janeiro 19, 2011

Eu não gosto de jiló! Não tem algo mais gostoso?

Quantas vezes ouvimos pessoas dizendo que não gostam de jiló. Este tipo de comportamento adquirimos durante a infância. Para quem não sabe as crianças adquirem hábitos alimentares que os pais ensinam. Se um pai e uma mãe possui determinado hábito alimentar, seus filhos, provavelmente, adquirirão os mesmos hábitos.
O mesmo ocorre quando “facilitamos” a vida dos nossos filhos com hábitos atuais. Atualmente as crianças e jovens têm criado hábitos alimentares muito pior do que os nossos e dos nossos pais. Eles querem estes alimentos “enlatados”, alimentos fest food, alimentos superficiais, que dão sensação de prazer, porém pouco alimentam. O Brasil é um dos países no mundo com maior problema de obesidade entre as crianças e adolescentes, seguindo exemplo dos EUA e China que possuem mais de 20% de obesos. Hoje mais de 11% da população brasileira possui problemas sérios com a obesidade. Sinal de que nas últimas décadas nossa alimentação não tem sido a melhor.

Mas porque não comemos então jiló? Não é um alimento bem melhor, mais barato, mais nutritivo se comparado com estes alimentos superficiais?
Todos nós sabemos que é melhor, porém é MENOS GOSTOSO.

Algumas pessoas perguntam porque muitas coisas não dão certo na vida. A resposta é na maioria das vezes muito simples: porque queremos as coisas mais gostosas da vida; porém o mais gostoso não é sinônimo de MELHOR.
Deveríamos lutar para termos o melhor para nossas famílias, para nossos amigos, para nossa comunidade, país, nação, mundo. Mas não buscamos tais coisas, buscamos aquilo que é MAIS GOSTOSO.

Do mais gostoso pessoas estão ficando ignorantes, pois é mais gostoso se divertir do que estudar. Do mais gostoso pessoas estão ficando viciadas, pois é mais gostoso usar drogas do que buscar alegria “careta”. Do mais gostoso casais se divorciam, pois é mais gostoso trair, do que ser fiel. Do mais gostoso igrejas perderam o foco em Cristo, pois é mais gosto dinheiro, fama, glamour, do que trabalhar pelos necessitados. Do mais gostoso pessoas estão sofrendo com desastres naturais, pois é melhor falar da desgraça dos outros sentados no sofá mudando de canal, do que preventivamente ajudar estas pessoas antes de tais catástrofes. Do mais gostoso políticos roubam nosso dinheiro, pois é mais fácil falar mal de político depois que roubam, do que participar das ações políticas do nosso pais, afinal de contas, quem é que gosta de política (jiló)?

Somos os da época do gostoso e não do jiló. Precisamos de jiló e não de coisas gostosas, pois do gostoso o mundo está se acabando. Não que o gostoso não deva ser vivido e usado em determinado momento da vida, mas é muito mais fácil viver o gostoso quando buscamos o melhor do que o contrário.

Fabiano Mina

janeiro 14, 2011

Por favor, não me incomode!

Ei! Por favor, não me incomode com seus problemas, eu já tenho os meus.

Estou precisando pagar minhas dívidas, não me venha com as suas.
Preciso estudar, não me venha com suas dúvidas.
Tenho que criar os meus, não me venha perguntar sobre os seus.
Vou me planejar, não me incomode com sua ânsia.

Quero viajar, não me peça para ficar.
Estou com minhas dores e tristezas, não me atarefe com suas mazelas.
Vivo para mim, por isso não quero conhecer mais de ti.
Não preciso do seu amor, já basta ouvir sobre sua dor.

Não preciso de alguém, tenho um celular.
Felicidade? Uma ida ao teatro, um cinema e um pedaço de pizza é minha alegria!
Pessoas sofrendo? E eu com isto?!
Morte, pestes, dor, sofrimento...? Isto não é para mim, deixo isto para Cristo!

Por favor, não me incomode! Este sou eu. Finjo sabedoria recitando versos prontos, lendo livros e música cool. Critico para esconder minhas falhas, e quando surgem minhas falhas, finjo humildade balançando a fronte. Dou risadas para ser politicamente correto, e compra roupas da moda para parecer ser melhor do que sou por dentro. Sou religioso então frequento "religião", afinal de contas melhor lugar para medir minha mediocridade. Faço cursos, pós, graduações, afinal nada melhor do que um currículo para apresentar aos "ignorantes".
Pecado? Eu? Ah! Até tenho, mas nada como algumas "preces", um sorriso maroto e um tapinha nas costas para aliviar minha consciência, que pesa de vez em quando, mas muito de vez em quando. 

Sim! Sou o homem (mulher, jovem, velho) do século XXI, entre muitos neste mundinho, mas sozinho, solitário, egoísta e iludido com algo que nunca saberei: SABER QUEM EU REALMENTE SOU!

Fabiano Mina 

janeiro 10, 2011

Rápido Testemunho

Estes dias estava lendo alguns assuntos referentes a festas, comemorações, etc., de um doutor bastante conhecido e lendo seu blog ele confessou que tinha certa dificuldade em escrever na linguagem de blog, pois estava acostumado escrever para revistas especializadas, introduções, comentários, etc., sua aptidão maior era para textos acadêmicos, enquanto o blog, apesar de ser, para ele, de assuntos relevantes, deveria manter um perfil mais pessoal, que as pessoas conseguissem acessar o pensamento do autor de uma forma mais subjetiva em não tanto objetiva. Significa dizer que ele deveria mostrar mais quem ele era do que propriamente o que ele pensava (apesar de uma coisa está ligada à outra).

Depois de ler isto, pensei sobre os meus próprios escritos. Não sou um intelectual do nível deste autor, até porque ele tem muito mais anos de estrada do que eu, poderia até dizer que ele está terminando sua estrada enquanto eu apenas iniciei a minha. Porém o interesse que ele possui é o mesmo que o meu: usar estas ferramentas de comunicação para coisas relevantes. Não tenho nenhum interesse em escrever em blog, twitter, facebook, etc., para dizer o que comi hoje de manhã, se estou com dor de cabeça, soltar piada que apenas eu dou risada, coisas do tipo. Não que eu não ache que pessoas não devam fazer isto; até acredito que muitas pessoas só escrevem tais coisas porque só têm isto mesmo para oferecer; porém não é minha perspectiva de comunicação.

Porém creio que eu também enfrento o mesmo dilema deste intelectual, pois há pessoas que precisam, também, saber um pouco mais de mim para que possam fazer algumas comparações, então darei um rápido testemunho da minha vida para mostrar para muitas pessoas, que como eu, precisam de motivação e analogias existenciais para continuar lutando. Vamos lá!

Bom... meio óbvio já de início mas... sou de família pobre, sou o terceiro de 7 irmãos, sendo que os dois primeiros morreram ainda na barriga da minha mãe (gêmeos), meu irmão mais velho sofreu grave problema no parto (FOSP – uma técnica de parto muito arriscada) que deixou seqüelas cerebrais impedindo seu desenvolvimento mental normal. Logo em seguida minha irmã, eu, meu irmão e uma menina a caçula (não utilizarei o nome deles porque não fui oficialmente autorizado para falar deles...rs). Minha mãe casou-se jovem com meu pai, sendo minha mãe da Parabíba (João Pessoa) e meu pai do interior de São Paulo (cidade de Garça). Eu e todos meus irmãos somos paulistanos.

Minha mãe trabalhou maior parte do seu tempo como doméstica, só depois de alguns anos assumiu a profissão de cabeleireira, enquanto meu pai fez muitos trabalhos, mas sempre envolvido como motorista, profissão que possui há mais de 30 anos e que exerce até hoje.
Eu comecei fazendo alguns “bicos” logo cedo com meu pai, e comecei meu primeiro emprego registrado aos 14 anos de idade, uma profissão chamada “continuo-menor” (nome inexistente hoje em dia). Sempre fui bem na escola, sempre passei com notas boas e nunca repeti um ano escolar. Este tipo de comportamento escolar eu adquiri exatamente pelas dificuldades que minha família sempre enfrentou, pois com uma mãe doméstica um pai motorista, uma família grande e um irmão com deficiência mental, o que eu sempre ouvia dos meus pais era: - você precisa ser inteligente, crescer, aprender para se dar bem na vida. Nunca fume, não roube e não se envolva em problemas.
Pode parecer bobagem para alguns, mas estas frases sempre repercutiram na minha mente porque era acreditando nelas que pensava um dia poder sair da vida que levava e poder ter uma vida melhor para mim e minha família.
Dificuldades sempre tive, como qualquer garoto pobre. Com dois anos de idade sofri uma intervenção cirúrgica por ter engolido uma gilete... pasmem, engoli metade de uma gilete que achei no chão do quarto dos meus pais e fui levado para o hospital fazendo uma cirurgia para retirar o objeto cortante. Claro que como todo bom médico da época, ele já havia decretado minha morte para meus pais antes mesmo de iniciar a cirurgia, alegando ser impossível que a gilete já não tivesse feito um estrago no meu estômago. Coisa que não se verificou quando fizeram a cirurgia, já que a gilete ficou presa em uma posição no estômago impedindo que o mesmo fosse cortado. Milagre?
Eu e minha irmã mais velha sempre fomos responsáveis pelos nossos outros irmãos, então desde cedo dividíamos nosso tempo de criança com responsabilidades de adultos, obrigando-nos a responsabilidades desde cedo. Tipos de responsabilidades das quais nossos pais não tinham como evitar pela vida que tínhamos, porém deixando para nós, como crianças, seqüelas emocionais enormes, que não dará tempo de relatar aqui.
Em determinada época da vida meus pais se separaram depois de 17 anos juntos (voltaram há poucos anos), minha irmã mais velha saiu de casa para tocar sua vida e se casar, então, de certa forma, eu me tornei o responsável pela família junto com minha mãe. Aqueles pensamentos que outrora como criança eu havia aprendido com meus pais permaneciam vivos em minha mente, então mesmo buscando diversão pelo mundo afora com “amigos”, eu sempre tinha em mente as responsabilidades com a minha casa, com a minha família, com a minha mãe e irmãos.
Acabei me tornando um filho-pai. Uma pessoa que cobrava não só dos meus irmãos, mas também da minha mãe responsabilidades para com a família. De certa forma tudo passava pela minha opinião e assim foi se formando minha personalidade. Passei a ser uma pessoa de convicções, personalidade forte, sonhadora, exigente principalmente comigo mesmo, e o que sempre estava latente em minha mente era: crescer, aprender, melhorar para ajudar sempre a mim e meus familiares.
Assim toquei minha vida. Com alguns tropeços em alguns empregos que tive, consegui me firmar em duas grandes empresas, sendo a última que estive como empregado a que mais me desenvolvi, como homem e como empregado. Eu tinha sede por aprendizado, todo os cursos que eu podia fazer eu fazia. Era fiel com os compromissos da empresa, trabalha o máximo que eu podia, e tentava conciliar isto com diversos cursos: digitador (não existe mais...rs), inglês, telecomunicação, webdesigner, neurolinguistica, vendas, violão, dança de salão, percussão, canto, etc. O que aparecia eu tentava fazer. Me graduei em Filosofia, fiz extensão em História e Sociologia, atualmente mestrando em Ciências da Religião pela PUC.
Cheguei a trabalhar como autônomo e depois de algum tempo me tornei funcionário público (professor).
Claro que as coisas não foram bem assim como as frases relatam. Neste meio tempo tive diversos conflitos de ordem emocional, religiosa e sentimental. Não tive muitas namoradas, isto porque sempre estive focado em trabalho e estudo, porém sempre estava envolvido com amizades, paqueras, diversão. Pratiquei diversos esportes. Minha mãe me iniciou no karatê, não deu certo; entrei para fustal, jogava vôlei e basquete, mas acabei ficando no futsal e fazendo ponte no futebol de campo, sempre como amador. Passei a treinar capoeira, me tornando contra-mestre e depois de uma contusão parei.

Não fui iniciado cedo na leitura clássica, sempre estive envolto a leituras mais superficiais (revistas, gibis, livros empresariais, etc.), coisa que me atrapalhou para os estudos acadêmicos. Tive que recuperar esta deficiência praticamente devorando livros como autodidata. Passei a gostar de leitura e me tornei um leitor eclético. Lia de tudo a ponto de revisitar minhas crenças religiosas. Sou de criação católica e praticante, mas no final da adolescência passei a freqüentar o espiritismo-afro (influência que já tinha por parte da família do meu pai) e em seguida kardecismo. Porém depois de muitas reflexões, buscas e acima de tudo de necessidade existencial, me deparei com o protestantismo reformado (histórico) do qual até hoje faço parte... não que ainda não tenha minhas buscas existenciais, porem é o lugar onde consegui falar mais de perto com um homem chamada Jesus Cristo, uma personalidade acima de todos, um divisor de águas para a humanidade, capaz de dar as respostas mais simples e profundas para nossa existência. Ele já era apresentado nestas outras andanças religiosas, porém nunca de forma clara e desnudada com encontrei nesta última. Um dos legados mais importantes que Jesus nos deixou foi a busca da Verdade sempre, e isto está acima de tudo e de todos; e uma religião que impeça isto não pode merecê-lo como tal. É isto que busco, uma religião que não impeça a busca da Verdade.

Contudo isto aqueles meus pensamentos de criança ainda permaneceram. Encontrei uma jovem maravilhosa que conseguiu resistir a todos estes meus conflitos internos e vontades existenciais que poucas mulheres conseguiriam acompanhar. E quando digo acompanhar não é porque ela, que é minha esposa Débora (ela me permitiu dizer o nome...rs), é igual a mim ou pensa como eu, ela me acompanha exatamente porque provavelmente é o que ela mais gosta de mim, esta minha sede de desenvolver, crescer, mas acima de tudo querer o melhor nunca para mim apenas, mas para a FAMÍIA. Ela meu deu um presente do qual me tornei viciado, sou apaixonado, não consigo me desligar deste presente em nenhum momento e está neste momento ao meu lado quando digito este texto. Não, não é meu notbook, estou falando do meu FILHÃO Eduardo (que vocês poderão ver sua foto no final desta página). Ele é criação do meu relacionamento com minha esposa, é o presente mais lindo que ela poderia me dar, e o único que pode dividir o amor que até então era só dela e para ela. Assim conquistei, antes mesmo de concretizar meus sonhos de infância, uma coisa mais importante: minha própria família. Família esta que quero passar muitos valores que obtive em minha infância, mas ao mesmo tempo impedindo que eles vivam os mesmos traumas, se posso dizer assim, que vivi e que são desnecessários. Por isso mais do que nunca minhas motivações de infância continuam vivas: continuo sendo aquela criança querendo o melhor, fugindo dos males desta vida, mas procurando desenvolver olhando sempre para minha família. Por isso ainda sou exigente, agora sim pai e não mais filho-pai como antes, sou sedento por crescimento, mas um crescimento que traga alegria para minha família. Por isso gosto de livros, mas gosto muito mais de pessoas, gosto de informação, mas muito mais de praticá-las, gosto de cobrar, mas gosto muito mais de resultados, gosto de seriedade, mas muito mais quando a seriedade traz consigo alegria e felicidade, gosto de mim, mas muito mais dos que estão em minha volta – meu amigos e minha família.

Sim... sou um cara família. Quer me encontrar, basta ligar e estarei em casa, caso contrário ligue para minha esposa e estarei ao lado dela, ou ligue na casa de meus pais, irmãos, sogro e sogra (por incrível que pareça...rs) e ali estarei.
Sou família porque meus pensamentos de infância ainda fervilham em meu coração. Quero fazer daquilo que foi decepcionante para mim o excepcional para eles. Sei que não conseguirei tudo o que quero, até porque o tudo que normalmente queremos é na maioria das vezes DESNECESSÁRIO para vivermos uma vida feliz. Mas continuarei sempre lutando e buscando o melhor.
Concretizei mais alguns sonhos neste ano de 2010. Agora em 2011 será um ano de divisor de águas, de um Fabiano com desejos e sonhos, para um Fabiano com mais realidades e compromissos.
Sou grato aos meus pais por tudo que fizeram por mim dentro de suas responsabilidades, os amo demais, tanto que acho que me pareço muito com os dois a ponto de ter as manias dos dois. Meus irmãos sãos os melhores irmãos que eu poderia ter nesta vida, não porque eles são irmãos dos sonhos, mas porque são irmãos dos meus sonhos. Irmãos que independente de defeitos e qualidades, eles também compartilharam a mesma vida difícil que vivi e eles também lutam para crescer, aprender, melhorar, cada um do seu jeito e da sua forma, os amo muito (todos buscam servir a Cristo como eu, com suas particularidades pessoais). Já disse e repito, amo muito minha esposa e filho. Amo-os com este meu próprio jeito de ser, de falar, de gesticular, amo-os exatamente como sou, sem imitar novela, sem imitar livros de auto-ajuda, sem imitar o vizinho do lado muito menos discursos religiosos, os amos muito exatamente porque amo como eu sou e quem eu sou.

Este foi um pouco de mim para aqueles que me acompanham. Aos meus amigos de velha data, os amo muito também e vocês sabem disso (eles também não me permitiram citar seus nomes...rs) aqueles que me conhecem há pouco, peço apenas paciência, pois atrás deste homem há um menino ainda com sonhos e desejos, que muitas vezes são expressos de forma precipitada, estranha, incoerente, mas são apenas manifestações. Dêem tempo para mim e acredito que poderei conquistar-lhes também o coração. E os que não conseguir, sempre um profundo respeito poderá existir entre nós, acredite!

Abraços a todos e até uma próxima oportunidade, e quem sabe relatando mais de mim de forma mais pessoal. Até um dia eu ler este post outra vez, achá-lo muito piegas e deletá-lo!

Fabiano Mina

Está pronto para recomeçar?

Pronto! Já iniciamos 2011, então é hora de colocar em prática tudo aquilo que prometemos para 2010, e anos anteriores, que não conseguimos fazer ou ficou pelo meio do caminho.

Mas analisem comigo uma situação: certa vez, ainda quando morava na casa de meus pais, eu presenciei uma disputa entre meus pais e seus vizinhos, pois na época em que as duas casas foram feitas (dos meus pais e dos vizinhos) o responsável pela divisão dos terrenos errou na metragem fazendo uma divisão errada pela diferença de 30cmts. O que aconteceu então é que na planta da casa do meu pai indicava uma metragem, porém no início dela o muro que fazia a divisão entre a casa dos meus pais para o do vizinho entrava estes 30ctms no terreno do vizinho. Quando o vizinho resolveu certa vez fazer a reforma da sua garagem o responsável pela reforma indicou isto para ele. Desde então o vizinho passou a reclamar esta quantidade “enorme” de terreno que era de seu direito exigindo que meu pai fizesse um outro muro derrubando o antigo fazendo assim no local correto. Na oportunidade era um gasto do qual meus pais não haviam previsto o que atrapalhava muito esta negociação, mesmo assim o vizinho resolveu ser intransigente e o muro teve que vir abaixo. Então o vizinho levantou o muro no local correto no início do seu terreno a começar pela sua garagem e corredor que iniciava na calçada.
O que este vizinho não esperava era que este MESMO problema ocorria no final do seu terreno, porém, agora, com o direito invertido. Invertido porque agora era o terreno dele que estava invadindo o terreno dos meus pais. Ao chegar no final do terreno da sua casa o muro dele não estava entrando 30cmts, mas mais de 1mt. Significa que ele então é quem teria que derrubar o seu muro para que a JUSTIÇA que ele intransigentemente cobrou fosse aplicada. Enfim, fato é que até hoje este muro não foi mexido, isto porque no final da sua casa há um cômodo que ele teria que derrubar para conseguir delimitar o muro no local correto, o que lhe gastaria muito mais tempo e dinheiro do que ele poderia investir. Moral da história: ele sugeriu uma reforma da qual ele mesmo não pôde arcar, pois percebeu que a reforma exigia muito mais do que ele pretendia.

Esta história é verídica, mas a lição que devemos tirar dela vai além de uma problema de disputa de terreno entre vizinhos, a questão é: quando vamos iniciar alguma coisa em nossas vidas normalmente paramos o que iniciamos porque não estamos dispostos a enfrentar as situações que virão junto com nossas decisões. Assim como o vizinho apenas pensou no início do que pretendia, muitas vezes somos nós. Fazemos diversos planejamentos, mas esquecemos de colocar dentro destes planejamentos coisas que não podem ser planejadas, as chamadas variáveis, surpresas, as intempéries.
Na vida nada é planejado a ponto de não termos dificuldades e surpresas. A vida é interessante exatamente porque não sabemos com 100% de certeza tudo que irá acontecer. Estamos sujeitos todos os dias a enfrentar problemas, dificuldades, coisas que fogem até mesmo do nosso alcance. Então quando estas coisas surgem o que devemos fazer? Parar? Desistir? Deixar aquilo que iniciamos de lado e esperar o final do ano passar para prometer tudo outra vez? Não! O que devemos é continuar tentando, lutando, buscando terminar aquilo que iniciamos, mesmo que seja para recomeçar. E mesmo que em dado momento acharmos que aquele planejamento deve ser abortado para começarmos outro, não podemos nos esquecer que mesmo com outro planejamento as dificuldades surgirão e muitas vezes maiores do que as anteriores.

Portanto a diferença para as pessoas que se dão bem na vida para as que não se dão, não está porque uma inicia um planejamento bom e outra não, não é porque uma não tem problemas e a outra não, não é porque uma começou antes e o outra depois. A diferença está entre aquele que sabe que problemas surgirão inesperadamente e deverão ser enfrentados a todo custo, enquanto outros desistirão exatamente porque não esperavam por eles, então começarão sempre do início tudo de novo, mas apenas farão isto a vida inteira: recomeçarão, sem nunca terminar.

Esta decisão é sua – está pronto par recomeçar? Se sim, então enfrente os problemas.

Fabiano Mina.