novembro 19, 2007

Vislumbre

A impressão é que eu estava em um deserto. Não pelo fato de trazer dor e seca, mas por trazer miragem aos olhos nús.
Olhos que questionavam à minha mente: de fato aquela imagem à minha frente existe? É real?
Um 'vislumbre', pois a cada passo que se aproximava, sua formosura e beleza estonteante se modelava ao olhar penetrante.
Só poderia ser uma imagem, pensava eu, pois como tanta beleza podia conter em uma só pessoa.
Tamanha beleza que levava a outro questionamento: porque tanta perfeição numa só pessoa? Será real?
E a imagem ia se concretizando a cada passo que eu dava, ali estava ela, linda, formosa, única, esplendorosa.
Então ao aproximar-se, o máximo que minha pequenez fez foi só admirar, não conseguia falar, dar mais nenhum passo. Apenas perceber um leve perfume distante, uma suave brisa que trazia até meu olfato uma combinação única que parecia querer me viciar em apreciar ainda mais tão sublime cheiro.
Era como se um cachorrinho quisesse embarcar no navio mais luxuoso existente no mundo e apenas olhasse sua partida.
Ela era linda, seu vestido escorria sobre seu corpo que anunciava uma beleza ainda mais oculta, feminilidade sem igual, sensualidade quase que infantil, mas querendo vibrar dentro do mundo adulto.
Não me atrevi a questionar nada, apenas 'vislumbrar', pois minha inferioridade não permitia nada além disso.

Que vislumbre, que a terra, os céus e os mares anunciem tamanha beleza contida numa só pessoa - Binha (Débora Mina).


Fabiano Mina