agosto 18, 2011

CAUSAM MAL QUANDO FALAM DE DEUS!


 Não faz muito tempo que em minhas reflexões pessoais tenho visto como muitas pessoas falam a respeito de Deus, ou pelo menos aquilo que elas entendem sobre Ele.

Temos muitos grupos de pessoas que falam sobre Deus, dentre elas temos: ateus, céticos, espiritualistas, crentes seculares, católicos, evangélicos, simpatizantes, e as mais diversas vertentes de pessoas que sempre especulam, pensam, raciocinam, experimentam, refletem sobre Deus. Mas o que talvez tenha passado desapercebido é com qual causa de conhecimento ou profundidade que falam sobre Ele. 

Um dos autores que estudo – Nicolau de Cusa – alega que as proposições que utilizamos para falar sobre Deus são insuficientes, portanto é mais fácil falar o que Deus não é do que realmente ele seria. Este tipo de pensamento é conhecimento como Teologia Negativa (que se aproxima muito da mística cristã); o que ele chama de uma “douta ignorância”, ou seja é admitindo nossa ignorância racional diante de Deus que conseguimos nos aproximar mais dEle. E esta aproximação é intuitiva e não analítica. Isto não significa que nossa intelectualidade não deva ser utilizada, ao contrário, ela deve ser e muito. O fato é que devemos utilizar nossa intelectualidade mais para demarcar “nossos” limites racionais, e elaborar questões mais objetivas a respeito do divino para a nossa própria vida; e não ficar elucubrando coisas a respeito dEle, como eu disse, sem tanto conhecimento de causa.

E nestas tentativas de falar a respeito de Deus, estes vários grupos de pessoas apelam ou para uma certa “experiência” pessoal com Deus, ou a falta desta experiência. Os que assumem algum tipo de experiência pessoal com Ele, dizem que o conhecem profundamente. O problema deste tipo de argumento que emplaca na experiência é que a EXPERIÊNCIA passa ser o termômetro epistemológico a respeito de Deus. Ou seja, os que assumem algum tipo de experiência com Deus seriam os que detém a verdade a respeito dele. Mas se a experiência for o termômetro, então TODOS que alegarem algum tipo de experiência pessoal com Ele deveriam ser respeitados como profundos conhecedores de Deus (?). Mas sabemos que este argumento não é aceito nem mesmo pelos que apelam para a experiência com Deus; pois os mesmos não aceitam OUTRAS experiências que não sejam as próprias deles. Sendo assim nesses grupos onde há experiências há sempre desconfianças de quem fala ou não a verdade sobre Deus partindo da experiência simplesmente.
Significa que ficar falando de Deus para os outros e até para si mesmo baseando-se em experiências pessoais pura e simplesmente é muito superficial, é muito clichê, é forçar muito a barra; isto quando não é até mesmo a idolatria da experiência pessoal. Bastante típico do pedantismo. 

Outro grupo é o que não apela de forma alguma para o argumento da experiência. Falar de experiências é quase que um sacrilégio para estes. As pessoas deste grupo tentam definitivamente eliminar qualquer idéia a respeito de Deus por causa de alguma experiência, como no caso de ateus e/ou céticos; ou são aqueles religiosos que tentam racionalizar o máximo possível sobre o conceito de Deus, diminuindo a necessidade de se ater às experiências pessoais dos indivíduos, ou seja, as experiências não dizem muita coisa. Para estas pessoas os conceitos a respeito de Deus são tão diversos que chegam momentos que nem mais sabemos de qual “deus” se está falando.

Eu poderia traçar um pouco mais especificamente cada um destes grupos, mas o que importa para esta pequena reflexão é apenas apontar o fato de que estes diversos grupos que estão tentando falar a respeito de Deus, seja em seus cultos, círculos religiosos, nos seus momentos intimistas, na academia (universidades/faculdades), etc., parecem estar cada vez mais distantes de Deus. E quando falo distante de Deus, não estou falando apenas do conceito ocidental do Deus judaico-cristão, estou falando de todos os tipos de predicados que se consiga relacionar à divindade, da qual cada um de nós alegamos ser Deus.

Mas em especial os grupos religiosos são campeões! Pois não só tentam definir o que seria Deus e COMO se relacionar com Ele, como dogmatizam o que seria este comportamento procurando sempre padronizar nossa relação com a divindade. As religiões em geral tendem a se institucionalizar. Elas iniciam com sincera busca a respeito de Deus, buscas individuais, grupais, na maioria das vezes pautadas em experiências pessoais e relatos de terceiros; mas ao passar do tempo dogmatizam, delimitam, impõem, e deixam estas tarefas para líderes despreparados, superficiais, fracos; às vezes dúbios, interesseiros e falastrões - que se escoram no carisma ou na oratória formatada. Estes simplesmente viram líderes não pela capacidade ou pelo menos não pelos esforço de se tornarem cada vez mais capazes, mas simplesmente porque "agradam" os egos ou sentimentos rasos de uma população necessitada, carente, desejosa por Deus. Um povo que se contenta com superficialidades.

Seria mais ou menos alguém que está no deserto e encontra "qualquer um" oferecendo algumas poucas gotas de água e aceita achando que aquele pouco já ajuda para matar a sede, e "se contenta". Mas se continuasse caminhando, procurando um pouco mais encontraria um oásis e veria que aquelas "poucas gotas de água" são superficiais perto da imensidão de água que poderia encontrar. Foi mais ou menos o que Cristo quis dizer ao afirmar que ele é a água que jorra para a vida eterna, ao falar com a mulher samaritana no poço de Jacó (João 4)

Assim as religiões, principalmente o que temos visto no Brasil, utilizam o slogan Cristo ou Deus na pior das banalidades que o próprio marketing das empresas jamais faria.
Os religiosos vão se multiplicando, e os aparatos eletrônicos, de mídia, digital, etc., vão se tornando “a experiência” principal para alimentar a falta de profundidade a respeito de Deus, pois na superficialidade divinal o jeito é apelar para as “coisas desta terra”.

Estes religiosos passam a trocar Deus não por experiências pessoais mais, mas por experiências superficiais. Os ateus e céticos passam a analisar e criticar não um Deus pessoal, mas um “deus” superficial apresentado por estes mesmos religiosos. E aqueles que apelam para uma espiritualidade pessoal, saem das instituições mais críticos do que entraram, mas criticando as coisas erradas, pois não perceberam que eles mesmos eram superficiais neste relacionamento com Deus e provavelmente continuam sendo, só que agora a-institucionaliados.

Tá muito “papo cabeça”? Acho que sim! Bom... o fato é que nestas minhas reflexões e com a sede que tenho a respeito do que venha ser pessoas que profundamente conhecem a falem a respeito de Deus; o que tenho percebido é muita coisa insossa, muito mecanicismo religioso, muito marketing de mau gosto, muito ceticismo baseado nos erros dos outros e não em uma procura sincera, muita religião alienante, e muito racionalismo desmedido, muito tecnicismo, muita fórmula pronta. Estas pessoas "causam “mal quando falam de Deus”! Elas perpetuam a superficialidade a respeito de Deus, mas mascarando como se fossem coisas profundas. É o velho ditado: "em terra de cego, caolho é rei!"

O que fazer? Se for como no meu caso, continue procurando, buscando, questionando, reavaliando. Toda vez que sentir sede, busque a verdadeira água, não se contente com estas poucas gostas. Eu ao máximo possível fico preso única e exclusivamente aos meus verdadeiros anseios a respeito dEle. Preso à minha consciência. Preso ao desejo pela Verdade; e em nada mais! Preso só por Ele e para Ele! Mesmo que isto signifique romper com todas estas instituições superficiais travestidas de profundas. Até porque não são elas que me trazem vida e a sustenta. Mas não estar preso não significa não estar "em algum lugar junto com algumas pessoas". Há uma larga diferença entre não estar preso e não participar de lugar algum com nenhuma pessoa. Não confundam!

E você, que tal embarcar nesta comigo? Só tem um problema: quando buscamos profundidade a respeito de Deus ou se achar melhor: a Verdade; inevitavelmente nos depararemos com coisas desagradáveis, inclusive conosco mesmo.

Fabiano Mina