que passamos a atribuir a determinadas pessoas. ou seja, a religião cristã começa a ficar viciada em pecados, então começa a perder seu principal sentido de ser (eu disse principal e não único) que são as Boas Novas.      

Precisamos admitir que não só adoramos o pecado do ponto de vista da prática do mesmo (ética e moral), mas também o adoramos nos outros, porque ele se torna “arma” religiosa para nos impor sob os outros, para classificar, para manipular, para se perfazer. Se não admitirmos isto, continuaremos nossas vidas lutando contra a Graça de Deus.

A Graça não é anuladora do pecado, não é conivente com o pecado, mas ao mesmo tempo não é classificadora de pecados. Aliás, a própria Graça só tem sentido de existir exatamente porque "todos pecaram, não há sequer um que busque a Deus". A Graça simplesmente é uma necessidade em um mundo caótico, cheia de pessoas caóticas que precisam de uma direção rumo ao Céu. E é por isso e para isso que Cristo veio, não apenas para lutarmos contra nossos próprios pecados morais (esta luta é infinita), mas para sermos absolvidos de quem nós mesmos somos: adoradores do nosso pecado e do pecado alheio. A Graça nos dá respiro, nos dá alento, nos dá esperança de um dia estarmos livres de quem nós mesmos somos: pecadores que fazem do pecado nosso motivo de viver, quando nosso motivo deveria ser apenas a Graça divina.

Pense nisto, e lute não contra o pecado dos outros, mas contra quem você mesmo é.

Att.

Fabiano Mina