novembro 19, 2007

De que lado você quer estar?

Alguns dirão: prefiro mentir ao falar a verdade!

A verdade dói, então melhor mentir, pois a dor será imperceptível, mesmo que ela me ‘mate’ com o passar do tempo.
A verdade demonstra os erros, então melhor mentir, assim me farei seguro de ser ‘o melhor’ e assim inflarei meu ego.
A verdade revela, então melhor mentir, pois ocultarei aquilo que incomoda até mesmo os mortos.
A verdade ilumina, então melhor mentir, pois a escuridão é minha amiga.
A verdade pede que você seja você mesmo, então melhor mentir, pois eu sempre quererei ser o outro, menos eu, porque eu sempre terei falhas, mas o outro sempre será um ‘perfeito ideal’.
A verdade é para poucos, poucos que são os pilares da vida, então preferirei mentir, pois não passo de um “telhado de vidros”.

De que lado você quer estar?

Fabiano Mina

Relações Humanas

Vivemos como seres sociais que precisam de relações, com seres semelhantes que somos para que a vida passe a ter um certo sentido, para que o indivíduo encontre 'morada' em meio ao caos que é esse mundo.

Mas infelizmente algumas pessoas confundem as relações com sentimento possessivo, com egoísmo, sectarismo e até mesmo com religiosidade. As relações existem desde que homem é 'homem'. Uma pessoa não consegue ser completa, viver feliz, sentir-se bem se a mesma não viver a plenitude das relações-humanas. Mas esse próprio homem cria diversas barreiras, regras, leis, para que essas relações não se desenvolvam de forma múltipla, profunda e duradoura.

Assim observa-se diversas pessoas vivendo em reclusão, uma vida 'cinzenta', sem graça, a mesmice de sempre, sem auto-conhecimento, sem conseguir explorar o melhor de si mesmas.

Não, não é isso que a vida nos ensina. A vida nos ensina a amarmos uns aos outros de forma profunda, sem reservas, sem medo, sem reclusão, sem barreiras. A nos entregarmos de corpo e alma, a abrirmos nossos corações, mesmo que muitas vezes estejamos arriscados a nos magoar, pois a mágoa 'também' faz parte do crescimento e profundidade pessoal do sujeito.

Não existe relacionamento sem entrega, não existe entrega sem sinceridade, não existe sinceridade sem um sentimento profundo que nos leve à essa busca incessante.

A grande maioria prefere viver com "máscaras", se escondendo, agradando a gregos e troianos; mas ainda existe uma pequena parcela da humanidade que prefere sorrir, se alegrar, beijar sem parar, cantar, correr, pular, vibrar, esboçar o que há de mais lindo dentro do coração, viver a sexualidade sem medo, sem pudor, sem críticas de invejosos e mentirosos.

Não existe erro no sentimento real, verdadeiro, genuíno, no sentimento que aproxima e nos faz aquecer-nos uns nos outros. Não pode existir erro nisso, não pode existir pecado nisso, não pode existir mal nisso - naquilo que nos une. Errado está nos que preferem cortar os relacionamentos em pró de seus egos, de suas mesquinharias, de suas religiosidades falsas e hipócritas.

Vamos nos relacionar profundamente, essa é a norma!

Fabiano Mina

Vislumbre

A impressão é que eu estava em um deserto. Não pelo fato de trazer dor e seca, mas por trazer miragem aos olhos nús.
Olhos que questionavam à minha mente: de fato aquela imagem à minha frente existe? É real?
Um 'vislumbre', pois a cada passo que se aproximava, sua formosura e beleza estonteante se modelava ao olhar penetrante.
Só poderia ser uma imagem, pensava eu, pois como tanta beleza podia conter em uma só pessoa.
Tamanha beleza que levava a outro questionamento: porque tanta perfeição numa só pessoa? Será real?
E a imagem ia se concretizando a cada passo que eu dava, ali estava ela, linda, formosa, única, esplendorosa.
Então ao aproximar-se, o máximo que minha pequenez fez foi só admirar, não conseguia falar, dar mais nenhum passo. Apenas perceber um leve perfume distante, uma suave brisa que trazia até meu olfato uma combinação única que parecia querer me viciar em apreciar ainda mais tão sublime cheiro.
Era como se um cachorrinho quisesse embarcar no navio mais luxuoso existente no mundo e apenas olhasse sua partida.
Ela era linda, seu vestido escorria sobre seu corpo que anunciava uma beleza ainda mais oculta, feminilidade sem igual, sensualidade quase que infantil, mas querendo vibrar dentro do mundo adulto.
Não me atrevi a questionar nada, apenas 'vislumbrar', pois minha inferioridade não permitia nada além disso.

Que vislumbre, que a terra, os céus e os mares anunciem tamanha beleza contida numa só pessoa - Binha (Débora Mina).


Fabiano Mina