janeiro 21, 2013

Esposos, namorados, filhos, por favor, não sejam "bons", apenas homens!





Tudo bem! Sei que há aqueles que não concordarão comigo, principalmente num mundo onde formamos nossas concepções sempre baseados nos ideais pós-modernos onde se fala de: humanismo, liberdade, direitos iguais, direitos dos animais, sustentabilidade, espiritualidade, vida saudável, etc., mesmo que a maioria não tenha o mínimo de ideia do que se está falando. Então apenas repetem estes clichês achando que nos tornamos pessoas melhores porque balbuciamos frases politicamente corretas.

É uma pós-modernidade que gasta tanto tempo com filmes e novelas óbvias, bate-papos on-line intermináveis, que usa SMS ou torpedo esquizofrenicamente, que faz trabalhos e textos escolares ou universitários via google, em que o melhor passeio semanal é no shopping do bairro, e a principal leitura é o “best-seller” da moda, etc.; esta pós-modernidade não poderia concordar facilmente com o que vou escrever aqui. Não que eu tenha a resposta para do que seja ideal para esta pós-modernidade, mas com certeza não é aquilo que se tem dito por aí a nosso respeito: os homens.
Contudo peço que tenham um pouco de paciência e reflitam comigo, ainda que depois discordem veementemente se for o caso.

Aquilo que chamo de pós-modernidade para ser sincero eu também não saberia definir, aliás, os grandes especialistas na área de História, Sociologia e mesmo na Filosofia também não chegam a um consenso. Mas uma das definições que li de Zygmunt Bauman, um socialista contemporâneo com lampejos filosóficos, diz que a sociedade atual é “líquida”, ou seja, ela não possui alicerces sólidos. Ainda que haja valores nesta sociedade atual, são valores muito individualistas, subjetivados pela economia ou moda, são até coletivos, porém efêmeros demais para se sustentarem já que não são profundos, já que destroem a boa tradição dos nossos antepassados, e no lugar colocam apenas teorias que não correspondem à realidade. Significa dizer que a pós-modernidade fala muita coisa, fala demais, mas entende muito pouco daquilo que fala. A pós-modernidade cria muitos conceitos, ideias, teorias, mas ao mesmo tempo destrói os fundamentos sem encontrar nenhum outro que o valha.

Pensando cá comigo, tenho levado algumas dessas reflexões para as exigências e comportamentos que os homens têm tido consigo mesmos. No afã dos homens se tornarem “bons moços”, aceitáveis pela sociedade, que quer homens mais dóceis, singelos, floridos, os homens estão perdendo qualquer identidade masculina. Sim! Os tais homens que surgem atualmente gastam horas no espelho, usando cremes, correndo na esteira e “puxando ferro” nas academias, aprendendo as atuais musicas pop, fazendo tatuagens com frases estrangeiras de efeito (ainda que não saibam ler o tal idioma), postando fotos pomposas nas redes sociais, escrevendo poesias emprestadas, falando do amor pelas plantas e pela floresta, assistindo novelas para ter o que falar com as amigas ou esposas, etc. Os homens que estão se esforçando cada vez mais para praticar os tais rituais pós-modernos – que podem até possuir lá alguma utilidade - para serem chamados de “bons homens", estão na verdade perdendo a mão, perdendo a força, perdendo a habilidade, perdendo a capacidade conquistada através de tantos séculos de aprendizado masculino. Isto mesmo, os homens não são uma construção atual, antes uma construção histórica, com suas mazelas, mas com suas benfeitorias também.

Veja que não estou aqui, nostalgicamente, evocando a brutalidade masculina tão conhecida pela história. Não advogamos a brutalidade dos pré-históricos, e isto é ponto pacífico para os homens que querem ser homens de verdade. Por outro lado também não queremos deixar a insensibilidade pós-moderna travestida de liberdade feminina ou feminismo, dizer o que é ser homem como se soubesse de fato o que é isto. Muito menos deixar alguns gurus - que está bastante na moda -, só porque escolheram para suas vidas essas rotinas citadas acima, definir o que é ser "bom" homem para nós.

O que estou dizendo é que nem tudo que os homens aprenderam com a experiência de séculos de vida deve ser jogado fora, e nem tudo que se exige atualmente dos homens deve ser praticado. Haja vista que a tal pós-modernidade, como eu disse acima, não é a era de ouro, muito menos a fase em que a humanidade está no auge da sua capacidade de discernimento, ao contrário muitas vezes nossa atual era se mostra mais ignorante do que nossos antepassados pré-históricos.
A atual exigência para nos tornarmos os tais “bons homens” não tem dado espaço para simplesmente sermos homens, mas projeto mal acabado de homens. Este ser “bom homem”, que se tem exigido dos homens em geral, não é no sentido de melhorar como homem, mas um tipo "deixar de ser homem" para ser alguma outra coisa que nem nós homens ainda sabemos direito o que se exige de nós, nem sabem estes que nos exigem.

Não sabemos se nos querem ator e galã, mecânico, trabalhador ou do lar, ouvinte ou que fale, sacerdote ou empresário, se querem tudo isto ou nada ao mesmo tempo. O fato é que de tanto tentar padronizar o que convém ser o “bom homem”, não nos deixam ser bons de fato, inclusive para nós mesmos. Os homens têm se perdido neste mar de exigências pós-modernas e estão perdendo a capacidade de mostrar aquilo que de fato podem fazer e tem de melhor, ainda que tenhamos lá nossos defeitos e limitações (atire a primeira pedra o gênero sexual que não possui).

Há aqueles (e aquelas) que dizem que os homens não são iguais as mulheres, pois são diferentes (?) biologicamente e psiquicamente. Ao mesmo tempo querem que estes mesmos homens, os tais pós-modernos, façam as mesmas coisas que as mulheres fazem inclusive da mesma forma. Oras! Somos diferentes ou iguais afinal de contas? É preciso definir, pois se somos diferentes, então faremos as coisas como homens, assim como as mulheres fazem como mulheres. Agora, se somos iguais, então há uma contradição, pois alegam que somos diferentes.
E neste meio tempo, temos visto muitos homens debandarem. Debandarem não de suas casas ou dos relacionamentos apenas (isto também), mas inclusive de suas escolhas heterossexuais, pois muitos estão procurando “outros” homens por medo ou fuga das exigências feitas a eles. Muitos homens das antigas não satisfazem mais suas parceiras, pois a exigência pós-moderna quer homens com abdômen tanquinho, que cozinhem cardápio de restaurante, que lavem a louça na hora do jogo de futebol ou assistam novela das oito, que passem a roupa em vez de jogar bola com o filho ou conhecer o pretendente namoradinho da filha. Querem que estes homens falem francês ou espanhol, que tenham dinheiro e ao mesmo tempo cheguem cedo em casa e saiam tarde de preferência no carro do ano, que usem perfume importado, creme corporal e lente de contado azul ou verde no lugar dos óculos de fundo de garrafa, e é claro que sempre digam amém para a família na frente dos amigos, da sogra/sogro, do pastor, do vizinho, pois brigar ou reclamar na frente dos outros é coisa para homem bruto, para não dizer ultrapassado e machista.

E com tudo isto, o que nossos filhos têm visto são pais que estão perdendo autoridade em seus lares, esposos que não conseguem mais atender as expectativas que suas esposas. Os namorados não sabem mais o que fazer para agradar suas namoradas, pois elas os trocam assim como trocam de celular porque esqueceram não mais o aniversário delas, mas de “curtir” suas fotos e frases no facebook. Aos filhos meninos não basta mais estudar e tirar notas, agora precisam estudar, modelar e de quebra praticar esporte que dê chance de uma boa renda para a família, e quem sabe trabalhar depois de suas obrigações ajudar o pai a cuidar da casa e do irmão menor, porque as mulheres da casa vão ao estádio de futebol ver o time do coração (!).

Tudo bem! Talvez alguns estejam pensando que estas coisas não fazem parte de suas vidas, contudo não podem negar que o intuito, a ideia, a concepção de mundo hoje sobre os homens gira em torno de tudo isto que foi citado ou mais. Que os homens deve ser “bons” e continuar homens, ainda que ninguém saiba hoje que tal homem é este que tanto falam e exigem.

O que posso dizer, como sendo um homem que tenta ser bom sem tentar provar nada pra ninguém, muito menos se limitar às exigências de uma pós-modernidade que nem ela mesma sabe quem é, é o seguinte: seja homem de verdade, erre tentando acertar, busque autenticidade mesmo quando tentar melhorar, cresça sem medo de errar, erre sem medo de acertar, lute ainda que a veia na jugular salte no pescoço, grite para o bem e se cale para o mal. Ser homem é resgatar nossos valores masculinos, valores ensinados pelos nossos pais, avós, antepassados. É não ter medo de lutar, de enfrentar não só o escuro, mas o trabalho, a fadiga, os desafios da vida. É ser a força amorosa sem deixar de ser a força muscular. É ser inteligente sem precisar de frescura ou trejeitos. Bater aquele papo de homem pra homem com o filho e dar colo para a filha. É dar amor para a esposa, sem deixar a competência de pegá-la no colo e jogá-la na cama, mesmo que não haja velas, rosas ou perfume importado. É ter coragem de trocar o creme pelo óleo do motor do carro, ainda que depois use o creme. É trocar o pneu do carro não porque as mulheres são boas demais para se sujeitarem a isto ou, como algumas dizem, porque nascemos para isto (feminismo?), mas simplesmente porque entre um dos dois ficar com a unha bem feita preferíamos as delas do que as nossas, pois gostamos de mulheres bem cuidadas e não com a mãos cheias de graxa. É se vestir bem e andar cheiroso sem precisar de horas no banheiro ou no salção de beleza. Ser homem é assumir as rugas, pois elas denotam a luta e o esforço da vida, e não a vergonha da estética. Assumir a calvície mesmo que denuncia nossa preocupação, e se reunir com os amigos, porque homens de verdade se divertem com homens e não com mulheres, pelo menos as diversões de homens, é claro!

Então homens não tentem ser os “bons homens” da pós-modernidade, sejam simplesmente homens, e isto já será bom demais numa sociedade tão precária, mentirosa, e com tanta falta de homens de verdade. 

Att.

Fabiano Mina