março 20, 2012

Será que nós “homens” podemos falar agora?


Pode parecer ridícula para alguns esta pergunta, mas o fato é que o tal “machismo” que imperou (e ainda impera) pelo mundo tem sido motivo de chacota intelectual se compararmos com o suposto “homem moderno” que tem surgido nos dias atuais.

Desde a famigerada revolução feminina, que teve seu início na revolução francesa, mas teve seu auge nos Estados Unidos, qualquer tipo de imposição masculina tornou-se alvo de criticas de cunho feminista, ou melhor dizendo, qualquer tentativa do homem expressar suas idéias virou sinônimo de machismo se estas idéias colidirem com as idéias feministas ou dos “politicamente corretos” (politicamente correto é aquele que quer agradar todo mundo, e por isso nunca resolve de fato os problemas).

Claro que se pensarmos biologicamente esta questão, isto não possui lá muita lógica, pois nós sabemos que a espécie humana sempre tentou se impor pela “força” uns contra os outros. E quando digo força, não falo apenas da força física (esta prevalecia muito mais em um mundo ainda primitivo), mas de força psicológica (sentimental), força coerciva ou ideológica, força da maioria, e por aí em diante. Esta não é uma prerrogativa apenas de homens (machistas), as mulheres, as crianças, os idosos, todos se valem de algum tipo de “força” para impor seus interesses, e isto também ocorreu por parte dos homens, ainda que machistas.

Com o advento da modernidade, o machismo passou a ser combatido, mas junto com a luta contra um tipo de machismo fictício. Sim, fictício porque nem todo interesse masculino pode ser chamado de “machismo”. Mulheres e crianças possuem seus interesses também e nem por isso devem ser criticados. Logo, passou-se a utilizar a idéia de que qualquer petição, exigência, expressão, até mesmo uma imposição masculina é sinônimo de machismo.

As mulheres, com todos seus méritos, alcançaram patamares maiores na sociedade, mas neste bojo veio junto um grupo de pessoas “politicamente corretas” pretendendo calar qualquer tipo de manifestação masculina. Os homens passaram a ser mal visto quando se impõe, quando cobram, quando criticam. A própria sociedade passou a criticar qualquer postura masculina que discorde das idéias dos homens “politicamente corretos”. Então estes homens, para não serem mal vistos por esta mesma sociedade, começaram a se CALAR. Significa que estes homens pararam de falar? Também, mas muito mais do que isto: eles deixaram de ser “homens”. Calma! Não estou falando de uma ala que cresce cada vez mais no mundo (homossexuais). Pode até ser que exista alguma relação, mas não é disto que estou falando. Estou dizendo que os homens passaram a ser exigidos como se pensassem, gostassem, falassem, se comportassem como as mulheres o fazem. Só esqueceram de dizer para Deus que não havia necessidade de criar dois seres com estruturas biológicas DIFERENTES, bastava criar um ser andrógino (um mesmo ser com os dois sexos) e aí não teríamos mais esta briga de quem fala ou manda mais (acho que ainda assim teríamos estas brigas).

Ao contrário dos “machistas” que faziam questão de manter seus postos de autoritarismo frentes as mulheres, deixando bem claro as diferenças entre os gêneros, esta nova geração não quer fazer esta diferença, não! Ela quer que os homens sejam “parecidos”(?) com as mulheres. E aí o que temos é um “assassinato” à masculinidade. Não basta homem saber dirigir, é preciso saber cozinhar. Não basta ser bom provedor, é preciso lavar, passar, andar bem vestido, perfumado, fazer a sobrancelha e de quebra gostar de novelas e filmes românticos. Não basta ser forte, vigoroso, é preciso ser delicado. Não basta trabalhar e estudar, é preciso levar as crianças ao médico, ir nas reuniões de escola, fazer um solo musical na comunidade religiosa e se der tempo exercícios na academia, quem sabe um Pilates. Homem não basta ser higiênico, precisa conhecer os novos cremes faciais. Não basta mandar flores, precisa conhecer poesias, músicas românticas, e parecer com o galã da última novela das oito. Homem não pode ser objetivo e direto, precisa conversar por horas e horas, ouvir muito e falar macio. Falar? De preferência não, homem bom é homem que acena com a cabeça o sinal de sim senhora e depois fala só o que querem ouvir. É mais ou menos assim: fale o que você está pensando desde que não me irrite, se não minta!
Não sou contra homens que fazem tudo isto, só estou dizendo que exigem dos homens hoje em dia que façam todas estas coisas para só depois serem considerados homens modernos e atuais (?).

Este tipo de pensamento moderno que tem formado um bando de homens frouxos com ar de galã, tem criado homens sem responsabilidades, sem poder de decisão, sem hombridade. Os “heróis” (igual os dos filmes que as mulheres gostam porque não vivem com eles, porque em filme e novela tudo é perfeito) tem sumido e dado lugar para homens de capa de revista feminina. Homens que não sabem mais trocar o pneu do carro, cozinham bem, mas fazem amor com medo de serem criticados por suas parceiras porque algum palestrando estúpido (diga-se de passagem o que mais existe hoje é palestrante ensinando os outros como é viver uma vida “politicamente correta” ganhando muito dinheiro com isto e na verdade contribuindo para este tipo de família mirrada e frouxa) disse que a última moda do sexo é fazer amor derramando mel da África ou usando afrodisíaco indiano (santo Deus!).
Estamos formando para a próxima geração meninos que serão homens com medo de assumir suas tarefas, suas vidas, seus erros. Sim! Devemos assumir nossos erros em que por milênios dominamos as mulheres com forças bruta e arrogância; porém admitir erros não é o mesmo que escondê-los criando novos erros. E é o que temos feito, errando ainda mais.
As mulheres que estão conquistando “o mundo” (Será? O que tenho visto são mulheres que continuam sendo cada vez mais explorada, mas agora “ganham bem” para isto), hoje trabalham em jornada dupla, às vezes tripla, isto porque os homens estão sendo ensinados que não devem assumir suas responsabilidades. As crianças estão sendo mal educadas, porque ensinam ainda hoje que as mulheres são melhor educadoras, mas ao mesmo tempo querem que os homens eduquem estas mesmas crianças com mesma intensidade (vai entender!). As mulheres assumiram a decisão de flertar cada vez mais, e os homens não sabem lidar com esta nova situação, então eles hoje é quem não flertam mais, e as mulheres se queixam disto. As mulheres assumiram postos de comando, se tornaram independentes (mesmo?), muitas dizem não precisarem mais dos homens, mas ao mesmo tempo reclamam que os homens estão “sumindo”, e exigem que os tais “cavalheiros” retomem seus postos. Ou seja, elas querem que o homem continue abrindo a porta do carro, puxando a cadeira, enviando flores, trocando o pneu, a resistência do chuveiro, e depois de tomar um bom banho, tornem-se bons amantes. Mas se uma mulher hoje for mestre de obra, motorista, ou pugilista, nós homens temos que aplaudir e não podemos cobrar que elas depois de um bom banho voltem a ser femininas como em tempos remotos, se não seremos chamados de machistas (?).

Mulher em crise e em depressão? Ok! Homem em crise e em depressão? Vá virar homem! - Diz a sociedade, mesmo exigindo que este homem tenha “sentimentos”.

O bem da verdade é que não sei para onde estamos caminhando. Há quem diga que estamos no caminho certo. Há palestrantes que adoram fazer a platéia rir quando falam sobre casais (um belo nicho para se ganhar dinheiro hoje em dia), mas nem de perto discutem realmente os problemas reais da atual sociedade. O fato é que as famílias estão se deteriorando, os casamentos cada vez mais tarde para começarem e mais cedo para terminarem. Traições e desgostos estão instalados em nosso meio, e ainda tem gente com este papo furado de machismo. Nosso problema deixou de ser machismo, hoje é o de ser “homem”.

Sim... ainda existem muitos machistas (talvez a maioria), mas digo que cada vez mais surgindo os tais “novos homens” que a sociedade tanto quis, mas que tem trazido problemas iguais ou maiores.

Que Cristo nos ajude a formarmos homens de verdade. Que não tenham medo de se expor, até mesmo de serem criticados ao errarem, mas homens o suficiente para consertarem seus erros. Que os homens voltem a assumir seus postos, suas responsabilidades. Que saibamos amar as mulheres, mas não em detrimento a nossa masculinidade só para “parecermos com elas” ou politicamente corretos. Deixe que as mulheres sejam mulheres, mas deixe que os homens sejam homens - de preferência bons homens.

Espero que voltem a nos deixar falar.

P.S.: Sou pai de um filho lindo, casado com uma linda esposa, sem nenhum problema de masculinidade ou identidade, que expresso meus sentimentos, sei me impor, mas lavo, passo, cozinho, trabalho, troco o pneu do carro, levo meu filho à escola e ao médico. Só não sou adepto a cremes, Pilates ou tirar sobrancelha. Farei tudo que for possível e ao meu alcance, mas sem deixar de ser “homem” (não machista), e preferindo que minha esposa continue sendo “mulher” (não feminista).

Att.

Fabiano Mina