novembro 15, 2010

Lembranças

Tudo bem, admito que o título poderia ser nostalgia, mas vamos lá: quem é que nunca precisou se agarrar em uma nostalgia para conseguir enfrentar esta dura realidade que temos vivido nos dias atuais?

Lembro de quando uma criança sempre pedida permissão para seu pai, mãe ou mais velho antes de decidir alguma coisa,
Lembro quando jantar junto com a família era uma tradição quase que sagrada, pois a televisão ficava sempre em segundo plano,
Lembro quando empinar pipa e jogar bolinha de gude não era legal apenas pela brincadeira em si, mas porque era uma ótima oportunidade para vermos nossos amiguinhos,
Lembro quando a coisa mais sensual que uma criança poderia fazer era dar uma selinho na boca de outra, e relembrar aquela semana durante meses,
Lembro quando íamos ao circo dar risada com os palhaços, risadas de brincadeiras tão ingênuas que o máximo que nos escandalizava era quando os palhaços mostravam suas ceroulas com bolinhas vermelhas,
Lembro quando ouvia as histórias de minha avó, e morria de medo porque ela dizia existir a "mula sem cabeça",
Lembro que a escola era nossa segunda casa, isto porque lá além de aprender disciplinas básicas para vida, também aprendíamos que era a partir da escola que nos formávamos cidadãos éticos,
Lembro que a amizade era embasada nos sonhos, na esperança, na gana de vencer um pelo outro,
Lembro quando em São Paulo a chuva era uma garoa fina e copiosa, e a garoa uma fina névoa,
Lembro que o casamento era uma união com uma finalidade em comum, enquanto os filhos o selo deste casamento,
Lembro que ir à igreja não era mera rotina, mas uma obrigação sagrada de todos aqueles que se julgavam indignos da vida eterna, ou pelo menos os que tinha vergonha das bobagens que faziam,

Lembro, lembro, lembro... de tantas coisas que nem sei se lembro mais!

Bom... pensando bem é melhor deixar o título como lembranças mesmo, pois nostalgia provavelmente seria lembranças de coisas que um dia aconteceram, enquanto lembranças talvez sejam apenas sonhos que sonhei, mas que nunca se realizaram.

Fabiano Mina