julho 10, 2010

Ideb mostra que 35% das escolas ficaram abaixo da meta na 8ª série

"Na 4ª série do ensino fundamental, foram 26%. Índice é calculado com dados do desempenho e rendimento escolar."

 Todos aqueles que se preocupam um pouco com a educação dos seus filhos, ou até mesmo com os filhos dos outros, sabem muito bem que a educação não melhorou, ao contrário, comparativamente com outros paises piorou. Mas como é que vemos notícias do tipo: o índice do IDEB diz isto ou aquilo, no sentido de que houve algum tipo de melhoria? É simples: eles utilizam estatística pura e simples para alegar algum tipo de melhoria no ensino. O problema é que a estatística analisada friamente não condiz com a realidade nem com a necessidade do ensino. 
De qualquer forma como está no anúncio do noticiário que propus o IDEB demonstra que muitos estados brasileiros não atingiram o índice proposto como meta para o ano de 2009 (2010 será avaliado no próximo ano).


Veja bem, o IDEB mede o rendimento dos alunos das escolas públicas baseando-se em uma prova que é aplicada anualmente em determinados ciclos finais de cada etapa escolar para que se obtenha o suposto rendimento do aluno; ex: a prova é aplicada para alunos de 4º e 8ª do ensino fundamental e 3º do ensino médio para que se chegue a esta avaliação. O problema, além do que o noticiário já expõe, é que mesmo os alunos que conseguem obter aprovação no índice proposto pelo governo, passam em uma prova muito fraca, são questões muito básicas das disciplinas escolares, é um tipo de medição que está muito aquém do esperado para um país cujo desenvolvimento econômico tem batido recordes de crescimento e estabilidade. Significa dizer que só poderíamos alegar que o ensino melhorou se ele seguisse o mesmo ritmo de crescimento do país para não dizer mais; o que não ocorre.

O governo federal (estadual e municipal também) tem adotado uma meta para educação baseada apenas nestes índices, que perpetua o problema da educação no país que é o de permitir aos alunos, de pais abastados economicamente, se favoreçam das melhores condições de ensino, por conseguinte favorecendo a estes alunos as melhores condições no mercado de trabalho em detrimento de alunos de pais que dependem de escolas públicas, mas obtendo um estudo precário, consequentemente dando péssimas condições para que estes exerçam bons cargos no mercado de trabalho. Alguém pode objetar alegando que filhos de pais pobres advindos de escolas públicas conseguem bons cargos e boas universidades públicas. Eu refuto porque não se pode fazer da exceção a regra. A maioria possui dificuldade em brigar pelas mesmas condições de estudo e trabalho depois que saem das escolas públicas porque as condições de ensino são péssimas enquanto nas escolas privadas o ensino é superior, ou seja, continuamos a perpetuar o problema de desigualdade no Brasil a partir da educação.


O problema é tão grave que quando tais índices são apresentados se analisam alguns estados que atingiram os índices. Eu já disse acima, a prova aplicada está em um nível tão aquém que passar nela já é motivo de critica quanto mais não passar. Isto sem falar neste sistema de progressão continuada que tem "empurrado" alunos de uma série para outra sem quaisquer condições. Isto porque há um discurso neste tipo de pedagogia onde o aluno deve aprender ao longo da sua estada escolar, desde o fundamental até o ensino médio, supondo que ele saia com as condições básicas para o mercado de trabalho progressivamente e continue a aprender ao longo de sua vida; em outras palavra seria: - na escola te daremos o básico do básico e fora dela você se “vire nos trinta”. Isto é um absurdo, pois supondo que os alunos de escola pública tenham algum tipo de progressão que na verdade é um afrouxamento nas formas de avaliação e os alunos de escolas privadas possuam mais rigor e qualidade, obviamente o problema continua existindo, pois por mais que o índice aponte para uma progressão no ensino público ainda assim o ensino privado continuará superior exatamente por não adotar este tipo de afrouxamento com codinome de progressão continuada. Veja que não estou aqui criticando a idéia de progressão continuada, ela teoricamente é interessante, o que estou criticando é a sua prática dentro de uma realidade de desigualdade educacional onde na prática ela se torna apenas mais um instrumento de segregação.
O que devemos fazer então? Fora o blá blá blá que todos já conhecem, inclusive os políticos, o que devemos é alertar, criticar, cobrar, anunciar, cada vez mostrar mais e mais nossa insatisfação e torcer para quem sabe um dia uns políticos de boa vontade que queiram de fato exercer sua função façam algo pelo país, ou...  vamos fazer revolução? Melhor deixar esta parte para depois.

Fabiano Mina