julho 28, 2010

Beleza, uma questão que deveria existir?

Assistindo determinado programa de TV ontem à noite com minha esposa, o tema estava relacionado à beleza estética que cada vez mais é colocada com fundamental para todas, repito, todas as relações sociais no mundo atual. Isto porque, na temática proposta pelo programa, a beleza estética vem sendo cada vez mais alvo de procura em todos os setores da sociedade, inclusive dentro das instituições que outrora alegavam não se importarem com tais exigências ditas mundanas.

O problema é que – quando este tipo de assunto é colocado como questão isto significa que ele já é uma realidade, certo? Veja que a beleza estética não é algo novo; desde que o homem possui um tipo de especificidade daquilo que venha ser belo (e não quero entrar aqui no mérito histórico ou moral do assunto) este mesmo homem exige de certa forma este belo, haja vista os gregos que sempre cultuaram a beleza estética (mesmo como uma teleologia diferente da nossa, hoje) e nós possuímos esta herança ocidental grega, que cultua também a beleza, porém, hoje, colocando-a como “fim último”.

Este, a meu ver, é exatamente o problema; a beleza estética sempre foi alvo de procura, porém, diferente dos gregos, ela se torna a nossa MÁXIMA, ou seja, ela é não só o motivo de ser feliz, mas também finalidade e fundamento.
Quando olho para dentro das instituições que deveriam rechaçar este tipo de visão, percebo que elas já se apossaram dela. Basta olhar de perto e ver quem são as pessoas mais procuradas para um relacionamento, basta ver quem são as pessoas que chamam mais atenção para determinados fins. Isto significa que instituições, como a Igreja,Política, Escola, já estão impregnadas desta visão estética. Olhe nas capas de Cds religiosos e veja o perfil de beleza que estão nessas capas. Olhe para as escolhas que os namorados fazem uns dos outros a respeito daquilo que seria amor. Veja como a beleza estética tem usurpado tanto do tempo das pessoas em detrimento dos conteúdos que deveriam ter, obter e passar.

Não significa que não dou valor para a beleza estética, eu seria hipócrita se dissesse isto, o que afirmo é que ela não pode ser nosso primeiro alvo, ela não pode tomar lugar do conteúdo, da inteligência, dos bons tratos, do relacionamento altruísta e sincero, a beleza estética não pode ser um fim em si mesma, como vem sendo. Porém não sei se nossa sociedade tem interesse de que seja de outra forma que não a atual, então sobra perguntar: e você tem?
Se a beleza estética for colocada como principal para você, então é sinal de que a coisa já está feia.

Abraços,

Fabiano Mina

julho 21, 2010

De tão simples e fácil se torna muito complicado e difícil


Certa vez meu filho de 2,4 meses veio até mim e disse: - papai eu te amo!
Claro que tais palavras podem não ter uma total clareza na cabeça do meu filho, até porque depois de adultos nós tentamos de várias formas explicar o significado de frases como estas; trabalho árduo pelo qual psicólogos, terapeutas, filósofos, sexólogos, etc., mergulham em longos estudos e debates à cerca deste significado. Porém para meu filho de 2,4 meses o significado desta frase é bastante simples, por isto é fácil demais para ele pronunciá-la para mim, provavelmente o que passa na cabeça dele e no coração é um sentimento puro, singelo, bom, algo que ele não só precisa, mas acima de tudo QUER compartilhar comigo que sou seu papai amado.

E porque a vida se torna tão complicada para nós, porque a vida é tão difícil? Por que tudo o que fazemos, ou maioria das coisas, sempre trilha um caminho tão mordaz, tão áspero, tão pedregoso?

É difícil porque a vida, em suas relações, é tão simples, é tão fácil que é inacreditável para nós, então tentamos, nós mesmos, complica-la, boicota-la. Isto mesmo! Nós crescemos em meio a uma consciência coletiva que nos ensina que TUDO NA VIDA é difícil, tudo na vida é complicado, e por isso sempre que temos respostas fáceis, comportamentos simples, condições singelas, desacreditamos nós mesmos: - não pode ser tão simples assim, não pode ser tão fácil assim, algo está errado! E ainda por cima utilizamos adágios do tipo: - “quando a esmola é muito até o santo desconfia”.

Tendemos para este tipo de pensamento e disto fazemos nossa bandeira de guerra – de que na vida tudo será sempre complicado - isto porque esquecemos desta visão de mundo que tínhamos quando éramos crianças. Alguns talvez contestem alegando que este tipo de visão da criança é ingênua. Eu discordo. Ingênuo é você estar diante de perigos na vida e não perceber isto, não identificar. Porém a visão de uma criança que consegue facilmente expressar seu sentimento, que consegue enxergar na vida a simplicidade que, também, existe; que consegue descomplicar é na verdade uma visão de que a vida pode ser mais simples do que imaginamos quem a complica somos nós, somos nós quem sofre por antecipação, quando não por alienação. Nós temos certa necessidade de encontrar problemas, empecilhos, complicações; é como se fosse um tipo de droga que além de viciarmos-nos também nos entorpece a ponto de não enxergarmos a vida como ela é ou deveria ser.

Se em vez de buscarmos tanto o significado de amor, de paz, de bondade, de alegria, de altruísmo, de compaixão, de viver, simplesmente vivêssemos estas relações a vida seria mais simples, mais fácil. Não digo que tudo estaria resolvido, mas boa parte com certeza.

Convido você a tentar fazer sua própria vida mais simples, mais fácil. Vou seguir o conselho do meu filho e apenas viver o: ...eu te amo!

Fabiano Mina

julho 10, 2010

Ideb mostra que 35% das escolas ficaram abaixo da meta na 8ª série

"Na 4ª série do ensino fundamental, foram 26%. Índice é calculado com dados do desempenho e rendimento escolar."

 Todos aqueles que se preocupam um pouco com a educação dos seus filhos, ou até mesmo com os filhos dos outros, sabem muito bem que a educação não melhorou, ao contrário, comparativamente com outros paises piorou. Mas como é que vemos notícias do tipo: o índice do IDEB diz isto ou aquilo, no sentido de que houve algum tipo de melhoria? É simples: eles utilizam estatística pura e simples para alegar algum tipo de melhoria no ensino. O problema é que a estatística analisada friamente não condiz com a realidade nem com a necessidade do ensino. 
De qualquer forma como está no anúncio do noticiário que propus o IDEB demonstra que muitos estados brasileiros não atingiram o índice proposto como meta para o ano de 2009 (2010 será avaliado no próximo ano).


Veja bem, o IDEB mede o rendimento dos alunos das escolas públicas baseando-se em uma prova que é aplicada anualmente em determinados ciclos finais de cada etapa escolar para que se obtenha o suposto rendimento do aluno; ex: a prova é aplicada para alunos de 4º e 8ª do ensino fundamental e 3º do ensino médio para que se chegue a esta avaliação. O problema, além do que o noticiário já expõe, é que mesmo os alunos que conseguem obter aprovação no índice proposto pelo governo, passam em uma prova muito fraca, são questões muito básicas das disciplinas escolares, é um tipo de medição que está muito aquém do esperado para um país cujo desenvolvimento econômico tem batido recordes de crescimento e estabilidade. Significa dizer que só poderíamos alegar que o ensino melhorou se ele seguisse o mesmo ritmo de crescimento do país para não dizer mais; o que não ocorre.

O governo federal (estadual e municipal também) tem adotado uma meta para educação baseada apenas nestes índices, que perpetua o problema da educação no país que é o de permitir aos alunos, de pais abastados economicamente, se favoreçam das melhores condições de ensino, por conseguinte favorecendo a estes alunos as melhores condições no mercado de trabalho em detrimento de alunos de pais que dependem de escolas públicas, mas obtendo um estudo precário, consequentemente dando péssimas condições para que estes exerçam bons cargos no mercado de trabalho. Alguém pode objetar alegando que filhos de pais pobres advindos de escolas públicas conseguem bons cargos e boas universidades públicas. Eu refuto porque não se pode fazer da exceção a regra. A maioria possui dificuldade em brigar pelas mesmas condições de estudo e trabalho depois que saem das escolas públicas porque as condições de ensino são péssimas enquanto nas escolas privadas o ensino é superior, ou seja, continuamos a perpetuar o problema de desigualdade no Brasil a partir da educação.


O problema é tão grave que quando tais índices são apresentados se analisam alguns estados que atingiram os índices. Eu já disse acima, a prova aplicada está em um nível tão aquém que passar nela já é motivo de critica quanto mais não passar. Isto sem falar neste sistema de progressão continuada que tem "empurrado" alunos de uma série para outra sem quaisquer condições. Isto porque há um discurso neste tipo de pedagogia onde o aluno deve aprender ao longo da sua estada escolar, desde o fundamental até o ensino médio, supondo que ele saia com as condições básicas para o mercado de trabalho progressivamente e continue a aprender ao longo de sua vida; em outras palavra seria: - na escola te daremos o básico do básico e fora dela você se “vire nos trinta”. Isto é um absurdo, pois supondo que os alunos de escola pública tenham algum tipo de progressão que na verdade é um afrouxamento nas formas de avaliação e os alunos de escolas privadas possuam mais rigor e qualidade, obviamente o problema continua existindo, pois por mais que o índice aponte para uma progressão no ensino público ainda assim o ensino privado continuará superior exatamente por não adotar este tipo de afrouxamento com codinome de progressão continuada. Veja que não estou aqui criticando a idéia de progressão continuada, ela teoricamente é interessante, o que estou criticando é a sua prática dentro de uma realidade de desigualdade educacional onde na prática ela se torna apenas mais um instrumento de segregação.
O que devemos fazer então? Fora o blá blá blá que todos já conhecem, inclusive os políticos, o que devemos é alertar, criticar, cobrar, anunciar, cada vez mostrar mais e mais nossa insatisfação e torcer para quem sabe um dia uns políticos de boa vontade que queiram de fato exercer sua função façam algo pelo país, ou...  vamos fazer revolução? Melhor deixar esta parte para depois.

Fabiano Mina

julho 05, 2010

Burburinho cristão, deve ser rufutado também.

Aqui quero trazer um comentário que fiz a respeito do tema "As Contradições da prosperidade" proposto pelo Pr. Marcelo da IBG (Igreja Batista da Graça), cujo link segue adiante www.ibg.org.br/msantos/?p=385

Lendo a ótima análise que o pastor propõe a respeito das "contradições da prosperidade", teço o comentário a seguir; sugiro que os que queiram entender melhor meu comentário que primeiro acessem o link que citei.

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Concordo nos pontos em que a T.P. (Teologia da Prosperidade) é de fácil refutação teológica. Também o fato dela ser bem quista porque uma parte ‘dominante’ nos meios religiosos é o resquício de uma burguesia supostamente revolucionária que detém do poder capitalista e consequentemente de tudo que advenha disto – como o financiamento das igrejas no mundo liberal em que vivemos.
Mas, se me permite, enxergo um outro problema engendrado. Na minha parca visão, o problema não é apenas pela dominação econômica que esta burguesia detém(ve) e fomenta(ou) para toda a massa religiosa com este discurso de uma riqueza acumulativa validada por textos bíblicos, mas, também, pelo fato de que a grande parte dos religiosos (cristãos em especial) que argumenta contra a T.P. sempre valida de certa forma esta teologia no comportamento cotidiano eclesiástico ou diário, ou seja, o discurso contra a T.P. está pronto, formatado, claro; porém há sempre uma contradição no âmbito prático, há sempre um burburinho na forma de apresentar a relação pobreza/riqueza, bem estar/sofrimento, justiça divina/intempéries da vida, etc. Há sempre um dicotomia ou paradoxos que ocorrem na vida dos seguidores de Cristo que ao serem abordados nas religiões cristãs, sempre há uma certa indefinição (burburinho) incerteza, falta de clareza ao tratar tais temas, o que apenas acaba reforçando ou pelo menos não completamente refutando/anulando o discurso da T.P. Isto porque a T.P. apesar de ser facilmente refutável, em contrapartida, é coerente com a prática religiosa que ela mesma fomenta. Explico: é coerente no sentido de que se argumenta que é preciso dar para depois receber de Deus, que o dízimo é sim uma forma de barganha, que a oferta é sim uma chave para a porta da prosperidade material, que o dinheiro dado a igreja é sim uma forma de investimento no Reino de Deus (?), ou seja, o que eles apregoam eles levam para a prática religiosa (já os resultados são discutidos sempre dentro da ótica da mais fé ou menos fé, o que eles usam como um boa forma de explicação, até porque tem convencido seus seguidores até hoje, e continuam crescendo). E em contrapartida as religiões cristãs que criticam este comportamento da T.P. são coerentes com aquilo que se quer refutar ou afirmar? A meu ver, como disse acima, não. Não está tão clara nossa posição entre teoria e prática, ainda há um burburinho que precisa ser extirpado do nosso meio se queremos realmente esclarecer para os fiéis o que seja o verdadeiro Reino de Deus.

Fabiano Mina

julho 02, 2010

Porque sofremos em jogos como os de Copa do Mundo?


Não sou diferente da grande maioria, torci, sofri, desejei ver nossa seleção no pódio mais alto, o de hexacampeões mundiais. Infelizmente estamos fora nesta copa.
Mas avaliando o sentimento da população brasileira, claro que baseando-se no meu sentimento, a questão é: porque sofremos tanto ao torcer por um simples esporte do qual não levaremos nada para nossas casas do ponto vista tangível.

A resposta talvez esteja no fato de depositarmos em um esporte, que é mundialmente visível, o anseio de mostrarmos o que somos e o quanto ainda podemos ser. De vencermos na vida de um jeito simbolizado pelo esporte futebol, de alcançarmos vitórias através das chuteiras dos nossos jogadores, e buscarmos algum tipo de alegria e sentimento de vitória diante de tantas frustrações que temos em nossas vidas. Sofremos tanto porque são poucas coisas que encontramos em nosso país que possa nos dar uma válvula de escape para as lutas, tristezas, decepções que vivenciamos cotidianamente em nossa política, economia, sociedade, educação, etc.

Não torcemos ou sofremos na e pela Copa do Mundo apenas por ser um esporte de competição e de pura emoção, mas torcemos e sofremos tanto porque nela, simbolizados pelos jogadores, estamos todos nós buscando de certa forma nosso “lugar no sol”.

Que este sentimento de tristeza que agora paira em nosso país não seja maior do que o sentimento de que podemos ser e dar mais do que somos, não apenas no futebol, mas em tudo que cerca o ser brasileiro. Podemos mais do que isso!

Fabiano Mina