janeiro 21, 2013

Esposos, namorados, filhos, por favor, não sejam "bons", apenas homens!





Tudo bem! Sei que há aqueles que não concordarão comigo, principalmente num mundo onde formamos nossas concepções sempre baseados nos ideais pós-modernos onde se fala de: humanismo, liberdade, direitos iguais, direitos dos animais, sustentabilidade, espiritualidade, vida saudável, etc., mesmo que a maioria não tenha o mínimo de ideia do que se está falando. Então apenas repetem estes clichês achando que nos tornamos pessoas melhores porque balbuciamos frases politicamente corretas.

É uma pós-modernidade que gasta tanto tempo com filmes e novelas óbvias, bate-papos on-line intermináveis, que usa SMS ou torpedo esquizofrenicamente, que faz trabalhos e textos escolares ou universitários via google, em que o melhor passeio semanal é no shopping do bairro, e a principal leitura é o “best-seller” da moda, etc.; esta pós-modernidade não poderia concordar facilmente com o que vou escrever aqui. Não que eu tenha a resposta para do que seja ideal para esta pós-modernidade, mas com certeza não é aquilo que se tem dito por aí a nosso respeito: os homens.
Contudo peço que tenham um pouco de paciência e reflitam comigo, ainda que depois discordem veementemente se for o caso.

Aquilo que chamo de pós-modernidade para ser sincero eu também não saberia definir, aliás, os grandes especialistas na área de História, Sociologia e mesmo na Filosofia também não chegam a um consenso. Mas uma das definições que li de Zygmunt Bauman, um socialista contemporâneo com lampejos filosóficos, diz que a sociedade atual é “líquida”, ou seja, ela não possui alicerces sólidos. Ainda que haja valores nesta sociedade atual, são valores muito individualistas, subjetivados pela economia ou moda, são até coletivos, porém efêmeros demais para se sustentarem já que não são profundos, já que destroem a boa tradição dos nossos antepassados, e no lugar colocam apenas teorias que não correspondem à realidade. Significa dizer que a pós-modernidade fala muita coisa, fala demais, mas entende muito pouco daquilo que fala. A pós-modernidade cria muitos conceitos, ideias, teorias, mas ao mesmo tempo destrói os fundamentos sem encontrar nenhum outro que o valha.

Pensando cá comigo, tenho levado algumas dessas reflexões para as exigências e comportamentos que os homens têm tido consigo mesmos. No afã dos homens se tornarem “bons moços”, aceitáveis pela sociedade, que quer homens mais dóceis, singelos, floridos, os homens estão perdendo qualquer identidade masculina. Sim! Os tais homens que surgem atualmente gastam horas no espelho, usando cremes, correndo na esteira e “puxando ferro” nas academias, aprendendo as atuais musicas pop, fazendo tatuagens com frases estrangeiras de efeito (ainda que não saibam ler o tal idioma), postando fotos pomposas nas redes sociais, escrevendo poesias emprestadas, falando do amor pelas plantas e pela floresta, assistindo novelas para ter o que falar com as amigas ou esposas, etc. Os homens que estão se esforçando cada vez mais para praticar os tais rituais pós-modernos – que podem até possuir lá alguma utilidade - para serem chamados de “bons homens", estão na verdade perdendo a mão, perdendo a força, perdendo a habilidade, perdendo a capacidade conquistada através de tantos séculos de aprendizado masculino. Isto mesmo, os homens não são uma construção atual, antes uma construção histórica, com suas mazelas, mas com suas benfeitorias também.

Veja que não estou aqui, nostalgicamente, evocando a brutalidade masculina tão conhecida pela história. Não advogamos a brutalidade dos pré-históricos, e isto é ponto pacífico para os homens que querem ser homens de verdade. Por outro lado também não queremos deixar a insensibilidade pós-moderna travestida de liberdade feminina ou feminismo, dizer o que é ser homem como se soubesse de fato o que é isto. Muito menos deixar alguns gurus - que está bastante na moda -, só porque escolheram para suas vidas essas rotinas citadas acima, definir o que é ser "bom" homem para nós.

O que estou dizendo é que nem tudo que os homens aprenderam com a experiência de séculos de vida deve ser jogado fora, e nem tudo que se exige atualmente dos homens deve ser praticado. Haja vista que a tal pós-modernidade, como eu disse acima, não é a era de ouro, muito menos a fase em que a humanidade está no auge da sua capacidade de discernimento, ao contrário muitas vezes nossa atual era se mostra mais ignorante do que nossos antepassados pré-históricos.
A atual exigência para nos tornarmos os tais “bons homens” não tem dado espaço para simplesmente sermos homens, mas projeto mal acabado de homens. Este ser “bom homem”, que se tem exigido dos homens em geral, não é no sentido de melhorar como homem, mas um tipo "deixar de ser homem" para ser alguma outra coisa que nem nós homens ainda sabemos direito o que se exige de nós, nem sabem estes que nos exigem.

Não sabemos se nos querem ator e galã, mecânico, trabalhador ou do lar, ouvinte ou que fale, sacerdote ou empresário, se querem tudo isto ou nada ao mesmo tempo. O fato é que de tanto tentar padronizar o que convém ser o “bom homem”, não nos deixam ser bons de fato, inclusive para nós mesmos. Os homens têm se perdido neste mar de exigências pós-modernas e estão perdendo a capacidade de mostrar aquilo que de fato podem fazer e tem de melhor, ainda que tenhamos lá nossos defeitos e limitações (atire a primeira pedra o gênero sexual que não possui).

Há aqueles (e aquelas) que dizem que os homens não são iguais as mulheres, pois são diferentes (?) biologicamente e psiquicamente. Ao mesmo tempo querem que estes mesmos homens, os tais pós-modernos, façam as mesmas coisas que as mulheres fazem inclusive da mesma forma. Oras! Somos diferentes ou iguais afinal de contas? É preciso definir, pois se somos diferentes, então faremos as coisas como homens, assim como as mulheres fazem como mulheres. Agora, se somos iguais, então há uma contradição, pois alegam que somos diferentes.
E neste meio tempo, temos visto muitos homens debandarem. Debandarem não de suas casas ou dos relacionamentos apenas (isto também), mas inclusive de suas escolhas heterossexuais, pois muitos estão procurando “outros” homens por medo ou fuga das exigências feitas a eles. Muitos homens das antigas não satisfazem mais suas parceiras, pois a exigência pós-moderna quer homens com abdômen tanquinho, que cozinhem cardápio de restaurante, que lavem a louça na hora do jogo de futebol ou assistam novela das oito, que passem a roupa em vez de jogar bola com o filho ou conhecer o pretendente namoradinho da filha. Querem que estes homens falem francês ou espanhol, que tenham dinheiro e ao mesmo tempo cheguem cedo em casa e saiam tarde de preferência no carro do ano, que usem perfume importado, creme corporal e lente de contado azul ou verde no lugar dos óculos de fundo de garrafa, e é claro que sempre digam amém para a família na frente dos amigos, da sogra/sogro, do pastor, do vizinho, pois brigar ou reclamar na frente dos outros é coisa para homem bruto, para não dizer ultrapassado e machista.

E com tudo isto, o que nossos filhos têm visto são pais que estão perdendo autoridade em seus lares, esposos que não conseguem mais atender as expectativas que suas esposas. Os namorados não sabem mais o que fazer para agradar suas namoradas, pois elas os trocam assim como trocam de celular porque esqueceram não mais o aniversário delas, mas de “curtir” suas fotos e frases no facebook. Aos filhos meninos não basta mais estudar e tirar notas, agora precisam estudar, modelar e de quebra praticar esporte que dê chance de uma boa renda para a família, e quem sabe trabalhar depois de suas obrigações ajudar o pai a cuidar da casa e do irmão menor, porque as mulheres da casa vão ao estádio de futebol ver o time do coração (!).

Tudo bem! Talvez alguns estejam pensando que estas coisas não fazem parte de suas vidas, contudo não podem negar que o intuito, a ideia, a concepção de mundo hoje sobre os homens gira em torno de tudo isto que foi citado ou mais. Que os homens deve ser “bons” e continuar homens, ainda que ninguém saiba hoje que tal homem é este que tanto falam e exigem.

O que posso dizer, como sendo um homem que tenta ser bom sem tentar provar nada pra ninguém, muito menos se limitar às exigências de uma pós-modernidade que nem ela mesma sabe quem é, é o seguinte: seja homem de verdade, erre tentando acertar, busque autenticidade mesmo quando tentar melhorar, cresça sem medo de errar, erre sem medo de acertar, lute ainda que a veia na jugular salte no pescoço, grite para o bem e se cale para o mal. Ser homem é resgatar nossos valores masculinos, valores ensinados pelos nossos pais, avós, antepassados. É não ter medo de lutar, de enfrentar não só o escuro, mas o trabalho, a fadiga, os desafios da vida. É ser a força amorosa sem deixar de ser a força muscular. É ser inteligente sem precisar de frescura ou trejeitos. Bater aquele papo de homem pra homem com o filho e dar colo para a filha. É dar amor para a esposa, sem deixar a competência de pegá-la no colo e jogá-la na cama, mesmo que não haja velas, rosas ou perfume importado. É ter coragem de trocar o creme pelo óleo do motor do carro, ainda que depois use o creme. É trocar o pneu do carro não porque as mulheres são boas demais para se sujeitarem a isto ou, como algumas dizem, porque nascemos para isto (feminismo?), mas simplesmente porque entre um dos dois ficar com a unha bem feita preferíamos as delas do que as nossas, pois gostamos de mulheres bem cuidadas e não com a mãos cheias de graxa. É se vestir bem e andar cheiroso sem precisar de horas no banheiro ou no salção de beleza. Ser homem é assumir as rugas, pois elas denotam a luta e o esforço da vida, e não a vergonha da estética. Assumir a calvície mesmo que denuncia nossa preocupação, e se reunir com os amigos, porque homens de verdade se divertem com homens e não com mulheres, pelo menos as diversões de homens, é claro!

Então homens não tentem ser os “bons homens” da pós-modernidade, sejam simplesmente homens, e isto já será bom demais numa sociedade tão precária, mentirosa, e com tanta falta de homens de verdade. 

Att.

Fabiano Mina  







      

janeiro 17, 2013

O preço da liberdade é a escolha, e o da escolha são os acertos e erros!





Muitas vezes nos pegamos questionando porque a vida nos prega algumas surpresas, e em grande parte desagradáveis. A partir disto começamos a buscar respostas de todos os tipos possíveis, dos mais coerentes aos mais escabrosos. Em meio a tantos questionamentos e tentativas de respostas, muitas vezes começamos a colocar até mesmo Deus no meio delas a nosso modo. Daí surgem religiosidades, técnicas espiritualistas, teologias, mantras, gospel, manias, rituais, gurus, líderes espirituais, manipuladores de poder ou das massas, intérpretes de escrituras sagradas, instituições religiosas, etc. É o ser humano há milênios tentando sempre responder o irrespondível, ou tentando manipular o imanipulável. E não se enganem, o ser humano faz isto até hoje, ainda que pense ser ele moderno, mas de moderno só possui a casca (formas), pois o modo de pensar continua sendo o mesmo: acreditamos sempre que temos as respostas ou que a teremos definitivamente. No final das contas a religião é isto: é a tentativa de fazer da fé uma resposta palpável, lógica, manipulável. 

Vou tentar melhorar esta compreensão. Significa que porque tentamos responder grande parte dos nossos questionamentos, tendemos a “fabricar” respostas, ou seja, criamos um mundo nosso de afirmações e queremos que Deus se adéque a ele. Passamos inclusive a acreditar que Deus de fato age, pensa, afirma algumas coisas simplesmente porque é assim que pensamos ele no “nosso” mundo. Porém, bastaria um pouco mais de esforço, sinceridade e uma boa pitada de reflexão profunda para percebermos que a maior parte das nossas respostas, ideias, pensamentos sobre a vida e Deus são apenas fabricações humanas. Com isto não estou aqui me aproximando de algum tipo de ateísmo velado ou ceticismo pós-moderno, estou apenas afirmando que Deus está muito além dessas ideias mirabolantes que criamos a respeito dele, e muito mais do que isto Deus está muito distante das respostas que tentamos dar acerca dele, ou mesmo da vida. É por isso que grande parte das mensagens, ensinamentos, palestras, seja lá o que for que falem de Deus, no final das contas são superficialidades, são fabricações humanas, são aspirações individuais ou coletivas, transformadas em dogmas, em regras, em leis. São interpretações fajutas em grande parte, que são tentativas de respostas, mas que não passam de tentativas apenas.

Sei que este tipo de compreensão ou constatação não é algo quisto pela maioria, e é exatamente por isso que a maioria vive brincando de ser religioso, de ter fé, de “conhecer” a Deus, ainda que seja por boa intenção e com sinceridade (boa intenção e sinceridade não são sinônimas de estar ou conhecer a verdade, lembre-se disto!). Esta constatação da qual falo é de que conhecemos muito pouco sobre os desígnios divinos, sobre o sentido ou a lógica da vida, principalmente sobre nosso “destino” ou algo parecido. O fato é que nem conhecemos exatamente o que vai acontecer conosco daqui alguns minutos, quanto mais tentar elaborar respostas cosmológicas, ainda que lógicas, sobre a vida. 

Também não estou dizendo que não devamos fazer isto (buscar repostas), na verdade todas as formas de ciências que temos no mundo são, no final das contas, tentativas de respostas. Por outro lado, uma coisa é tentar, outra coisa é conseguir. O ser humano é movido pela busca, e por isso constantemente buscamos respostas, o sentido último e significado da vida. Mas a fé em um mundo celeste, ou uma vida divina, não é exatamente viver alicerçado em respostas coerentes e lógicas; muitas vezes é o contrário disto: é viver alicerçado na fé exatamente porque a vida não possui sentido claro e objetivo. É viver pela fé exatamente porque nunca teremos respostas suficientes por mais que nos esforcemos. Isto porque a vida é um paradoxo constante, porque não temos domínio nem mesmo das nossas vidas particulares. Logo, a única saída – e ser quiser chamar de coerente – é no meio do caos, dos paradoxos, da falta de sentido, acreditar que no final de tudo há um Sentido Maior, ainda que não o conheçamos de imediato nesta vida, e é a isto que a fé nos remete. É aí que ela se torna válida, é aí que ela fica mais forte, pois a fé é exatamente a “in-coerência” num mundo de insistentes fabricações coerentes, mas sem nunca lograrmos êxito. A fé é a crença que surge exatamente pela falta de lógica no mundo. Um mundo que de tão efêmero nunca temos respostas duradouras e definitivas. É por isso que a fé nos impulsiona a Deus. Não porque Deus nos dê as respostas que queremos, mas porque ele é a resposta que precisamos, ou seja: num mundo sem respostas, a única resposta é a fé nele.

E talvez alguém questione: - por que um mundo assim, onde não há lógica, coerência, onde há paradoxos, onde não temos todas as respostas que gostaríamos? Eu diria: este é o preço da liberdade, da escolha, de poder viver com uma identidade. E neste caminho acertamos e erramos, em grande parte mais erramos. Se fosse o contrário disto, se tivéssemos tudo logicamente perfeito, respondido, objetivo, não tenha dúvidas que aí não residiria a liberdade nem a escolha, antes apenas as “cartas marcadas” de um mundo mecânico e de um deus limitado pela lógica. 
Deus é Liberdade exatamente porque ele não pode ser mensurado nem limitado pela lógica humana. Pense nisto!

Att.
Fabiano Mina

janeiro 13, 2013

A crítica dos hipócritas aos hipócritas





Um dia desses, cá com meus botões, eu estava perguntando: por que as tão velhas e famigeradas críticas que fazemos a tantas coisas de forma tão diversa, não surtem os resultados esperados? Por que temos tão aguçada e encorpada crítica ao mundo, mesmo assim o mudo parece piorar (mesmo em se tratando dos religiosos)?
Claro que numa resposta mais apressada, tenderíamos a pensar que isto ocorre porque não há boa vontade daqueles que estão no poder, dos que são os manipuladores das massas, dos que possuem o controle do saber e do pensar. Tais críticas possuem lá seu fundamento, mas acredito que a problemática é ainda mais profunda.

Se recorrermos aos textos bíblicos, por exemplo, veremos que Cristo foi ferrenho crítico dos hipócritas de sua época, homens que se submetiam a seus próprios valores moralistas, mas nunca aos valores verdadeiramente universais. Significa que esses hipócritas estavam preocupados apenas em criar regras e leis que lhes dessem aparência de paladinos da boa moral, porém tais regras eram utilizadas apenas para manter a manipulação da qual eles usufruíam diante do povo, além da bajulação que recebiam por consequência de tal manipulação. Por isso as críticas de Cristo, já bem conhecidas, voltaram-se nesta direção aos hipócritas religiosos de sua época de forma contundente.

Porém, é normal esquecermos que Cristo também foi um crítico daqueles que caminharam junto com ele. Sim! Homens, mulheres e crianças, das mais diferentes esferas, interesses, comportamentos, seguiram a Cristo. Alguns o seguiram por questões físicas, outros por econômicas, alguns por interesse de poder divino, outros por liberdade, e assim por diante homens e mulheres estavam envoltos de uma esperança que em grande parte não era a esperança trazida por Cristo, mas a esperança particular de cada um deles, a esperança de melhorar suas vidas individuais, egoístas, enquanto a esperança trazida por Cristo era voltada ao todo, ao macro, ao mundo. Como ele mesmo posteriormente provaria: que seria necessário morrer o grão (sacrifício de cruz) para que frutificasse a salvação de todos (muitos). Esta era a sua mensagem: aqueles que abrissem mão dos interesses individuais em pró do coletivo (mensagem que é estranha à atual pós- modernidade da qual vivemos), estes teriam entendido a mensagem do Evangelho.

E isto foi vivido também por seus doze discípulos. Além da já famosa e conhecida história de traição de Judas Iscariotes, os outros onze discípulos, que se tornariam apóstolos, também foram autores de hipocrisias diante de Cristo.
Como já sabemos, os “filhos do trovão” tinham interesse por posição de poder, Pedro foi relutante à missão cristã que lhe foi conferida, fazendo da luta de Cristo a sua própria luta (um zelote), Tomé exigiu uma prova para sustentar a promessa de ressurreição que Cristo havia feito, e assim por diante os discípulos se relacionaram com Cristo em grande parte por interesses outros que não os de Cristo. Há uma interessante passagem que retrata bem este interesse egoísta dos discípulos, se achando parte de um grupo dominante separado dos demais. Quando eles perguntam a Cristo se deveriam matar alguns samaritanos – reclamando o fogo do profeta Elias - que negaram acolhida a eles quando estavam em viagem a Jerusalém (Luc 9:54). Um pouco antes, neste mesmo capítulo citado, os discípulos haviam pedido para proibir outros de expulsarem demônios porque não faziam parte do mesmo “grupo” religioso do qual eles achavam que pertenciam exclusivamente - só porque caminhavam com Cristo (mal sabiam eles que estar com Cristo não era uma questão física apenas).

Outras passagens poderiam ser utilizadas para demonstrar que a crítica que Cristo fez aos religiosos hipócritas de sua época, foi feita em diversas vezes aos seus discípulos. A maioria deles, ou todos, foram duramente repreendidos diversas vezes por Cristo exatamente porque eram hipócritas que se achavam no direito de criticar outros, inclusive os outros hipócritas. Até aí nada mudaria, pois um hipócrita não muda uma situação necessária apenas criticando outros hipócritas. Uma crítica hipócrita não muda a hipocrisia muito menos a paralisia da qual uma pessoa, região ou nação vivencia.
Desta forma, muito mais do que apenas criticar os religiosos, Cristo queria eliminar a hipocrisia vivida inclusive no meio daqueles que o seguiam.

O mundo atual não tem mudado não é porque não conhecemos aquilo que deve ser feito, não é porque não existem condições propícias, não é porque não conhecemos o “caminho das pedras”, mas porque em grande parte somos hipócritas criticando outros hipócritas. Somos nós querendo poder, controle, holofotes, ascensão, fama, dinheiro, etc. Nós continuamos usando a religião para mascarar nosso egoísmo, nosso individualismo, nosso mal interior. Continuamos a criar “grupos”, a fazer religião para nosso bel prazer, para nossa satisfação pessoal. Não queremos o outro, o diferente, o intruso no nosso meio. Ainda nos achamos superiores, únicos dignos de receber bênçãos divinas, ainda achamos que a última palavra a respeito de Deus é a nossa, continuamos criando facções, distinções, nossas orações querem apenas cura e dinheiro, mas nunca, ou pouco, falam da nossa hipocrisia. Na melhor das hipóteses as orações pedem para melhorar o grupo religioso do qual fazemos parte, e o resto que “se dane”. Ah claro! Alguns dirão que a oração deve ser para os "domésticos da fé". Taí a hipocrisia reinando outra vez. O que queremos é conforto para nós, lugar de acomodação, queremos relaxar, é por isso que nossas orações pedem para Deus nosso conforto, nosso luxo, nosso bem estar, porque somos hipócritas fingindo querer o bem do próximo.

Alguns ainda arriscam mostrar abertamente quem de fato são: quais são seus pensamentos, seus ideais, suas motivações, sem reservas, sem medo de represálias, sem cobranças externas. Por outro lado não modificam em nada para melhor o meio em que vivem, não se esforçam, não lutam, apenas se tornam mais um bando de críticos à distância, teóricos verbais hipócritas, sem ações efetivas e factuais no meio em que vivem. Suas ações são ensossas, são críticos do meio religioso em que vivem, mas não alteram em nada, não mudam nada, não lutam para nada, apenas fingem. 

E assim caminha a humanidade, de bando em bando, de hipócritas em hipócritas, uns criticando os outros, mas em nada mudando o mundo. Que Deus nos ajude!

Att.

Fabiano Mina








janeiro 04, 2013

O questionamento é princípio do encontro com a Verdade!







Há momentos em que esquecemos que o mundo não começou há décadas atrás, ou seja, o mundo não possui nossa idade de vida. Claro que isto é óbvio em termos teóricos, mas por incrível que pareça não levamos isto muito à sério quando se trata de buscarmos a Verdade, pois deveríamos nos dar conta de que a Verdade sempre foi a busca desde os mais antigos povos, mesmo dos pré-históricos. Não é porque povos antigos não tinham a mesma construção racional e linguistica que a nossa que eles não buscavam um sentido para suas vidas de alguma forma, ou seja, a verdade. O homem desde que consegue conceber o mínimo da sua existência ele passou a se preocupar com o sentido da vida, com a verdade.

Buscar a verdade por si só já é um imenso desafio, eu até arriscaria dizer que é o grande desafio da humanidade, pois tudo o que buscamos afirmar em termos de relações sócio-políticas, experimentos científicos, avanço tecnológico, ciências humanas, religião, etc., tudo gira em torno da busca ou da descoberta daquilo que para nós é verdadeiro. Se a ciência faz afirmações, ainda que provisórias, ela o faz com base no que acredita ser verdade. Se avaliamos e definimos determinado comportamento ético e moral para a sociedade, o fazemos com crença em alguma verdade. Se elaboramos novas tecnologias é porque acreditamos que elas nos facilitam a vida segundo nossa concepção de verdade. Quando defendemos uma crença, uma prática religiosa ou até mesmo arriscamos afirmações sobre quem é Deus ou que ele pensa, faz ou quer, tudo isto está envolto à ideia que temos sobre o que seria a verdade.

Significa que a verdade, enquanto tal, é nossa incessante busca ao longo da história, mas por incrível que pareça há os que acreditam que a sua verdade, que a verdade atual, que a sua verdade aprendida é A VERDADE ABSOLUTA de todos e para todos. E isto ocorre porque a grande maioria ignora os questionamentos que devem ser feitos – ou já são – sobre sua tal verdade.
O fato de alguém crer em uma verdade, em defendê-la, em achá-la conveniente, não significa que A VERDADE ABSOLUTA foi alcançada. E se alguém de fato entende que é esta, a Verdade Absoluta, a ser buscada, compreendida, ascendida, então é esta a que vale e não a verdade subjetiva, privada, particular de alguém. Se existe uma Verdade Absoluta ela é quem deve ser nossa busca constante, e não a “nossa” verdade. E aqueles que se contentam com sua verdade param de questionar, e ao parar de questionar param de aprender, de crescer, de se aprimorar, de melhorar. Principalmente se acreditarmos que a Verdade não é algo que se concebe ou se conquista por imediato, antes é um encontro que temos pouco a pouco durante toda nossa vida, que nos vai iluminando a ponto de mudar nossa concepção de vida pouco a pouco, visão de mundo, de existência. Que nos leva a uma compreensão contínua, interminável, porém só para os que de fato a desejam. Caminhar rumo à Verdade é apenas para os que a almejam sem reservas.

Veja então que a Verdade nunca poderá ser um dogma subjetivo ou mesmo institucional, muito menos uma estrada da qual já a percorremos por inteiro, nem um troféu que foi conquistado. Acreditando que a Verdade Absoluta exista, ela sempre será uma busca que nos convida a evoluir, e esta evolução só se dá por meio dos questionamentos. Não são questões soltas ao léu, antes são questionamentos que buscam a verdade independente de qual seja a nossa própria, questionamentos que de fato anelam pela verdade ainda que signifique deixar a nossa própria.
Porém este tipo de questionamento não é feito por todos, pois nem todos têm a coragem de enfrentar suas próprias verdades cristalizadas. Enfrentar nossas verdades muitas vezes significa abrir mão de posicionamentos antigos, de crenças incrustadas, de manias tradicionais, de superstições, de rituais religiosos, de leituras arcaicas, de preferências comportamentais, ou seja, nem todos querem admitir que não chegaram definitivamente à Verdade Absoluta (a maioria acha que chegou). Crer que chegamos à verdade não é sinônimo de ter chegado nela. Aliás, alguém que diz que tem a verdade provavelmente é uma pessoa da qual devemos tomar muito cuidado, pois são pessoas que não questionam mais, apenas afirmam.

Ainda que sejamos religiosos fervorosos e aleguemos que nossa Verdade é Deus (ou Cristo), ainda assim estar em Deus ou estar em Cristo não significa que andamos, compreendemos e vivemos plenamente como Ele quer, e isto porque nossa finita capacidade de compreensão não absorve totalmente a verdade divina. Por isso, mesmo para um religioso, caso ele seja sensato, admitirá que sua crença, ainda que esteja direcionada a Deus, não necessariamente é tudo aquilo que Deus pensa, deseja, faz, ou seja, a verdade religiosa também exige questionamentos constantes, perguntas cruciais, dúvidas a serem expostas e quem sabe respondidas, pois só assim continua o caminho “com” Deus rumo à Verdade dele e não à nossa; rumo não à verdade de uma instituição, de um líder, de um grupo, mas a de Deus, e esta verdade é uma  busca incessante, caso contrário não seria a Verdade divina, mas a nossa, pois a nossa á fácil de ser alcançada, a de Deus jamais.

Se você é uma pessoa que tem medo dos questionamentos e consequentemente das respostas a eles, dificilmente você trilhará o caminho da Verdade. Pense nisto e viva os questionamentos tanto quanto você vive as respostas!

Att.

Fabiano Mina