outubro 29, 2012

Saudades quando o Homem usava o “h” maiúsculo





De início quero diferenciar no texto Homens dos outros demais homens pelo “h” que será maiúsculo ou minúsculo, logo fazendo a distinção que será tratada no texto. Com maiúsculo são os que eu considero os verdadeiros homens, consequentemente os com minúsculo são os que acredito que ainda estão em processo de se tornarem Homens ou provavelmente nunca o serão.





Acredito que em nossos dias ainda existam Homens, mas a grande maioria tem usado o “h” minúsculo mesmo. As diferenças são muitas e gritantes, porém  não poderia elencá-las todas aqui, então considerarei algumas delas que entendo serem interessantes para este meu devaneio reflexivo.

Homens assumiam suas responsabilidades independentemente de quem fosse o culpado ou não. Isto porque o Homem, mesmo que determinada situação ruim acometa sua vida, ele ainda assim assumirá a responsabilidade para que sua vida volte ao seu controle. O Homem tem sempre uma posição definida, clara, objetiva, ele não é igual a homens que ora são uma coisa ora são outra. O Homem não necessita de afagos ou aplausos para se sentir útil, já o outro tipo de homem sim.

Sinto saudades de Homens que ao se dirigirem a outros Homens pensavam duas vezes, pois acima de tudo o ser Homem passa por uma vida de experiências, por responsabilidades, por uma família constituída, pela independência dos pais, dos familiares, pela experiência de ter vivido muitos altos e baixos, por um sólido caminho de lutas e vitórias. Era por isso que um Homem ao se dirigir a outro Homem olhava também para a história de vida do outro, para o eixo moral e ético que o norteava. Mas os homens hoje em dia confrontam sem nenhum respeito ou pudor a história desses outros Homens. Ignoram o fato de que a vida às vezes fala mais alto do que títulos, diplomas, condições financeiras.
Estes metidos a homens são tagarelas, firmados em sonhos vazios, superficiais. O sorriso que sai de suas bocas são impregnados de destruição, de sentimentos vis, de desejos mesquinhos, egoístas e infantis, e ainda assim eles insistem em achar que são homens com o “H” maiúsculo quando nem começaram ainda a trilhar a caminhada da vida que, só esta sim, prova quem são os verdadeiros Homens.

Saudades daqueles Homens que não se escondiam atrás de mulheres, de crianças, de idosos, mas Homens que, se ainda fosse o caso, resolviam suas diferenças olho no olho, sozinhos um com o outro, de portas fechadas, acontecesse o que acontecesse, mas saiam de lá de dentro mais Homens, ou pelo menos diferenciando-os uns dos outros: os Homens dos homens.  

Sinto falta daqueles Homens que ouviam os mais velhos não porque os mais velhos são mais inteligentes, mas porque os mais velhos já viram muitas coisas se repetirem dos quais os mais jovens cometem os mesmos famigerados erros achando que descobriram a roda.

Há uma nostalgia minha por aqueles Homens que não queriam se relacionar com outros Homens por interesses espúrios, baixos, como trampolim de vida, antes buscavam um mesmo entendimento do que é de fato ser o “masculino” tão presente nos Homens, e era e é por isso que Homens sempre andaram com outros Homens - como se fosse uma tribo, um clã, uma irmandade - para aprenderem mutuamente a serem Homens. Masculinidade que não se aprende apenas com o pai e a mãe, mas na roda de Homens de verdade.  

Seria bom que aqueles Homens voltassem a mostrar para os homens que o mundo não precisa que o Homem seja bruto, machista, violento, mas ao mesmo tempo que não devem ser um tipo de homem porcaria, que se dermos um sopro nele, ele cai do outro lado chorando igual a um bebê. Homens que ensinavam que entre Homens deve existir um código de hombridade que não se aprende em faculdade, em bate-papo de colégio, em filme ou seriado de TV. Hombridade que sempre existiu nos reais Homens que lutaram para melhorar suas famílias, o mundo, aquilo que estivesse diante deles. Homens que entenderam que as mulheres querem Homens melhores, mas o ser melhor não é ser igual elas, antes é atender sua necessidades no relacionamento. Necessidades que passam desde a comunicação à relação (sexo, amor, paixão), até ao provimento familiar.

Se engana quem acredita que o mundo é melhor hoje com um tipo de homem que não assume sua masculinidade com argumento de modernidade. Mentira! Pois são exatamente esses homens frouxos, metidos a moderninhos, que gastam mais horas em salão de beleza, em telefone, e em bate-papo virtual, que têm estragado o mundo. Quando deveriam se dedicar mais ao sustento da família, na reflexão producente, no aprendizado religioso e acadêmico, no ensino para com os filhos, no envolvimento político, na liderança social, etc.

Homem que nunca assumiu uma família, filhos, trabalho, responsabilidades gerais, acha que se faz homem por teoria? Ser Homem não é uma teoria, é condição e estilo de vida. Mas tem homem querendo ensinar Homem é ser Homem. Absurdo?!

Homens de verdade nunca ficaram brincando de motivação pessoal, de espiritualidade clichê, de interiorização cabalista ou mantras coletivos. Homens de verdade sempre arregaçaram as mangas e foram mudar o mundo. Não o mundo todo, mas o mudo que lhe cabe.

Homens de verdade são raros, pois a maioria desses atuais homens são os tais paparicados pelo papai e mamãe, dependentes acessivamente, mimados, frágeis. São meninos brincando de serem homens, que trabalham, quando trabalham, apenas para gastar com seus videogames, com suas roupas da moda, com seus passeios com a galera da faculdade ou colégio, mas que dificilmente assumem as responsabilidades, junto com os pais, das despesas gerais da casa.  São esses que não trabalham para dividir o pão de cada dia, mas só para si mesmos, que se motivam apenas com os brinquedinhos eletrônicos do mais novo lançamento na loja do shopping da esquina. São crianças mimadas que acham que porque nasceram os primeiros pelos na cara podem ser considerados Homens. Podem?!

Sim, algumas vezes os Homens passavam dos limites e iam para “vias de fato” com outro Homem. Mas as vias de fato eram mais sinceras do que os atuais sorrisos falsos e os medíocres apertos de mão traiçoeiros que vêm dos tais homens. Era exatamente por isso que um Homem pensava muito antes de falar uma bobagem para outro Homem, pois vias de fato seriam inevitáveis. Porém, hoje os tais homens falam bobagem demais, e temos que aguentar muitas vezes calados para respeitar tais fragilidades moderninhas. Esses sorrisos falsos dos tais homens escondem os reais interesses podres, invejosos e maledicentes que esses homens proliferam em nossa sociedade. E nem a coragem de vias de fato eles teriam, pois são até para isto covardes.

É verdade! Algumas vezes os Homens arrotavam em público, uma falta de educação tamanha. Mas o arroto, ainda que mal educado, colocava para fora sua brutalidade que obviamente precisava ser educada. Por outro lado hoje é pior quando esses atuais homens “arrotam para dentro”, pois são fofoqueiros, mesquinhos, divisores: o fermento que leveda toda a massa.

Sim, antes esses Homens eram criticados por serem ignorantes no jeito de se vestir, de falar, de andar, até de se comunicar; mas sabíamos o que eles eram, queriam e pensavam. Hoje temos homens que falam pelos cantos, no máximo para dois ou três ao seu lado que fazem parte da mesma laia. Escondem-se em suas arrogâncias fingindo ser bons moços quando não o são, pois a pior arrogância é aquela que não se expõe para os outros seus reais pensamentos para que suas falhas não sejam reconhecidas, os seus erros não sejam vistos, para que suas tais verdades não sejam esmiuçadas.

O mundo precisa de Homens de verdade, não desses que temos hoje em dia. Precisamos daqueles que “colocam a mão da massa”, que fazem força, que batem no peito e dizem:  - deixa comigo! Precisamos daqueles que olham nos olhos, que assumem suas responsabilidades, que cortam o “cordão umbilical” preso aos pais, que enfrentam a vida como ela é, que respeitam os mais velhos, que pagam suas .contas, que honram, que são honestos, que lutam por si e pelos outros, que não se escondem atrás de mulheres, que assumem a masculinidade sem medo de crítica feminista (ou machista), que enfrentam os problemas com cabeça erguida, etc.

Talvez seja por isso que o apóstolo Pedro, ainda que com todos os defeitos e mesmo o rei Davi com tantos pecados, foram eles considerados Homens com “h” maiúsculo por Deus. Não! Homens não são perfeitos, não são os mais amados, não são os "mocinhos" das historinhas, mas são os Homens quem mudaram o mundo para melhor, enquanto isto os demais brincam de serem homens.

Att.

Fabiano Mina