junho 28, 2010

Tempos de morte

Rapidamente quero refletir sobre o assunto morte. Desde que a humanidade possui consciência de si a morte é tema recorrente em todos os campos que permeiam nossas vidas. Isto porque o ser humano é atraído por tudo aquilo que lhe é misterioso, tudo o que realça e aguça o imaginário, tudo aquilo que nos traz uma sensação de incerteza e insegurança. Exatamente, nós somos atraídos por coisas deste tipo e por isso conjecturamos a vida inteira sobre essas coisas; porque só se conjectura sobre aquilo que não se tem certeza, não se pode provar.

Sendo assim a morte é temática presente em nossas vidas e tentamos trata-la de diversas formas, inclusive buscando supera-la. Por mais que pessoas não acreditem em vida pós morte, elas vivem esta vida, consciente ou inconsciente, como se quisessem eterniza-la (salve suas exceções), pois quando elas pensam no conceito de “vida” só o fazem porque antagonicamente estão sempre pensando na morte, portanto mesmo para estas pessoas que não crêem em pós morte elas vivem fazendo da vida sua pós morte uma vez que os que pensam em pós morte sempre pensam em algo melhor, o mesmo se dá para os que vivem olhando só para esta vida: tentando eterniza-la, buscando viver o máximo possível sempre com o “medo” de ser superado pelo percalços que se apresentam.

Por isso a humanidade de uma forma ou de outra sempre ritualizou a morte, sempre exerceu certo comportamento metódico em função dela. Vivemos de uma forma ou de outro sempre olhando para a morte a fim de domesticá-la, desvenda-la, sucumbi-la. Mas isto não é possível caso contrário não se chamaria morte. Morte, por definição, é algo que está além de nossas forças, nosso controle, é um término ou etapa desta vida da qual pertencemos e que todos nós teremos que passar um dia.

Entendendo então que a morte é algo que está além do nosso alcance, precisamos, então, viver uma vida plena, de gozo, de realizações e sonhos, de feitos, de erros e acertos, é preciso viver a vida, mesmo que nela a morte sempre se apresente como uma sombra incessante; pois se há alguma forma de sobrepujar a morte esta forma está em realizar-se ao máximo na vida presente.

A morte?! Unf! Que venha... mas ela pode esperar até que eu (ainda) viva.

Fabiano Mina