julho 05, 2010

Burburinho cristão, deve ser rufutado também.

Aqui quero trazer um comentário que fiz a respeito do tema "As Contradições da prosperidade" proposto pelo Pr. Marcelo da IBG (Igreja Batista da Graça), cujo link segue adiante www.ibg.org.br/msantos/?p=385

Lendo a ótima análise que o pastor propõe a respeito das "contradições da prosperidade", teço o comentário a seguir; sugiro que os que queiram entender melhor meu comentário que primeiro acessem o link que citei.

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Concordo nos pontos em que a T.P. (Teologia da Prosperidade) é de fácil refutação teológica. Também o fato dela ser bem quista porque uma parte ‘dominante’ nos meios religiosos é o resquício de uma burguesia supostamente revolucionária que detém do poder capitalista e consequentemente de tudo que advenha disto – como o financiamento das igrejas no mundo liberal em que vivemos.
Mas, se me permite, enxergo um outro problema engendrado. Na minha parca visão, o problema não é apenas pela dominação econômica que esta burguesia detém(ve) e fomenta(ou) para toda a massa religiosa com este discurso de uma riqueza acumulativa validada por textos bíblicos, mas, também, pelo fato de que a grande parte dos religiosos (cristãos em especial) que argumenta contra a T.P. sempre valida de certa forma esta teologia no comportamento cotidiano eclesiástico ou diário, ou seja, o discurso contra a T.P. está pronto, formatado, claro; porém há sempre uma contradição no âmbito prático, há sempre um burburinho na forma de apresentar a relação pobreza/riqueza, bem estar/sofrimento, justiça divina/intempéries da vida, etc. Há sempre um dicotomia ou paradoxos que ocorrem na vida dos seguidores de Cristo que ao serem abordados nas religiões cristãs, sempre há uma certa indefinição (burburinho) incerteza, falta de clareza ao tratar tais temas, o que apenas acaba reforçando ou pelo menos não completamente refutando/anulando o discurso da T.P. Isto porque a T.P. apesar de ser facilmente refutável, em contrapartida, é coerente com a prática religiosa que ela mesma fomenta. Explico: é coerente no sentido de que se argumenta que é preciso dar para depois receber de Deus, que o dízimo é sim uma forma de barganha, que a oferta é sim uma chave para a porta da prosperidade material, que o dinheiro dado a igreja é sim uma forma de investimento no Reino de Deus (?), ou seja, o que eles apregoam eles levam para a prática religiosa (já os resultados são discutidos sempre dentro da ótica da mais fé ou menos fé, o que eles usam como um boa forma de explicação, até porque tem convencido seus seguidores até hoje, e continuam crescendo). E em contrapartida as religiões cristãs que criticam este comportamento da T.P. são coerentes com aquilo que se quer refutar ou afirmar? A meu ver, como disse acima, não. Não está tão clara nossa posição entre teoria e prática, ainda há um burburinho que precisa ser extirpado do nosso meio se queremos realmente esclarecer para os fiéis o que seja o verdadeiro Reino de Deus.

Fabiano Mina