julho 26, 2012

"Vai de carro pra padaria mas corre uma hora na esteira da academia”


Um dia destes li esta frase postada no twitter por Hernani Medola. É um palmeirense que gosta de piadas irônicas, quem nem sempre são entendíveis, mas sagazes (brincadeira Hernani...)

Entendi que nesta frase ele estava tentando retratar o que é o típico comportamento pós-moderno, e que normalmente enxergamos nos outros, mas dificilmente conseguimos enxergar em  nós mesmos. Ou seja, o pós-moderno possui uma característica de empáfia. E esta empáfia ocorre porque ele vive absurdos, fala absurdos, gosta de absurdo, e não possui capacidade de perceber estes próprios absurdos em si mesmo.
E por esta frase que me motivou a pensar nisto, gostaria de estendê-la a mais reflexões de ordem pós-moderna. Não que elas sejam exclusivas dos pós-modernos, mas com certeza continuam sendo vivenciadas absurdamente debaixo de nossos narizes. Muitas (ou todas) não mais deveriam ter tamanha força em nossas vidas, mas tem.
Serão frases com tom reflexivo, crítico, porém às vezes aporéticos, ou seja, nem sempre você entenderá totalmente, mas saberá que tem alguma coisa haver com você.
É bom que se diga que qualquer “semelhança é mera coincidência”, pois este também é um mal de pós-moderno: achar que sempre está sendo perseguido por pensamentos de alguém, aqui no caso, os meus!
Degustem!



Perceba que os que mais criticam os outros por não evangelizarem “o mundo”, são normalmente os que menos gostam das pessoas onde vivem.

Falamos que Deus é dono de tudo, desde que ele saiba que o outro dono (nós) tem 51% das ações!

Cuspimos a todo o momento a frase: “dinheiro não traz felicidade”. Mas só queremos ser felizes como as pessoas que têm dinheiro.

Sempre que assistimos programas de TV que mostram horrores, morte e miséria, achamos que este mundo é injusto, desde que este miséria não venha pedir pão na nossa porta, pois aí seria injustiça demais, né!?

Alguns querem ensinar outros como viverem suas vidas íntimas, relacionais, conjugais. O problema é quando você não vê estes mesmos se relacionando bem com ninguém.

A vida está dura, difícil, não tem dinheiro, o mundo é cruel, as pessoas não ajudam. Mas a prestação do carro novo (do ano) que brilha lá na garagem não pode faltar.

Cada vez mais as pessoas se preocupam com casa para morar, mas se esquecem de se preocupar com os que irão morar nela.

Os aparelhos tecnológicos que foram inventados para aperfeiçoar a comunicação, são mais utilizados por pessoas de péssima convivência, já percebeu?

O preconceito é criminalizado hoje em dia, mas “boas” piadas de negro, loira, nordestino, gay, português, etc., ainda são as que mais arrancam gargalhadas do público nos stand up.

Não tem nada que presta na TV, diz a maioria. Na casa destes tente adivinhar o que está sempre ligado e em qual canal.

O vizinho é uma pessoa chata, engraçado que este vizinho diz o mesmo de você.

As Escrituras são regra de fé para os evangélicos. Desde que não atrapalhe a “regra de fé” dos seus líderes.

Meu pastor não presta, diz sobre o seu pastor. Minha ovelha não presta, diz o pastor desta ovelha. Dúvida cruel!

Quanto mais aumenta o número de pessoas em um mesmo lugar, menos as pessoas se sentem conhecidas, amadas e valorizadas. Multidão não é sinônimo de relacionamento, mas ainda valorizamos mais a quantidade do que a qualidade.

Eu ouço todos, eu aceito opiniões, eu concordo com todo mundo, desde que primeiro concordem comigo!

Vamos estudar, trabalhar, ganhar dinheiro, crescer na vida, para quem sabe um dia sermos felizes. Mas a ideia não era fazer todas estas coisas “sendo” feliz?

O filho dá um baita trabalho quando está com os pais, mas quando a professora da escola fala a mesma coisa dele na escola, aí ela é quem é a bruxa.

Amo o vento, amo o mar, amo os animais, amo a Terra, amo tudo. Opa! Ei menino maldito morador de rua, tira suas mãos imundas do meu carro novo, acabei de encerar!

Não, eu não ligo para roupas bonitas, coisas caras, coisas confortáveis. Mas ai se eu tivesse dinheiro!

As pessoas hoje em dia são muito mal educadas. Nas últimas estatísticas disseram que as pessoas estão em um nível educacional maior do que décadas anteriores. Alguém está mentindo.

Deus, tudo é do senhor, tudo vem de ti, tudo é para seu louvor (♫♫♫). Deus diz: - vai e dê metade do que você tem para a pessoa do seu lado. Resposta: - Deus, eu só estava cantando uma música gospel, pô! Não é para levar a sério!

Eu não ligo para a beleza exterior, nem para a condição social, o que vale é o que a pessoa é por dentro.  - Posso te apresentar meu primo que chegou do interior do nordeste, é negro, gordo, baixo, ganha um salário mínimo, e tem um caráter (interior) maravilhoso?

Sou espiritual, por isso não gosto de ser julgado nem julgar os outros, minha espiritualidade não permite. Mas aquela pessoa não precisava ir tão arrumada assim para a igreja, né?!

Dizem que precisamos cuidar do mundo, pois o estamos destruindo. As pessoas que já estão sendo destruídas há décadas que esperem.

Meu melhor amigo é o cachorro. Tá! Deixa eu adivinhar: você não consegue fazer amigos humanos. E morre de medo de um dia seu cachorro conseguir por milagre expressar os verdadeiros sentimentos dele ao seu respeito. 

Quando você diz: não podemos confiar em ninguém. Você está incluso neste ninguém?

As pessoas são tão interesseiras! Provavelmente quem disse isto não teve seu “interesse” atendido.

Viu só aquela vagabunda exibida! Provavelmente você já ouviu alguém falar isto. O problema é que a maioria das vezes esta pessoa gostaria de estar chamando a mesma “atenção” que a tal vagabunda está conseguindo ter.

Pô, o cara é um baita metido, não fala com ninguém! E você, já foi falar com ele?

Nossa! 24 horas do meu dia não está dando tempo para mais nada. Tenho que ir para a academia, para o trabalho, depois faculdade, sair para um barzinho, ver um filme, entrar no twitter, ligar para amiga(o), visitar o blog, ver TV, comer, banho, dormir. E dar um beijo na pessoa que eu am... opa! já dormiu, fica pra amanhã!

Alguém fala: - Estes políticos ladrões, não valem nada! Alguém responde: - Pior que é verdade! Moral da história: duas pessoas, um comprador e outro vendedor, em uma banca de produtos piratas enquanto negociavam os produtos pirateados mais recentes.

Eu não brigo por causa de time! (antes do jogo). Ei “mermão”, não vem zoar com a minha cara que eu te quebro todo! (depois do jogo, na derrota é claro!)

Cada vez mais no Brasil as pessoas estão lendo livros, como: “A Cabana”, “Harry Potter”, “Crepúsculo”, “The Secret”, “Alvorada”, “Dez lições para a felicidade”, “O Monge e o executivo”, “Os métodos de administração de Jesus”, “Homens são de Marte, “Mulheres são de Vênus”, etc.
Ei! Eu não disse que eles eram bons!

Em um enterro de um(a) jovem, onde estavam apenas os pais e os irmãos dele, um dos irmãos pergunta para o outro: - Onde estão todos aqueles milhares de “seguidores” que ele tinha no facebook? Ele gastava mais tempo com eles do que conosco!

Alguém diz:  - não gosto que as pessoas "cuidam" da minha vida. Comentário (post) que ela acaba de fazer, depois de postar no facebook pela milésima vez o que ela fez desde que levantou até a hora de ir dormir.

Falamos que admiramos pessoas originais. Mas criticamos pessoas que não andam na moda. 

Para alguns ser “inteligente” é repetir bordões e clichês da moda e da mídia, saber o último filme que lançou no cinema, o novo da ator de sucesso, usar o celular, iphone ou tablet mais moderno, a música do momento, falar algumas palavra em inglês, cantar um rock pop ou um sertanejo universitário. Às vezes são as mesmas pessoas que são reprovadas nas provas de suas faculdades, escolas e concursos. Inteligência?

Falamos de amor, mas esquecemos que o amor não serve para as facilidades e para os acordos, mas nas dificuldades e diferenças.

Queremos tudo com pressa (como o fest food), e ao mesmo tempo com profunda qualidade, quando são coisas mutuamente excludentes. Mas vai ver a fila do MacDonalds.

Reclamos que o shopping está cheio. Claro! Reclamamos porque somos mais um lá dentro o enchendo!

O Governo deveria investir mais em transporte público. Aí as pessoas o utilizarão, dando mais espaço para eu usar o meu transporte privado.

Adoro me relacionar com pessoas. Desde que eu não tenha que vê-las face a face, contar meus detalhes, admitir meus defeitos, precisar de ajuda ou ajudar. Ei! Você errou o nome? Isto aí se chamam "coisas".

Queremos reclamar, mas não queremos ser reclamados.

Gostamos de conforto, mas não queremos trabalhar para tê-lo.

Falamos que pessoas são importantes, desde que não mexam em nossas “coisas”.

Amamos o mundo, mas não amamos as pessoas que nele vivem.

Enchemos nossos twitter’s de frases lindas e complexas cheias de falsidades e hipocrisias, e criticamos os que falam as velhas obviedades, porém sinceras.

Espalhamos abraços, mas não damos naqueles que mais precisam.

Fato é que cada vez mais nos pós-modernos somos contraditórios, estranhos ao mundo que idealizamos. Somos díspares entre o que falamos com o queremos e da forma com que agimos. Queremos controlar a vida dos outros, e perdemos a mão da nossa. Queremos crescer, mas não deixamos de ser mimados. Queremos relacionamentos, desde que sejam à distância. As amizades são trocadas por equipamentos e tecnologia moderna. As festas são regadas de frivolidades e sorrisos arranjados. Queremos aprender sem passar pelo processo de aprendizagem. Olhamos para o lado, mas não queremos ver ninguém ao olhar. Temos acesso cada vez mais a informação, mas somos mal informados. Lutamos pela individualidade, pelo amor próprio, pelos interesses únicos, e depois reclamos de estarmos solitários. Matamos alegando ser por amor. Falamos do amor para esconder nosso verdadeiro ódio. Não mentimos mais só para facilitar a nossa vida, estamos mentindo para destruir cada vez mais a dos outros. Não compreendemos o outro porque não compreendemos nem a nós mesmos. Lutamos para logo mais desistirmos, e desistimos antes mesmo de lutarmos.

Pós-Modernos? Errado! Somos homens das cavernas, só que com alguns “brinquedinhos” eletrônicos ao nosso alcance, apenas isto!

Fabiano Mina

julho 19, 2012

Um novo olhar!




















Um novo olhar para um mundo velho, ou um mundo novo que renova nosso velho olhar?
Sempre que olhamos, ainda que com um velho olhar, olhamos algo novo, pois tudo passa, tudo muda
O novo nem sempre é o que olhamos, mas sempre como olhamos será determinante para ser algo novo
Não renovamos nosso olhar enquanto não esperarmos de fato o novo

O novo muitas vezes está velho, ainda que busquemos renová-lo
Pois a renovação não é apenas o olhar, mas o olhar que temos do olhar
O olho é a forma que manifestamos o olhar, mas o olhar não está apenas no olho, mas no interesse
É o olhar que faz com que nosso olho se mova em direção ao novo

Não precisamos olhar muito para perceber que alguns olhares precisam se renovar
Mas ao se renovar impreterivelmente olharemos com mais frequência
Pois aquele que se renova, e por isto busca o novo, sempre insistirá em um novo olhar
O mundo pede um olhar sempre renovado, mas não faça da renovação a negação do bom olhar

Angústia que vivemos, por um desejo ardendo pelo inexistente
A busca ardorosa pelo outro, pelo inefável, pelo transcendente
Um existencial questionamento que nos incomoda cotidianamente
A tentativa de olhar para dentro de si, para dar sentido para o que está sempre fora de nós

Fabiano Mina

julho 02, 2012

São poucos os que têm estômago! E os que têm cuidem dele!



Normalmente quando se fala que alguém tem estômago (forte), quer-se dizer que esta pessoa tem uma capacidade de lhe dar com situações difíceis das quais a maioria das pessoas não tem.

Não significa que seja uma pessoa geneticamente diferente, que tenha super poderes, uma espiritualidade diferenciada. Simplesmente é uma pessoa que vai ao longo da vida se preparando e se fortalecendo, encarando as situações de frente, sejam situações boas ou ruins.
É uma pessoa que prefere crescer independente dos resultados que este crescimento lhe traga, em vez de crescer sempre dependente de “bons” resultados.
E é exatamente por este motivo que não são muitas pessoas que possuem estômago (forte). A maioria prefere sempre um alimento simples – light - tipo aqueles que gostam de comer só comida natural (?), com medo dos outros alimentos causarem algum problema estomacal.

Veja que pessoas que não têm estômago (forte), nunca poderão estar na frente de uma batalha, de uma liderança, de empresas, de organizações. Nunca poderão ser tomadores de decisões, nunca poderão ser a última palavra, nunca poderão assumir responsabilidades, nunca poderão debater idéias, diferenças, nunca poderão olhar no olho e falarem o que pensam; pois para isto teriam que estar dispostos a “comer de tudo”.

Dependendo das situações em que você se encontrar, você não poderá se dá ao luxo de esperar uma comidinha light, terá que comer o que estiver ao seu alcance. E nem todos estão dispostos a comer aquilo que está ao alcance, mas só o que é interessante (convém).

Estes são aqueles que sempre almejam liderança, estar à frente de alguma coisa, serem reconhecidos, querem postos, cargos, holofotes, mas não querem as intempéries que estas responsabilidades trazem. E por isso vivem como “urubus”, sorrateiros, fingindo ser o que não são, criticando o que não fazem, reclamando do que não constroem. Querem ser ouvidos, mas não querem ouvir o que se tem para falar sobre eles. São ótimos críticos, mas péssimos quando criticados. São ávidos para perceberem as falhas dos outros, mas cegos para verem as próprias falhas, e quando às vêem, tratam-na como se fossem “bichinhos de estimação”, dando gargalhadas de suas falhas como se todos tivessem que recebê-las como qualidades e ainda aturar.

Não, não estou falando de pessoas imperfeitas, pois todos nós somos. Estou falando de pessoas que não sabem o seu devido lugar na “cadeia alimentar” da vida. Estão sempre almejando mais e mais, mas não estão dispostos a se alimentar do que vier à frente. Querem manter seus estômagos limpos, frescos, suaves, achando que a vida sempre lhes trará um bom prato de comida light. Quando sabemos que a vida não é assim.
Querem seus assentos reservados nas igrejas, nas empresas, em suas casas, na roda de amigos. Querem ter a palavra, querem dar opinião, querem tudo, mas fazem quase nada.
São até bons com palavras, mas dificilmente você os verá arregaçar as mangas. Priorizam suas vidas e querem que os demais se modelem a elas. Alguns até têm cara de bons moços, mas não se iludam, como diz o ditado: “quem vê cara não vê coração”.  


Estes estão em nossa volta por todo lado. E são estes que lêem este tipo de texto e até assumem que alguma coisa do texto tem haver com eles, mas depois fazem uma imensa força para falar que é com os outros, menos com eles. Pois os imperfeitos sabem que precisam melhorar seus estômagos sempre, e nem por isso se acham aptos a assumirem posições das quais ainda não estão preparados. Os de estômago fraco e ao mesmo tempo mal dizentes, não se assumem com tais e ainda querem que os de estômago forte comam suas comidinhas lights.

 Como se não bastasse os de estômago forte precisam aguentar este bando de crianças fracas fingindo ser gente grande, quando nem o leitinho aprenderam a beber ainda. Tudo bem, este é o preço de quem tem a responsabilidade de ter “estômago forte”. Parabéns a todos vocês de estômago forte, aguentem firme!

Fabiano Mina