dezembro 26, 2012

Meu desejo para o próximo ano, o tal Ano Novo!


 


Se pensar do ponto de vista material, não há nada de tão novo assim, eu quero sempre as mesmas coisas, ainda que mudem de nome, mas no final das contas é o querer ter condições (poder) para comprar, trocar, renovar, adquirir, ou seja, estamos sempre querendo mais dinheiro para trocar os “brinquedinhos” materiais que massageiam nosso ego. Portanto, nada novo, isto é o que todo o adulto consciente almeja, ainda que finja que não queira.

Além disto, desejo o que qualquer pessoa que respeita sua alma deseja, que é ter uma vida mais singela, de conquistas profícuas, com felicidade mais constante do que a tristeza, uma vida de amadurecimento junto aos meus familiares e amigos. Ou seja, nada diferente do que a grande maioria quer – com exceção de algum psicopata ou débil mental.

Então são os velhos conhecidos desejos, que para quem vai chegar praticamente na metade da vida, já não fica “desejando” estas coisas no sentido de ficar esperando, antes simplesmente luta para tê-las na medida do possível, pois há uma diferença entre esperança no sentido de esperar ou esperança no sentido de acreditar que pode ter, então lutar para conquistar o que se deseja ter.


Por outro lado, eu faço também parte de um grupo, no mundo, que é reconhecido como grupo de religiosos cristãos. Sim! No mundo existe esse grupo, ainda que com diferentes nomenclaturas, dogmas, rituais, doutrinas, cada um achando que é melhor ou maior representante de Cristo aqui na Terra do que os demais – coisa típica de ser humano.

Este grupo, de modo geral, é chamado de cristão porque em determinado momento da vida resolveu seguir os preceitos, conselhos, exemplos de um homem chamado Cristo, que se auto intitulava o Filho de Deus, o Salvador, o Caminho, e a Verdade, e a Vida, ou seja, o Verbo de Deus (o enunciado espiritual de Deus – o lógos) que se fez carne entre nós mortais.

Cristo foi o homem-divino que defendeu até sua morte de cruz a mensagem – as Boas Novas – de que o mundo, uma vez que admitindo suas fraquezas, suas mazelas, suas necessidades, seus pecados, então assumindo-O como Mestre (rabi),  este mesmo mundo (que sãos as pessoas) seria salvo do um Juízo Final (seja ele qual for).
Significa que este grupo de pessoas, chamado de cristãos, é um grupo que admite necessitar de ajuda para a alma, de limpeza para o espírito, de auxílio para ser uma pessoa melhor, de misericórdia para continuar vivo e continuar tentando, de santidade para combater o pecado, de esperança para aguardar ou lutar por um mundo melhor. Significa que este grupo é um grupo seguidor de um Mestre específico, único, transformador, ainda que este Mestre não seja exclusivista, vaidoso, partidário de alguns poucos, doutrinador sectário, autoritário, pomposo, e todas essas características que cansamos de ver em nós mesmos, seres humanos religiosos, frágeis, egoístas e supérfluos, que é o que somos no final das contas.

Então, tirando esses meus interesses pessoais, materiais e emocionais que citei inicialmente, eu sinceramente desejo que:

O cristianismo não seja mais propagado por alguns que se dizem cristãos, mas que pregam apenas mais uma religião. Desejo ardentemente do fundo do meu coração que o cristianismo não seja comparado a bandas gospel que vende o evangelho com três frases prontas, e três notas musicais. Desejo que o cristianismo não seja mais pregado por líderes mal preparados, que superficialmente conhecem as Escrituras, que gastam mais tempo administrando templos do que conhecendo o Mestre das Escrituras. Desejo profundamente que os neófitos não sejam mais os líderes religiosos das atuais igrejas cristãs, mas homens e mulheres experientes da letra e da vida, entregues ao voluntariado, que ensinem não apenas o academicismo (também importante), mas lições de vida que só se aprende vivendo-a por muitos anos. Desejo que a Igreja não se torne mais um lugar de paliativo psicológico, onde pessoas usam-na para se entreter, para gritar, pular, dar boas gargalhadas, menos para aquilo que é o mais fundamental que são as Boas Novas (e que todas essas demais coisas sejam apenas acrescentadas no final). Desejo que os cristãos parem de tratar a Igreja como empresa, onde criam tantas regras, tantos caminhos, tantos auxílios, tantos “tantos”, que nos perdemos a ponto de não encontrarmos aquilo que é o mais singelo, simples: o Cristo.

Desejo que os líderes que possuem seus programas evangélicos televisionados voltem a se preocupar mais com suas próprias denominações do que achar que devem salvar o mundo, e para isso se transformam em máquinas de fazer dinheiro achando que Deus deixará de ser Deus e o Evangelho fracassará se eles deixarem de existir na TV. Desejo ardentemente que a homens maduros voltem a assumir as questões cruciais que a atual igreja moderna enfrenta, em vez de ficar se escondendo em discursos ultrapassados que não atendem mais as expectativas das suas igrejas. Desejo que a Igreja seja cada vez mais plural, diversificada, que haja oportunidades não pela amizade, não pelo status social e econômico, não pela tradição familiar, mas simplesmente pelo fato de ser um diácono, um servidor, um trabalhador pela obra de Deus na Terra. Desejo que a Igreja deixe de agir coercivamente, propagar o medo, o castigo como troca de arrecadação, de mão de obra ou de ganhos materiais, antes pregue apenas aquilo que é sua responsabilidade.

Desejo que o sacerdócio não seja mais desejado por alguns como "profissão", como trampolim financeiro, como a "última" oportunidade por não ter dado certo no mundo secular, antes seja desejado como uma responsabilidade tamanha que dinheiro nenhum pague, e por não pagar o dinheiro seja apenas consequência e não a finalidade. Desejo que paremos com a mania de usar as boas ações para nos promover, para achar que somos melhores ou mais santos, apenas que façamos o bem porque é Bom que se faça.
Desejo que haja outra vez pessoas capazes de discernir os espíritos (os comportamentos e os ensinos), que sejam capazes de redarguir, corrigir, exortar e consolar. Que acabe o monopólio discursivo, pois uma igreja só cresce onde há o diferente, onde o ponto de vista é confrontado com inteligência, sabedoria e respeito.

Desejo que suma ou diminua a manipulação das igrejas feita por alguns, não só das mega igrejas, mas as pequenas também, que apesar de pequenas se comportam com os mesmos erros das grendes. Desejo que os cristãos vejam o quanto caíram nos mesmos pecados que tanto denunciavam de outras religiões: a idolatria, o egoísmo, a cobiça, a inveja, a ganância, a divisão, etc.. E apenas desses pecados tais igrejas apenas pensam em crescer, crescer, crescer..., e mal sabem que "estão nuas", e ainda que cresçam, perdem em profundidade, achando que Deus se importa mais com o crescimento horizontal do que com o vertical. As mega igrejas crescem desenfreadamente e as pequenas buscam o mesmo caminho, ainda que criticando as grandes, pois no final das contas tudo é questão de "poder": que tem não larga, que não tem deseja ter.

Desejo ardentemente que no próximo ano que se inicia, olhemos para a História da humanidade e percebamos que outros povos, outros continentes, outros líderes, religiosos e religiões, já trilharam esses caminhos que muitos de nós têm trilhado, mas que é raso, pequeno, infrutífero.
Desejo de fato que se levante no próximo ano – como sempre se levantou – um grupo de cristãos disposto a preservar não o cristianismo (esse “ismo” que tem nos matado também), mas a mensagem de Cristo.

Desejo que no próximo ano eu e você façamos parte desse grupo que se levanta, e se queremos mudar tudo isto que foi dito logo acima é preciso que comece por nós mesmos, pois tudo ou muito do que foi dito acima nós mesmos somos os que praticam

Feliz Ano Novo!

Fabiano Mina