janeiro 04, 2013

O questionamento é princípio do encontro com a Verdade!







Há momentos em que esquecemos que o mundo não começou há décadas atrás, ou seja, o mundo não possui nossa idade de vida. Claro que isto é óbvio em termos teóricos, mas por incrível que pareça não levamos isto muito à sério quando se trata de buscarmos a Verdade, pois deveríamos nos dar conta de que a Verdade sempre foi a busca desde os mais antigos povos, mesmo dos pré-históricos. Não é porque povos antigos não tinham a mesma construção racional e linguistica que a nossa que eles não buscavam um sentido para suas vidas de alguma forma, ou seja, a verdade. O homem desde que consegue conceber o mínimo da sua existência ele passou a se preocupar com o sentido da vida, com a verdade.

Buscar a verdade por si só já é um imenso desafio, eu até arriscaria dizer que é o grande desafio da humanidade, pois tudo o que buscamos afirmar em termos de relações sócio-políticas, experimentos científicos, avanço tecnológico, ciências humanas, religião, etc., tudo gira em torno da busca ou da descoberta daquilo que para nós é verdadeiro. Se a ciência faz afirmações, ainda que provisórias, ela o faz com base no que acredita ser verdade. Se avaliamos e definimos determinado comportamento ético e moral para a sociedade, o fazemos com crença em alguma verdade. Se elaboramos novas tecnologias é porque acreditamos que elas nos facilitam a vida segundo nossa concepção de verdade. Quando defendemos uma crença, uma prática religiosa ou até mesmo arriscamos afirmações sobre quem é Deus ou que ele pensa, faz ou quer, tudo isto está envolto à ideia que temos sobre o que seria a verdade.

Significa que a verdade, enquanto tal, é nossa incessante busca ao longo da história, mas por incrível que pareça há os que acreditam que a sua verdade, que a verdade atual, que a sua verdade aprendida é A VERDADE ABSOLUTA de todos e para todos. E isto ocorre porque a grande maioria ignora os questionamentos que devem ser feitos – ou já são – sobre sua tal verdade.
O fato de alguém crer em uma verdade, em defendê-la, em achá-la conveniente, não significa que A VERDADE ABSOLUTA foi alcançada. E se alguém de fato entende que é esta, a Verdade Absoluta, a ser buscada, compreendida, ascendida, então é esta a que vale e não a verdade subjetiva, privada, particular de alguém. Se existe uma Verdade Absoluta ela é quem deve ser nossa busca constante, e não a “nossa” verdade. E aqueles que se contentam com sua verdade param de questionar, e ao parar de questionar param de aprender, de crescer, de se aprimorar, de melhorar. Principalmente se acreditarmos que a Verdade não é algo que se concebe ou se conquista por imediato, antes é um encontro que temos pouco a pouco durante toda nossa vida, que nos vai iluminando a ponto de mudar nossa concepção de vida pouco a pouco, visão de mundo, de existência. Que nos leva a uma compreensão contínua, interminável, porém só para os que de fato a desejam. Caminhar rumo à Verdade é apenas para os que a almejam sem reservas.

Veja então que a Verdade nunca poderá ser um dogma subjetivo ou mesmo institucional, muito menos uma estrada da qual já a percorremos por inteiro, nem um troféu que foi conquistado. Acreditando que a Verdade Absoluta exista, ela sempre será uma busca que nos convida a evoluir, e esta evolução só se dá por meio dos questionamentos. Não são questões soltas ao léu, antes são questionamentos que buscam a verdade independente de qual seja a nossa própria, questionamentos que de fato anelam pela verdade ainda que signifique deixar a nossa própria.
Porém este tipo de questionamento não é feito por todos, pois nem todos têm a coragem de enfrentar suas próprias verdades cristalizadas. Enfrentar nossas verdades muitas vezes significa abrir mão de posicionamentos antigos, de crenças incrustadas, de manias tradicionais, de superstições, de rituais religiosos, de leituras arcaicas, de preferências comportamentais, ou seja, nem todos querem admitir que não chegaram definitivamente à Verdade Absoluta (a maioria acha que chegou). Crer que chegamos à verdade não é sinônimo de ter chegado nela. Aliás, alguém que diz que tem a verdade provavelmente é uma pessoa da qual devemos tomar muito cuidado, pois são pessoas que não questionam mais, apenas afirmam.

Ainda que sejamos religiosos fervorosos e aleguemos que nossa Verdade é Deus (ou Cristo), ainda assim estar em Deus ou estar em Cristo não significa que andamos, compreendemos e vivemos plenamente como Ele quer, e isto porque nossa finita capacidade de compreensão não absorve totalmente a verdade divina. Por isso, mesmo para um religioso, caso ele seja sensato, admitirá que sua crença, ainda que esteja direcionada a Deus, não necessariamente é tudo aquilo que Deus pensa, deseja, faz, ou seja, a verdade religiosa também exige questionamentos constantes, perguntas cruciais, dúvidas a serem expostas e quem sabe respondidas, pois só assim continua o caminho “com” Deus rumo à Verdade dele e não à nossa; rumo não à verdade de uma instituição, de um líder, de um grupo, mas a de Deus, e esta verdade é uma  busca incessante, caso contrário não seria a Verdade divina, mas a nossa, pois a nossa á fácil de ser alcançada, a de Deus jamais.

Se você é uma pessoa que tem medo dos questionamentos e consequentemente das respostas a eles, dificilmente você trilhará o caminho da Verdade. Pense nisto e viva os questionamentos tanto quanto você vive as respostas!

Att.

Fabiano Mina