junho 15, 2012

Pressão Social Religiosa! E eu?




Uma das formas de ser considerado um “bom cristão” nos dias atuais, é abrirmos mão daquilo que acreditamos no mais íntimo do nosso ser, ou ignorar as maiores questões existenciais que nos acompanham.

O que se tem ensinado não é simplesmente crermos em dogmas fundamentais, como ressurreição, salvação em Cristo , etc. O que se tem ensinado é que se cremos nestes dogmas, logo, teríamos que assassinar nosso cérebro, fingir que não temos dúvidas, abrir mão das nossas questões existenciais, abortar as críticas aos discursos prontos.

E a pressão imposta pela atual sociedade religiosa é tamanha, que todos, ainda que tendo estes conflitos internos, precisam fingir que não os têm, para serem aceitos no meio em que vivem religiosamente.

Claro que esta pressão, por definição, não resolve nossos reais problemas existências, apenas mascara até o ponto em que outros problemas começam a surgir. E os problemas que surgem são os que estamos vendo hoje entre os próprios religiosos: eles não mantém mais famílias sólidas, seus filhos não tem uma direção educacional e moral correta, não conseguem mais se balizar na honestidade e hombridade, a falsidade vira norma de conduta, não existe mais solidez nos discursos já que ora fala-se uma coisa, ora fala-se outra. Os homens não sabem mais o que é ser "homem", e as mulheres deixaram há tempos de ser "mulheres". Os pais "aprendem" mais com os filhos, do que os filhos com os pais. Um idoso é visto não mais como um sábio, mas como um fardo. Família só serve para se encontrar em "festas" comemorativas. Pregações viram palestras motivacionais, ou palco para teatro emocional. Terceirizamos nossas responsabilidades, oras para os outros, oras até mesmo para Deus.
 Tudo isto ocorre porque nós mesmos não conseguimos acreditar e praticar esta falsidade que nos é imposta por meio desta pressão por muito tempo. Um hora a pressão estoura! 

É por isso que a mentira por traz desta pressão sempre é atrativa, e por outro lado é sempre destrutiva. Pois a mentira de certa forma sempre nos conforta, sempre resolve imediatamente e momentaneamente nossos problemas, mas a longo prazo ela dá mais raiz aos problemas, e quando estes vêm à tona, tornam-se maiores do que antes.

É esta pressão que a sociedade religiosa nos impõe, que nos têm feito viver uma vida religiosa de mentiras. E continuam a mentir dizendo que nossas vidas melhoraram, quando basta dar uma olhada para o lado e percebemos que as pessoas estão vivendo cada vez pior. É possível que alguém entenda que viver melhor ou pior esteja relacionado a condições sociais. Se alguém pensa assim, com certeza não entende do que estou falando. Veja que o Brasil é a sexta maior riqueza (PIB) no mundo hoje, e nem por isso alguém ousaria em sã consciência dizer que somos o sexto melhor país para ser viver no mundo. Muito menos alguém diria que a China é o segundo melhor para se viver porque é a segunda maior riqueza. Logo, não significa que “viver” melhor é “estar” melhor financeiramente. Pois estou falando aqui de conflitos “existenciais”.

Viver bem é compreender melhor sua própria existência, é confrontar suas dores íntimas, é reavaliar seus propósitos de vida, é questionar suas verdades últimas, é dar um significado de vida muito além do que ter um novo celular, uma casa própria, um carro novo, uma igreja bonita, filhos alimentados, diplomas carimbados, etc. Tudo aquilo que uma sociedade politicamente correta nos cobra. Os conflitos existenciais são muito maiores do que estes, e por isso que são difíceis de serem tratados, logo exigem maior profundidade, empenho e acima de tudo sinceridade religiosa de nós.

Este não é o intuito que vemos em geral na religião social. As religiões querem que vivamos bem socialmente apenas, e nos pressionam para isto. Elas fogem dos conflitos que existem em cada um de nós, pois isto dá trabalho, despende energia, necessita de encarar a realidade com constância. E quem quer fazer isto em nossos dias? Quem está disposto a enfrentar estas coisas? Pouquíssimos! Pois para que existam pessoas assim, elas mesmas teriam que deixar um pouco de lado seus interesses sociais religiosos. Elas mesmas teriam que deixar para segundo plano aquele celular, carro, casa, etc., tudo aquilo que as tornam “felizes” na comunidade religiosa. Mesmo que elas apresentem um discurso bonito de que o que vale é o "Reino de Deus e todas as demais coisas serão acrescentadas", no final das contas elas estão sempre pensando inversamente este versículo: acrescente-me as demais coisas, e então eu darei valor ao Reino de Deus! (vide "Pressão Religiosa Social 33:6"). É assim que esta pressão social religiosa nos ensina, e mesmo aqueles que discursam ao contrário disto. Na prática, vivemos as mesmas mazelas das quais criticamos.

Me perdoe! Provavelmente não sou aquele que irá mudar esta situação, até porque eu nem consigo resolver meus próprios problemas existenciais. Porém não serei aquele que irá respaldar e dar munição para esta pressão que nos é imposta. Não será de mim que você ouvirá estes discursos fajutos. Não serei mais um a enganar pessoas em minha volta fingindo que ao “acrescentar” coisas em nossas vidas, poderemos adormecer nossos conflitos existenciais. Não serei a favor de discursos politicamente corretos em detrimento de um discurso que nos faça mover, ainda que internamente. Não, deste pecado eu estarei livre (pelo menos até que esta pressão consiga me vencer... já te venceu?)

Fabiano Mina