novembro 06, 2012

Uma vida fracassada, pra quem?





Assista o vídeo, se preferir primeiro leia o texto: http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=dwdX8XND40U

Há tempos eu não via um vídeo que tratasse de um tema a respeito do atual Evangelho que temos vivido no Brasil (e no mundo) com tamanha profundidade e ao mesmo tempo com tanta simplicidade. E este é um tema que venho perseguindo ao longo dos anos, particularmente.

Desde que me conheço por cristão sempre tive lá meus conflitos (quem não os teve?), e dentre eles um dos que mais me incomoda, desde então, é o fato de vermos um Evangelho bem “pregado”, mas tão mal “vivido”. Eu que iniciei minha caminhada cristã em uma denominação que sempre prezou pela “prosperidade” dos seus membros, tive desde o início um ensinamento de que todo e qualquer cristão deveria ser triunfante aqui na Terra. Mas não era um triunfo no sentido teleológico ou escatológico, mas um triunfo no sentido de conquistas, posses, ganhos, sucesso, tudo que pudesse ser antônimo ao fracasso que o mundo consumista, capitalista e utilitarista hoje nos ensina. Por isso sai da tal denominação.

De certa forma estas mensagens de sucesso na Terra sempre me incomodaram, e não pelo fato de um cristão ser ou não bem sucedido na Terra, até porque as Escrituras não proíbem o sucesso dos cristãos aqui no mundo, mas pelo fato de não entender isto como um fim em si mesmo, como uma necessidade à vida cristã, como uma obrigação de Deus para conosco, como uma meta a ser conquistada. Sempre entendi que o sucesso e o fracasso que um cristão pode viver no mundo não é em nada diferente da de um não-cristão, pois ser bem sucedido ou fracassado no mundo depende de uma série de relações existenciais, ou hoje, relações comuns da vida, das oportunidades que temos e até mesmo com um pouco de “sorte”. Não podemos negar que alguns chegam ao sucesso sem fazer metade do esforço que outros vivem fazendo sem o mesmo êxito. 
Esta não deveria ser a pauta para uma vida espiritual, ao contrário! A vida espiritual é aquela que dá um salto na fé (já diria Sören Kierkegaard, um existencialista cristão de quem gosto muito sobre este tema: fé), e saltar na fé é viver, se for o caso, uma vida sem garantias terrenas, sem sucesso imediato, sem segurança financeira, é simplesmente caminhar com Cristo mesmo que não se tenha onde “reclinar a cabeça”. Apesar deste discurso ser bem frequente nas igrejas evangélicas (e em outras religiões), fato é que a maioria quer sucesso aqui, esta maioria não admite de forma nenhuma viver uma vida singela, sem regalias, luxo, fama. E pior, vive culpando, quando não o diabo, o próprio Deus, vive se perguntando onde errou, quando talvez a resposta seria: não há nada de errado, a vida de sucesso que eu, Deus, tenho para você é esta mesma, viver uma vida cristã simples. 

E veja que não estou dizendo a respeito de cristãos que chegam ao final de vida, percebem que não há mais como lutar por uma vida de regalia e então se contentam com este discurso da simplicidade, não! Estou falando daqueles que estão no início ou auge da vida, e "juram de pé junto" que ser cristão é ser bem sucedido na vida em todos os sentidos, principalmente financeiramente; aliás, a financeira seria em primeiro lugar para a grande maioria destes.

Veja que não é meu intuito em fazer apologia de miséria cristã, não sou defensor do mendicantismo, porém entendo que se há um estado ou situação onde conseguimos refletir com mais serenidade na vida cristã, é do lado da vida simples, comum, sem regalias, luxo, riquezas. E para os que possuem estas condições de luxo e riqueza, das quais considero exceções na vida dos cristãos, que tais pessoas tenham a tamanha firmeza cristã para conseguir lhe dar com tantas tentações que esta vida de luxo pode proporcionar. Sendo assim, não defendo que os cristãos não possam ser bem sucedidos, só acho que esta não é a mensagem do cristianismo que deva ser apregoada como prioridade. Ao contrário, esta é uma condição, como eu disse há pouco acima, “natural” a todos que tanto cristãos como não-cristãos podem vivenciar nesta vida, e isto independe de uma vida espiritual correta em Cristo, pois o “sol e a chuva cai tanto para justos como para ímpios”; negar isto seria negar a realidade. Tanto cristãos como ímpios, dependendo das situações, oportunidades que acometem suas vidas e do próprio esforço, determinará o sucesso ou fracasso de cristãos e não-cristãos aqui na Terra.

Ao longo desta caminhada cristã que tenho vivido, que é curta, porém cheia de experiências pessoais, tenho encontrado dois tipos de pessoas: as que fazem do sucesso na Terra o seu norte para a vida religiosa, e os que fazem do sucesso no Céu o seu norte para com Cristo, e uma coisa não necessariamente desembocará na outra.
Apesar de conhecer religiosos cristãos de sucesso na vida cotidiana, eu tenho tido muito mais admiração por pessoas com sucesso na vida cristã ainda que simples, isto porque não tenho visto os que buscam sucesso na vida cotidiana buscar com a mesma intensidade o sucesso na vida cristã. Particularmente eu mesmo tive algumas oportunidades na vida de escolher um caminho que fosse para este tal sucesso cotidiano e que fosse o sinônimo do sucesso espiritual, mas no final das contas eu sempre me esbarrei nestes meus conflitos; eu tenho dificuldades em ser ganancioso nesta vida (mesmo no sentido bom da palavra), o que me atrapalha em ser um cara de sucesso cotidiano. Mas não justifico estes meus conflitos com esta mensagem, eu estou justificando olhando para as Escrituras e observando testemunhos de pessoas como neste vídeo indicado acima.

Então, longe de querer defender pessoas de insucesso na vida que fazem do discurso do “bom cristão”, de que só se é bom só porque se é pobre, o que defendo como mais importante deste vídeo - que foi indicação de um grande cara: Esdras, vulgo “Fininho”(obrigado meu irmão pela indicação!) - é que estes relatos tratam o "fracasso" dos ministérios de cristãos como sendo um discurso e uma realidade importante para confrontar um falso Evangelho que tem sido propagado pelas igrejas afora em todo o Brasil, e quem tem ludibriado neófitos na fé que querem ver em seus ministérios ou nos seus “chamados”, uma escada para o sucesso, para o sustento financeiro, para a fama, para o ganho pessoal. E quando conseguem o sucesso terreno tão desejado muitos se deixam engodar pelos desejos deste mundo, e quando não conseguem se frustram e perdem longos anos da vida buscando respostas por seus fracassos pessoais. É o que temos visto nas igrejas: pessoas usando púlpito, microfone, liderança, ministério, para se auto promoverem, para chamar atenção para si mesmos, para ter seus poucos minutos de fama.

Bom... fato é que estas minhas inquietações são bem retratadas neste vídeo. Ele é longo, mas importante ao meu ver. Então destine parte do seu tempo para vê-lo apenas se você realmente está disposto a viver talvez uma vida de “fracasso no mundo, mas de sucesso em Cristo”.

Att.

Fabiano Mina